perspectivas

Terça-feira, 17 Agosto 2010

O materialismo, o maior disparate do século XX

Um articulista do The Huffington Post defende a ideia segundo a qual o Cristianismo e o ateísmo seriam extintos se a ciência tivesse evidências seguras da existência de Deus. Desde logo, não se deve dizer que “Deus existe”, porque Deus não é um objecto e não pertence à dimensão do sujeito-objecto; é correcto dizer que Deus É (de Ser): “Eu Sou Aquele que É”. Depois, é um erro supor que o ateísmo se auto-extinguiria com “evidências de Deus”, porque estas evidências já existem em grande e suficiente quantidade, e nem por isso o ateísmo se extingue.

O conhecido físico e filósofo alemão Wolfgang Stegmüller escreveu o seguinte:

“Não é de excluir que, no fim da investigação das partículas elementares, surja um grande silêncio. Isto também não seria uma tragédia. Pelo menos, o disparate do século XX então, até seria, perfeito.”

O “disparate do século XX” a que se refere Stegmüller é o materialismo nas suas diversas vertentes. A “investigação das partículas elementares” é a própria física quântica.


Quando me quis sentar nesta cadeira para escrever este texto, fi-lo em uma superfície que gira à volta do Sol a uma velocidade de 30 quilómetros por segundo; bastaria uma fracção de segundo de “atraso” para que a cadeira ficasse a quilómetros de distância. E enquanto eu me sento na cadeira com a maior naturalidade do mundo, estou pendurado em um planeta esférico com a cabeça para fora, em pleno espaço sideral, e assolado por um vento quântico que sopra do universo através dos meus poros.

Porém, se ao sentar-me na cadeira, eu tivesse a infelicidade de passar através dela e cair com o traseiro no chão, ou passar a flutuar e ir parar ao tecto, estes acidentes não constituiriam nenhuma violação das leis da natureza, e seriam apenas a “recusa” momentânea dos Caminhos de Acção Mínima que regem o processo da relação entre a entropia causada pela gravidade, e o mundo quântico das “meras possibilidades”. Naturalmente que a probabilidade de que um acidente destes acontecesse seria extremamente remota — na ordem de 1 para 10^60, ou mais —, mas essa possibilidade existe. E o simples facto de eu querer sair agora da cadeira, e a simples possibilidade de que alguma vez eu possa voltar a sair da sala onde estou, colocam algumas questões bicudas ao nível das leis da entropia.

Estrutura do átomo

A ciência descobriu que o átomo é composto por um núcleo à volta do qual giram os electrões — tal como os planetas do sistema solar giram à volta do Sol. Porém, estes componentes do átomo subdividem-se em partículas ainda mais pequenas : as Partículas Elementares. Muitas destas partículas existem apenas durante 10^-23 segundos — um milésimo da bilionésima parte do centésimo da bilionésima parte de um segundo do nosso tempo. Se se quiser dividir uma partícula elementar subatómica, bombardeando-a com uma outra partícula elementar, surgem então outras e novas partículas, e algumas do mesmo tipo da partícula destruída. Isto leva à conclusão absurda segundo a qual as partículas elementares se compõem “de si mesmas”.

Falamos de partículas elementares, e não de ondas quânticas; sobre estas falarei em uma próxima ocasião.

A partícula elementar tem massa, isto é, é aquilo a que se convencionou chamar “matéria”. A totalidade da massa das partículas existentes, surgidas depois da destruição da partícula acima referida, pode ser várias vezes superior à totalidade da massa inicial. À primeira vista, dá a sensação de que a matéria se cria a si própria, independentemente de uma causa e de um processo determinístico.

As partículas elementares subatómicas não são “coisas”, tal como me aparece a cadeira em que me sento. As regras pelas quais se regem as partículas elementares seriam de impossível aplicação no nosso mundo das “coisas”. No mundo das nossas “coisas”, por exemplo, um copo cai ao chão e estilhaça-se em pequenos pedaços de vidro; porém, no mundo das partículas elementares, seria como se um copo caísse ao chão e da sua queda surgissem milhares de outros copos inteiriços.

O físico Fritjof Capra, autor do livro “Tau da Física”, escreve :

« (…) as partículas subatómicas não são coisas, mas sim ligações entre coisas, e estas coisas são, por sua vez, ligações entre outras coisas, e assim por diante. Isto demonstra que não podemos decompor o mundo em unidades minúsculas, existentes independentemente uma das outras. Ao penetrar na matéria, não encontramos elementos básicos isolados, mas sim uma rede complexa de relações entre as várias partes de uma totalidade única. »

Contudo, o mais “grave” é que estes processos atómicos não decorrem em um determinado lugar e em um determinado momento, possuindo apenas “a tendência para surgir”. Estes processos atómicos são meras possibilidades. São eles próprios, por assim dizer, que decidem se surgem ou não; não existe uma causa responsável por isso. “Eles surgem (aparentemente) sem uma razão especial, mais provavelmente agora do que em um outro momento” — parafraseando o físico John Gribbin.

Muitos físicos famosos, alguns detentores do Nobel da Física, defendem a tese de que a realidade das “coisas”, tal qual as vemos, não seria possível sem a existência prévia de uma super-consciência, e isto na sequência das experiências em laboratório que demonstraram que a onda quântica — que não tem massa — se transforma em partícula depois de “observada” por uma consciência.

(continua)

3 comentários »

  1. Era bom que se pudesse ler artigos destes nos jornais!
    Em relação a Deus, tenho um argumento que não sei se mais alguém já o terá invocado. Só um cretino não consegue reconhecer que a sua inteligência, por maior que seja, é sempre inferior à de um outro ser humano. Logo, mesmo o mais inteligente de todos e principalmente ele, por ser inteligente, deve reconhecer o mesmo. A compreensão total do mundo não parece possível mesmo para o mais inteligente. Como pode então o mais inteligente não ser crente? Só Deus pode ser ateu!

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    Comentar por Henrique — Terça-feira, 17 Agosto 2010 @ 8:26 am | Responder

    • @ Henrique: Esse argumento é o argumento da “Douta Ignorância”, de Nicolau de Cusa.

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      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 17 Agosto 2010 @ 8:51 am | Responder

  2. Isso mesmo! Pois, tinha que já ter sido pensado pois vem também na linha da suma perfeição. Mas não confundir a perfeição divina com aquela perfeição denunciada por Huxley, o robotismo para que caminhamos ou em que já estamos metidos.

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    Comentar por Henrique — Terça-feira, 17 Agosto 2010 @ 9:23 am | Responder


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