perspectivas

Domingo, 4 Julho 2010

A Marsans e o trambiqueiro espanhol

A forma como a agência de viagens espanhola Marsans “faliu” de um dia para o outro, deixando sem férias (que já tinham sido pagas) milhares portugueses e sem direito a reembolso do dinheiro, é a prova de que os investimentos espanhóis em Portugal não têm, de forma geral, interesse para a nossa economia.

O espanhol é, por sua natureza, um vigarista — ou como dizem os brasileiros: o espanhol é naturalmente trambiqueiro.

É tempo dos portugueses compreenderem (de uma vez por todas) que são muito mais seguros investimentos de países europeus como a Alemanha, ou dos países nórdicos em geral — e mesmo investimentos de Angola ou do Brasil, e da América do sul em geral — do que tentar proteger e incentivar o investimento trambiqueiro espanhol.

Por outro lado, os empresários portugueses sabem muito bem das dificuldades burocráticas que o Estado espanhol impõe aos investimentos de empresas portuguesas em Espanha, porque os governantes espanhóis pretendem sempre proteger as suas empresas nacionais da concorrência do exterior. E para além das dificuldades burocráticas, o Estado espanhol incentiva e fomenta fortemente, através do código invisível da inculturação, as barreiras culturais a nível do consumidor espanhol — coisa que os governos portugueses não fazem — , de modo a blindar de uma forma “natural” as importações e a incentivar a produção nacional espanhola.

A Espanha serve para que os camiões portugueses e as suas mercadorias cheguem à Europa, e pouco mais do que isso. Que os portugueses não tenham ilusões. Hoje, Espanha é uma “casa a arder”, dividida politicamente com as reivindicações das independências nacionais espanholas, e com uma crise de competitividade na economia muitíssimo mais grave do que a portuguesa.

Mais uma vez, e como aconteceu no passado remoto e mais recente, a Espanha vai tentar servir-se de Portugal para resolver os seus problemas internos, e seria lamentável que, mais uma vez, os políticos portugueses se colocassem a jeito nessa estratégia espanhola de exportar sistematicamente os seus problemas.

Portugal deveria olhar para sua História e aprender com as lições do passado, em vez de obstinadamente contrariar a experiência de mais de 800 anos.

3 comentários »

  1. Travar a traição iberista é um dos principais combates de hoje. A obra “Juízo Final” do Embaixador Franco Nogueira devia ser lida e relida…

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    Comentar por Sérgio Sodré — Quarta-feira, 7 Julho 2010 @ 12:20 pm | Responder

  2. Visitei o seu blogue recentemente e aqui está outro assunto corrente bem lembrado.
    Tenho um Amigo e colega da empresa onde trabalho directamente atingido como cliente.

    Para já, pelo que ele me disse, os portugueses trabalhadores da agência são quem dá a cara claro; e parece que entretanto assegura-se a transferência de tudo e até a manutenção das viagens agendadas(para os clientes que optarem por tal) do sinal etc. (Será mesmo?) através de outra agência claro. Os trabalhadores irão mudar também (salvarão os postos de emprego de todos? esperemos que sim). O Turismo de Portugal assegura também o accionamento de Cauções etc.

    Mas é uma vergonha – o modo e comportamento destes grupos.

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    Comentar por Lusófono — Sexta-feira, 9 Julho 2010 @ 4:14 pm | Responder


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