perspectivas

Terça-feira, 22 Junho 2010

Prós e Contras de ontem: um monólogo a quatro vozes

Mário Soares e a esquerda em geral, insistem numa posição iberista, que resulta na prática na subordinação política, económica e cultural de Portugal a Espanha. Os interesses supremacistas de Espanha têm hoje, em Portugal, dois grandes empecilhos: a direita conservadora e o Duque de Bragança.

Já não vale a pena fazer comentários sobre o que diz gente como Boaventura Sousa Santos ou Mário Soares. A realidade não muda só porque nos convencemos que ela não existe da forma que existe, e ambos (gnósticos) foram ontem (no programa da Fatinha na RTP1) o exemplo de quem acha que se pode alterar a realidade simplesmente convencendo a comunidade de que a realidade que se quer mudar, não existe.

De Sousa Santos ficou-me uma ideia-chave: o problema demográfico não existe em Portugal; pelo contrário, o professor universitário conseguiu até encontrar vantagens na fraca taxa de natalidade da mulher portuguesa — o que é extraordinário! A mundividência dessa criatura é miraculosa. Nem sequer os factos e os números o conseguem demover, e se alguém tem que fazer a típica autocrítica marxista, são os outros.

Boaventura acha que o crescimento na América Latina nos anos 90 era baixo e que os latino-americanos alteraram a situação a partir do fim da década — ou seja, para o Boaventura, os actuais líderes políticos marxistas da América do Sul são heróis. Mas “esqueceu-se” de referir que o crescimento médio dos países da zona Euro foi de 3,4% nos anos 70, 2,4% nos anos 80, e só 1,1% nos anos 90. A estes números e à realidade concreta, o Boaventura fugiu como o diabo da cruz.

A verdade é que as religiões políticas internacionalistas — como o marxismo do Boaventura — nunca conseguirão resolver o problema da demografia, porque partem do princípio cultural gnóstico da “culpa histórica da Europa”. Para o marxismo cultural, a Europa (e o Ocidente em geral, incluindo os Estados Unidos) tem culpa e padece de um pecado original; e mesmo que no resto do mundo (incluindo a América Latina) existam exemplos de barbárie, é sempre à Europa que é assacada a responsabilidade dessa barbárie, como acontece com a “culpa da Europa” em relação ao Irão ou à Coreia do Norte. Para o Boaventura, o haraquiri civilizacional dos países europeus impõe-se para que estes se redimam da “culpa” em relação ao terceiro-mundo. Este fenómeno da culpabilização e niilismo cultural nunca tinha ocorrido antes do marxismo, e revela uma das faces do gnosticismo cristão moderno.

O programa Prós e Contras de ontem foi um monólogo a quatro vozes; a escolha de Ângelo Correia para se dar a impressão do contraditório, foi muito habilidosa por parte da RTP. O Ângelo nunca contradiz nada se tiver uma oportunidade de negócio, e ainda vamos ver o que ele vai ganhar no seu negócio dos resíduos industriais se Passos Coelho for eleito primeiro-ministro.

Mário Soares e a esquerda em geral, insistem numa posição iberista, que resulta na prática na subordinação política, económica e cultural de Portugal a Espanha. Os interesses supremacistas de Espanha têm hoje, em Portugal, dois grandes empecilhos: a direita conservadora e o Duque de Bragança.

A esquerda nunca aprende com a História, e esta já nos demonstrou, ao longo de 800 anos, que “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”. Associações e negócios com Espanha nunca dão bons resultados, porque os espanhóis partem sempre de uma posição de principio não só de superioridade (que muitas vezes não existe) como de uma necessidade idiossincrática e irracional de humilhação da parte portuguesa. É preciso aprender com a História e não cometer sistematicamente os mesmos erros.

Há anos que eu tenho escrito aqui que a dependência de Portugal em relação ao comércio com Espanha (cerca de 35% das importações portuguesas) só poderiam causar dano a Portugal, porque estávamos a “colocar muitos ovos no mesmo cesto”. Admira-me como um simples cidadão, como eu, constata uma realidade que os nossos políticos são aparentemente incapazes de ver.

De resto, e como tem sido característica do programa da Fatinha nos últimos tempos, o monólogo a quatro vozes deu em nada. Não saiu dali nada que não fosse uma tentativa enviesada de alienação da realidade.

1 Comentário »

  1. […] Prós e Contras de ontem: um monólogo a quatro vozes (22 de Junho de 2010): […]

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    Pingback por O iberismo foi adiado pela maçonaria « perspectivas — Segunda-feira, 21 Janeiro 2013 @ 9:52 am | Responder


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