perspectivas

Segunda-feira, 14 Junho 2010

A demagogia de José Pacheco Pereira

Que José Sócrates tenha horror às definições porque tem a cabeça cheia de vento — ou que o mesmo aconteça com Francisco Louçã porque a fobia às definições é uma característica do gnóstico — é aceitável porque se compreende a “coerência” vinda de quem vem. Porém, que José Pacheco Pereira fuja às definições é duplamente grave: em primeiro lugar porque (que eu saiba) o Partido Social Democrata não é propriamente um partido marxista; em segundo lugar porque o J.P.P. tem uma licenciatura em filosofia.

Toda a demonstração tem um princípio que a sustenta (Aristóteles). José Pacheco Pereira parte da pretensa “atitude democrática” de permissividade nos comentários nos blogues e nos jornais online para, partindo desse princípio, dizer que “a democracia directa não é democracia, mas sim demagogia” … e por quê? Porque sim! Ele serve-se de uma pretensa autoridade de direito para dizer que as coisas são como são … porque são! Transforma a sua opinião em axioma.

Eu estou de acordo com o princípio da demonstração de José Pacheco Pereira, e explico por quê (vamos às definições): o ser humano age porque é livre, e não é livre porque age. Uma pessoa não é livre porque tem a possibilidade de agir, mas tem a possibilidade de agir porque é livre. A liberdade depende da vontade escrutinada pela razão. Não é o facto de agir que me torna livre; é o facto de ser livre que me permite agir. A liberdade é anterior à acção. O facto, por exemplo, do regime de Cuba reprimir a acção política da oposição, não retira (totalmente) a liberdade aos prisioneiros políticos; estes continuam a ser livres independentemente da repressão à sua acção política. Como dizia o poema: “Não há machado que corte / a raiz ao pensamento / porque é livre como o vento…”. Ora o pensamento que determina acção é já a vontade escrutinada pela razão.

O que é insuportável na demonstração de José Pacheco Pereira é que ele parta de um princípio sustentado racionalmente para impor uma conclusão de forma irracional — a de que a noção de “democracia directa” é demagógica. E retira desse princípio essa conclusão sem explicar por quê — como se uma coisa tivesse ligação óbvia, directa, axiomática e auto-evidente com a outra.

Em conclusão: é a própria demonstração de José Pacheco Pereira que é demagógica, porque parte de uma verdade para defender uma mentira através da dogmatização de conceitos.

Anexo: ficheiro em PDF

1 Comentário »

  1. Mas é bom que já se fale em democracia directa. Que falem mal mas que falem! 😉

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    Comentar por Henrique — Terça-feira, 15 Junho 2010 @ 7:47 pm | Responder


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