perspectivas

Quarta-feira, 9 Junho 2010

As maiorias construídas nos laboratórios da ideologia

A estratégia da nova esquerda — ex-estalinista e/ou ex-trotskista porque os tempos mudaram e a razão prevaleceu — é a construção artificial de maiorias. Por tudo e por nada, vem a lengalenga: “a maioria do povo, isto e aquilo”. Por vezes, existem sondagens realizadas com todo o rigor exigido pelo viés ideológico — tudo para provar a existência de uma maioria previamente definida e estabelecida. Contudo, é essa esquerda, que se pavoneia com as sua “maiorias” nos bolsos, que recusa referendos senão quando tem a certeza de que a ideologia vence. Desde que possível e ao alcance do seu poder, a esquerda nunca corre riscos de ceder à vontade do povo.

Diz o idiota que “Israel tem hoje apenas o apoio da direita extrema” (via) — e a nível mundial! Não faz por menos — , quando, como podemos ver aqui, acontece exactamente o contrário. Em relação a Israel, a esquerda e a ultra-direita coincidem perfeitamente. Por que será? Depois, o idiota vem emendar a mão: afinal existem “duas extremas-direitas”. Não tarda nada, existirão tantas extremas-direitas quanto os ódios de estimação da esquerda. Como é que alguém com dois dedos de testa pode levar a sério esta gente ?

Não se discutem ideias; colocam-se rótulos. Esta gente pensa ganhar as batalhas ideológicas colocando a estrela de David nas novas lapelas dos Untermenschen actuais. Estão convencidos que rotulando pessoas se ganha a razão.

E depois, vem a tradicional certeza do futuro, de herança gnóstica, e característica da psicopatia da mente revolucionária: “A história universal julgará esta anormalidade”. Naturalmente que o julgamento da História será sempre a favor da certeza do futuro que caracteriza uma visão determinística da História e robotista do ser humano. Para essa gentinha auto-iluminada, existem os “eleitos” e os “seres humanos”: os eleitos são eles próprios, semideuses que prevêem o futuro que determina o destino da escumalha. Os paralelismos com as seitas dos Valentinianos ou dos Maniqueus do princípio da nossa era, ou com os Quakers e puritanos já na Idade Moderna são tão flagrantes, que Camus se terá enganado quando disse que “Nietzsche era grego e Marx cristão”; Camus confundiu o cristianismo com o gnosticismo.

No seguimento do maniqueísmo ideológico que caracteriza a sociopatia, vem o corolário: não há diálogo possível. É a “guerra total” por parte de quem se convenceu que já ganhou porque criou uma maioria em laboratório. Por pressupostos diferentes acabo por lhe dar razão : “Só vale a pena discutir com pessoas com as quais estamos de acordo quanto aos pontos fundamentais; só aí se mantém, na pesquisa, a fraternidade essencial ; tudo o resto é concorrência, batalha, luta pelo triunfo; não menos reais por serem disfarçados” (Agostinho da Silva).

E depois, o idiota vem com argumentos históricos, mas restringindo-os a 1948. Quando interessa aos idiotas, a História começa quando se lhes dá na real gana. Não só a História começa quando eles quiserem, como ela acaba com a escatologia determinada pela ideologia gnóstica.

Aquilo que aconteceu antes de 1948, não interessa. Aquilo que os documentos históricos relatam sobre a presença dos judeus em Judá e Israel, pelo menos desde 1.000 a.C., são factos para “limpar” da História, como Estaline tentou “limpar” da História — e dos documentos históricos — a memória dos seus opositores políticos. A diferença entre o velho estalinismo e a nova cáfila de iluminados, é que esta última proclama-se como única representante do novo deus, e disfarça a sua inumanidade por detrás das “maiorias” fabricadas nos laboratórios da religião política.

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