perspectivas

Terça-feira, 8 Junho 2010

A Europa de primeira e de segunda classes

Ontem, um comissário qualquer da União Europeia veio dizer que é preciso “flexibilizar” (ainda mais) as leis laborais em Portugal, referindo-se à lei de despedimento. No sector privado da nossa economia, despedir alguém já não coloca grandes problemas à entidade patronal portuguesa. É hoje mais fácil um patrão despedir um trabalhador em Portugal do que em França; mas a União Europeia não está satisfeita.

O que a União Europeia (dirigida pelos países do directório europeu) pretende é criar a curto/médio prazo (na zona económica periférica da Europa que inclui Portugal, Espanha, Grécia e os países de leste) uma espécie de zona europeia alternativa à produção na China, com condições laborais e salariais mais próximas da chinesa — mantendo, contudo, a Europa do directório (o eixo franco-alemão e respectivos países adjacentes: Bélgica, Holanda, Áustria, Dinamarca, Luxemburgo, Itália) o Estado Social a que estão habituados. Trata-se de eliminar o Estado Social na periferia da Europa.

Já não estamos hoje face ao problema da construção de uma Europa a duas velocidades: estamos já na fase decadente de cristalização política e económica através da institucionalização coerciva da Europa de primeira e de segunda classes.

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