perspectivas

Sábado, 29 Maio 2010

Solipsismo

Filed under: filosofia,Novo Guia dos Perplexos,Ut Edita — O. Braga @ 8:56 pm
Tags: , ,

“Se uma árvore cair na floresta, e não existir ninguém por perto para ouvir o ruído causado pela sua queda, será que a árvore existe?”

Eu escrevi isto e alguém me chamou à atenção para isto. Antes de mais, vamos definir um “palavrão”: solipsismo.

Solipsismo : doutrina segundo a qual o sujeito pensante seria a única realidade, “tudo o resto” não seria mais que ilusão (ou pelo menos sendo o contrário impossível de provar).

Portanto, solipsista é aquela pessoa que, como sujeito pensante, não afirma qualquer outra realidade além de si próprio. Naturalmente que nunca existiu, na filosofia, um solipsista puro; mas existiram algumas formas atenuadas de solipsismo.

Posto isto, vamos ao que interessa.


Se o barulho é uma sensação, esta tem uma causa. No mundo sensível (que é o mundo da física de Newton e Einstein), os fenómenos físicos estão sujeitos a um determinismo (o que não acontece da mesma maneira no mundo quântico, mas agora não vem ao caso).

Um exemplo: na ética, cada ser humano tem uma sensibilidade própria em relação a ela (existem criaturas humanas que nem sequer são capazes de sentimentos empáticos, e contudo, a ética terá que existir para eles também), as regras da ética têm que ter em conta não a subjectividade individual, mas a “intersubjectividade” ou “subjectividade colectiva”.

A noção de intersubjectividade foi introduzida pela fenomenologia (Husserl) , segundo a qual existe um “tecido” de relações anterior e preliminar à definição dos sujeitos unidos por tais relações — o que significa que um sujeito não está sozinho mas unido a priori ou à partida a um tecido ou rede de sujeitos. Através da intersubjectividade, os sujeitos comunicam num idêntico nível da realidade. Quando eu estou a escrever isto e a tentar comunicar, parto do princípio de que o leitor vai apreender o sentido do texto — não literalmente segundo a minha subjectividade, porque isso seria impossível na medida em que existem dois sujeitos analisando o mesmo texto; mas pelo menos existe a possibilidade de uma comunhão intersubjectiva sobre algumas ideias do texto.

O género humano apareceu no planeta Terra há cerca de 2 milhões de anos, e a espécie humana moderna há cerca de 130 mil anos. Antes de existir o homo sapiens sapiens, não existiam “árvores que caíam na floresta” ? Antes de o género humano aparecer na Terra, não existiriam outros animais com tímpanos (por exemplo, o macaco) ? Será que um surdo pode afirmar, com toda a legitimidade e racionalidade, que os barulhos não existem porque ele não os ouve, e ainda assim ter razão ?

As vibrações do ar, que produzem os sons da natureza, são traduzidas ou interpretadas pela nossa mente, mas essas vibrações do ar existem independentemente da percepção da nossa mente. Dizer o contrário disto é um exercício de solipsismo.


Vamos ver agora uma outra versão do problema.

“Se uma árvore cair na floresta, e não existir ninguém por perto para ouvir o ruído causado pela sua queda, será que a sua queda causa ruído?”

  1. A pergunta / proposição parte de um princípio: o de que a árvore existe — quando pergunta: “Se uma árvore cair na floresta (…)”. Portanto, é assumido que a árvore existe. O problema é saber se a sua queda causa ruído.
  2. Quem diz que o ruído da queda da árvore só existe na medida em que é percebido pelos sentidos (neste caso, a audição) parte do princípio de que os ultra-sons e os infra-sons, que são percebidos pelos cães, por exemplo, no primeiro caso, e pelas baleias, no segundo caso — mas que não são percebidos pelo aparelho auditivo do Homem — não existem. Os ultra-sons e os infra-sons são assim entendidos como concepções ilusórias, coisas que não existem porque não podem ser entendíveis pelos sentidos humanos.
  3. Não pode haver, na abordagem desta proposição, uma separação entre a ciência e a filosofia. Vou mais longe: qualquer teoria filosófica que não tenha em atenção a ciência, por mínima que seja essa atenção, descamba em delírio interpretativo da realidade. Isto não quer dizer que a ciência contenha em si a verdade; quer apenas dizer que a verdade também se encontra na ciência. Porém, não podemos utilizar argumentos científicos — como é o caso da proposição/pergunta — de uma forma subjectiva; a ciência é objectiva. O que a ciência nos diz é que todas as leis da física, necessárias para que o ruído (da árvore que cai) seja ouvido, existem, com excepção da adaptação do nosso aparelho auricular para o ouvir (neste caso concreto da “árvore na floresta”.
  4. Por outro lado, não podemos partir do princípio de que todos os aparelhos auriculares de todos os seres humanos são iguais, e excluir qualquer possibilidade de existirem fenómenos extraordinários de audição. A ciência pode provar que uma coisa existe, mas não pode provar que uma coisa não existe ou não possa existir. Quando se diz que “é impossível ouvir o ruído daquela árvore que cai na floresta”, parte-se de um pressuposto acientífico: o de que se pode provar que uma coisa não existe ou que existe a impossibilidade de uma coisa acontecer — coisa que a ciência não pode fazer.
  5. Portanto, a proposição/pergunta parte de um princípio científico para elaborar uma teoria subjectivista. Ela é falaciosa.
  6. A proposição / pergunta poderia ser analisada à luz da filosofia quântica que implica um não-determinismo nos processos da “não-localidade” quântica. Mas esta abordagem não se coloca, porque a proposição baseia-se e tem apenas em conta as leis da física aplicáveis, de uma forma determinista, no mundo macroscópico ou macrocosmos.

Anúncios

8 comentários »

  1. Só para rematar o texto do “Solipsista” de serviço encarnado aí nesse Fiat Lux, só lhe faltou escrever, antes dele nascer, o mundo jamais existiu ! Não deixava de ter razão se terminasse desta forma o texto, pois realmente o mundo não existia antes dele nascer, não existia para,ELE, óbviamente !

    Gostar

    Comentar por Luis Ribeiro — Domingo, 30 Maio 2010 @ 1:46 am | Responder

  2. Devemos tratar da percepção do som por um aparelho auditivo de um ser consciente. Para que o ruído da queda da árvore seja percebido, basta a presença de um observador e não necessariamente de um observador humano.
    A existência do mundo fenomenal só pode ser manifestada para um observador. A consciência deste observador, por sua vez, surje a partir do momento que ele toma consciência da existência do outro. Não é porque pensamos, que existimos, que nos tornamos existentes. Mas porque estamos em relações. Sem as relações a existência de nada significaria.

    Gostar

    Comentar por maxburkhardt2012 — Terça-feira, 2 Outubro 2012 @ 3:52 pm | Responder

    • ************

      1/ Colocar uma câmara de filmar (instrumento de medição fabricado pelo Homem) na floresta, para captar a imagem e o som da árvore que cai na floresta, por um lado, e observar directamente e in loco a queda da árvore e ouvir o som da queda, por outro lado, é praticamente a mesma coisa. Aliás: em rigor, é a mesma coisa.

      2/ Ser “sujeito” não significa necessariamente ser consciente.

      3/ A ideia segundo a qual “a existência do mundo fenoménico só pode ser manifestada para um observador [consciente] humano”, é a mesma coisa que dizer que em um universo com 14 mil milhões de anos-luz de idade, com milhões de galáxias, com muitos biliões de sistemas solares — é afirmar a crença segundo a qual, nesse universo, apenas o Homem tem consciência e autoconsciência. Estamos, portanto, em presença de um antropocentrismo solipsista moderno, muitíssimo pior e mais nefasto do que o geocentrismo antropocêntrico da Idade Média.

      4/ A consciência e a autoconsciência do ser humano pressupõe também a consciência do desconhecido (a “Douta Ignorância”, de Nicolau de Cusa), por um lado, e, por outro lado, pressupõe um juízo universal (abstracção em relação aos fenómenos e generalização dos conceitos) que é uma característica não só da consciência e da autoconsciência, mas também uma característica do pensamento científico.

      Por exemplo, a lei da gravidade decorre de uma abstracção em relação à observação do fenómeno empírico da gravidade, entendido em si mesmo; e é, depois, uma generalização da aplicação dos princípios abstractos que gerem esse fenómeno a todo o universo. Por isso, a ciência diz que a lei da gravidade é válida em qualquer sítio do universo — mesmo nos sítios do universo que o Homem desconhece hoje a existência. Repare-se na seguinte proposição:

      “a lei da gravidade é válida em qualquer local do universo, mesmo nos locais em que o ser humano, ainda hoje, desconheça a existência”.

      O ser humano, dotado de consciência e de autoconsciência, não necessita de conhecer todo o universo para constatar que esta proposição supracitada é, em princípio, verdadeira. Da mesma forma, o ser humano não precisa de observar directa ou indirectamente a queda eventual de uma árvore numa qualquer floresta para saber que não só a árvore cai por acção da lei da gravidade, mas também que árvore faz (mais ou menos) ruído quando cai.

      A isto chamamos “realismo”, que se opõe ao idealismo e ao solipsismo.

      5/ A consciência do observador surge a partir do momento em que ele se torna “sujeito consciente” e, por isso, compreende e interioriza que participa de uma realidade caracterizada pela separação entre sujeito e objecto; e o “objecto” não é necessariamente o “outro ser humano”.

      Não é necessário que exista um “outro ser humano” para que a consciência do observador aconteça. Se fosse possível a uma criança ser adoptada por chimpanzés, e crescer sem nunca ver um outro ser humano, com certeza que essa criança, tornada adulta, não deixaria de ser um ser humano no que diz respeito às suas características fundamentais que o diferenciam dos chimpanzés e dos outros animais.

      Gostar

      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 2 Outubro 2012 @ 5:56 pm | Responder

  3. Alguns esclarecimentos para pontos que foram mal interpretados ou para os quais nos fizemos mal interpretar:

    1) Estamos nos referindo a consciência no sentido de percepção dual: Eu e algo fora de mim.

    2) Se escutamos o som da queda da árvore “in loco” ou por meio da gravação em câmara é pouco significante. Para ambas as maneiras, o som só existe porque há observador ou experimentador do fenômeno. Não há ruído sem a atividade de escutar.

    2) Quando nos referimos a ser consciente ou tornar-se consciente “do outro” quisemos nos referir ao nascimento da percepção de separação entre observador e coisa observada, momento do nascimento do que entendemos por consciência. Não foi nossa intenção associação “outro” ao que é “ser humano”.
    Imaginemos um sujeito suspenso no vácuo de um espaço primitivo, escuro e privado de toda a experiência dos sentidos. A primeira percepção de algo fora de sí é o nascimento da consciência. O ser torna-se consciente da dualidade: Ele e a realidade que o cerca.

    3) A nossa afirmação foi: “Para que o ruído da queda da árvore seja percebido, basta a presença de um observador e não necessariamente de um “observador humano” e não: “a existência do mundo fenoménico só pode ser manifestada para um observador [consciente] humano”.
    Jamais afirmaríamos que “apenas o Homem tem consciência e autoconsciência. Equivaleria a dizer que o meu cão não tem consciência (no sentido de percepção) de minha existência.

    4) “a lei da gravidade é válida em qualquer local do universo, mesmo nos locais em que o ser humano, ainda hoje, desconheça a existência”.
    O ser humano aceita isto por inferência. Seria terminantemente impossível regiões desconhecidas de nosso universo (ou de possíveis outros) que algumas desta leis não se aplicassem? O conhecimento progressivo da realidade que nos cerca não é o que nos leva ao progresso científico?
    Na idade média seria feitiçaria colocar uma multidão dentro de uma caixa de algumas polegadas, ou um homem dentro de uma corda. A própria ciência veria isso como algo insano e cientificamente impossível. Sabemos como o progresso científico resolveu a questão: criou o telefone e a TV, sem que uma só lei natural precisasse ser alterada (talvez apenas a interpretação dela). Uma anomalia gravitacional aparentemente impossível de existir em alguma região de nosso universo, só é impossível porque nos baseamos na existência conhecida. Sobre o que não conhecemos, só podemos especular porque a base é o conhecido. Não deveríamos fazer afirmações deterministicas.
    Nos tornamos muito habilidosos em procura vida com base no carbono. Mas quem sabe não estamos deixando escapar por baixo de nossos narizes a vida a base de silício? Lembremos que a propulsão de Alcubierre e a dobra espacial, embora ainda teorias, só aparentemente contradizem alguns aspectos da Teoria da Relatividade para a limitação da velocidade da luz. Na verdade ambas as teorias não precisaram propor superar aquela velocidade. Elas propõem superar as mesmas distâncias que a teoria só mostra possível acima da velocidade da luz, com outras técnicas.

    Gostar

    Comentar por maxburkhardt2012 — Terça-feira, 2 Outubro 2012 @ 8:57 pm | Responder

    • ************

      1/ percepção dual = relação sujeito / objecto [independentemente do objecto ser “o outro”, ou não]

      2/ Dizer que “o som da árvore que cai na floresta só existe porque há um observador que ouve o som”, é a mesma coisa que dizer que “a lei da gravidade só se aplica no universo conhecido pelos telescópios”, partindo assim do princípio segundo o qual a lei da gravidade não se aplica a uma parte do universo que provavelmente ainda não é conhecida pelo ser humano.

      O ser humano sabe que não conhece o universo inteiro.

      Mas nem por isso o ser humano deixou de estabelecer o princípio científico da lei da gravidade que se aplica ao universo inteiro. Dizer que “a lei da gravidade só se aplica no universo detectado e conhecido pelos telescópios” é negar a ciência e as suas leis.

      Dizer que “não há ruído sem actividade de escutar”, é um absurdo: é a mesma coisa que dizer, por exemplo, que o planeta Plutão não existia antes de ser descoberto pelos telescópios humanos: o planeta Plutão sempre existiu independentemente de os seres humanos saberem da sua existência.

      O ruído de uma árvore que cai na floresta existe de uma forma objectiva por inferência e por dedução das leis da natureza, e independentemente de o escutarmos ou não.

      3/ a consciência existe a priori: é o X de Kant, ou a alma de Platão. A consciência surge quando alguém ou alguma coisa diz: “eu penso”. Este eu “eu penso” é o X da condição humana, segundo Kant.

      Immanuel Kant chamou à atenção para o facto de nós termos sempre de acrescentar um suplemento a todos os nossos pensamentos, independentemente daquilo que estamos a pensar: é a frase “eu penso”. Sem a consciência de que “sou eu que penso”, não existe qualquer pensamento que mereça esse nome. Sem a autoconsciência de que a consciência se pensa a si mesma, não é possível qualquer conteúdo dessa consciência.

      No “eu penso” do sujeito humano, todos os conteúdos da consciência estão ligados; o eu penso do humano é a condição lógica de qualquer pensamento — constitui o último ponto de referência lógico e o ponto de unidade de todo o conhecimento. Na linguagem de Kant: o “eu penso” é a condição da possibilidade do pensamento.

      Este “eu penso”, segundo Kant, é o “X” da consciência. Não é possível reconhecer objectivamente este X porque qualquer acto de pensamento o pressupõe (esse X existe a priori e antes de qualquer acto de pensamento): o X é anterior ao próprio pensamento — e por isso é que nenhum computador tem ou alguma vez terá este X.

      4/ Portanto, no seguimento do ponto anterior, a consciência existe a priori ou antes da experiência sujeito/objecto.

      5/ Segundo S. Tomás de Aquino, a principal diferença entre um ser humano e outro animal qualquer é a de que o ser humano é capaz de representar o objecto do seu desejo na ausência desse objecto e, portanto, o arbítrio do ser humano é livre — enquanto que um animal irracional não é capaz de o fazer e, portanto, o arbítrio de um animal irracional não é livre.

      Ora, na medida em que o arbítrio de um cão não é livre, não podemos dizer que “o cão tem consciência” senão em termos figurados ou por analogia. Uma ameba também tem uma noção básica do seu meio-ambiente, e consegue distinguir aquilo que lhe interessa daquilo que não lhe interessa, o que não significa que possamos dizer que “uma ameba tem consciência” senão por analogia

      6/ A inferência é o acto que consiste em admitir como verdadeira uma proposição que não é directamente conhecida como tal, e por referência a outras proposições verdadeiras com as quais está ligada. A inferência pode ser “racional” mas não enquanto “juízo lógico”: é “racional” no que diz respeito ao seu “conteúdo” — embora alguns lógicos admitam a existência formal (mediante juízo lógico) de inferências imediatas.

      ¿O que significa esta definição de “inferência”?

      Significa que, à lei da gravidade em concreto — que é do que estamos aqui a falar —, não se aplica o princípio do conhecimento por inferência, porque o conhecimento acerca da lei da gravidade é directo e deduzido de uma observação empírica.

      O princípio da inferência aplica-se a teorias que não decorrem, ou não são deduzidas, de observação empírica directa — por exemplo, a teoria do Multiverso, ou a teoria neodarwinista segundo a qual a vida emergiu da matéria inerte.

      A lei da gravidade é produto de indução seguida de dedução, e não de inferência.

      E mais: a física quântica já chegou à conclusão de que sem a força entrópica da gravidade não seria possível a formação da matéria (ou seja, a formação da massa material). Portanto, a ideia segundo a qual a lei da gravidade se aplica a todo o universo material e macroscópico — que tem massa — pode ser considerada como sendo verdadeira.

      Repare-se bem: estamos a falar aqui do mundo macroscópico, que é aquele que decorre da acção universal da força entrópica da gravidade.

      7/ O facto de conhecermos objectivamente e empiricamente apenas uma parte ínfima do universo, isso não significa que não possamos partir do princípio segundo o qual existem leis universais (Leibniz), ou seja, leis que se aplicam a todo o universo. Este facto (o de existirem leis universais) não tem necessariamente alguma coisa a ver com “especulação”: em vez disso, tem a ver com o exercício da consciência e da autoconsciência através da indução e dedução (lógica).

      8/ Não há nada de “determinístico” na minha intervenção: o que há, é objectividade. Hoje vivemos numa cultura subjectivista em que o mundo é visto “cada um à sua maneira”, que ganhou forma crescente a partir do Iluminismo e principalmente depois de David Hume, e depois teve o seu caminho através do idealismo alemão, desde Hegel até Nietzsche. Vivemos num mundo dominado menos pela razão do que pela emoção.

      9/ Sem a existência do carbono [que surge mediante o chamado “processo triplo alfa”, que é um fenómeno raro na natureza] não seria possível a criação da vida (dos organismos vivos).

      Gostar

      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 2 Outubro 2012 @ 10:23 pm | Responder

  4. Saudações, colegas.

    Abrimos duas frentes de discussão:

    1) O objeto que produz som, existe na ausência de um ouvinte? Se não há ouvinte o ruído faz som?
    2) A lei da gravidade é válida em qualquer região do universo?

    Sobre a questão da árvore, é oportuno informar que o enigma é um “Koan”.
    Koan é uma narrativa, diálogo, questão ou afirmação no Zen-Budismo que contém aspectos que são inacessíves à razão. O koan tem como objetivo propiciar a iluminação do aspirante a zen-budista. Um koan famoso é: “Batendo duas mãos uma na outra temos um som; qual é o som de uma mão?” (fonte: Wikpédia).

    O Koan é um processo que busca solução e que não se relaciona com o rigor científico (que é algo do intelecto), mas transpor as limitações do intelecto para solucionar o problema por meio do “insight”. Um outro exemplo de Koan, seria: “Como retirar um pato de dentro de um garrafão de vidro sem quebrá-lo” ?
    Resposta: “Pronto, saiu” !

    O Koan da árvore é um enígma que aqui está sendo tratado, por mim e pelo colega Braga de modo diverso para o qual foi criado originalmente. Uma idéia é que o fenômeno só é manifesto na natureza na presença de um observador. Do contrário, ele estará fora do campo da consciência e definitivamente imanifesto. Se há conhecimento que árvores fazem ruído ao cair, é porque isto já foi observado pelo menos uma vez – primeiro contato de uma entidade viva com o que chamamos de som, ou por várias vezes (exigência do processo investigativo científico). Porém, por mais que tenhamos observado quedas de árvores, não sabemos o que ocorre numa queda sem a presença de um observador. Trata-se de um enfoque abstracionista, místico-filosófico, com uma visão rigorosamente subjetiva da realidade.
    Na falta de designação melhor, poderia ser tratada mesmo como Solipsismo. Já o amigo Braga faz uma abordagem científica, por sinal, com muita competência.

    Quanto a generalização da Lei da Gravidade:

    Inferência, em Lógica é o ato ou processo de derivar conclusões lógicas de premissas conhecidas ou decididamente verdadeiras.
    É o processo pelo qual uma suposição é aceita como verdadeira ou provavelmente verdadeira de acordo com a força da verdade ou provável verdade de suas suposições. Na inferência demonstrativa , por um processo dedutivo, chega-se ao fato de que a verdade das premissas garante a verdade das conclusões.

    A Lei da Gravidade é um exemplo de hipótese científica – testável – e até o presente momento com valor lógico verdadeiro. Ela é testável por admitir os valores lógicos falso e verdadeiro e pode ser mostrada falsa por experimentos, bastando encontrar-se experimentalmente uma região onde não se verifique o que ela afirma. Como, contudo, até a presente data, esta não foi encontrada, esta é, até a presente data, para todos os efeitos, uma afirmação verdadeira.

    A metodologia indutivista supõe que se pode passar de uma série de enunciados singulares para um enunciado universal. Ou seja, que se pode passar de um “este é um cisne branco”, “ali está outro cisne branco”, e por aí em diante, para um enunciado universal como “todos os cisnes são brancos”. Este método é claramente inválido em lógica, uma vez que será sempre possível que exista um cisne não-branco que por algum motivo não tenha sido observado.

    A inferência não-demonstrativa parece ser mais uma forma de adivinhação adequadamente restringida do que um processo lógico.
    Mas, ao mesmo tempo, as únicas regras lógicas acessíveis espontaneamente à mente humana são as regras dedutivas que estão envolvidas na formação de hipóteses (embora não as governem totalmente) e podem estar envolvidas na confirmação de hipóteses, que consiste em um fenômeno cognitivo não-lógico; um subproduto da maneira como as suposições são processadas (dedutivamente ou não). Entendemos que, pela própria definição, inferência não-demonstrativa não pode se consistir em dedução.

    Karl Popper (Viena, 28 de Julho de 1902 — Londres, 17 de Setembro de 1994) , defendeu que a ciência não poderia ser baseada em tal inferência. Ele propôs a falseabilidade como a solução do problema da indução. Popper viu que apesar de um enunciado existencial singular como “este cisne é branco” não poder ser usado para afirmar um enunciado universal, ele pode ser usado para mostrar que um determinado enunciado universal é falso: a observação existencial singular de um cisne negro serve para mostrar que o enunciado universal “todos os cisnes são brancos” é falso. Em lógica chamamos a isto de modus tollens. A Falseabilidade é um importante elemento na filosofia da ciência.

    Uma teoria científica pode ser falsificada por uma única observação negativa, mas nenhuma quantidade de observações positivas poderá garantir que a veracidade de uma teoria científica seja eterna e imutável.

    O estado actual da ciência é sempre provisório. O Silício também tem valência 4 como o carbono, mas até agora não se encontrou substância semelhante às cadeias de carbono formadas de silício, o que não invalida a possibilidade.

    Ao encontrarmos uma teoria ainda não refutada pelos factos e pelas observações, devemos nos perguntar, será que é mesmo assim ? Ou será que posso demonstrar que ela é falsa ? Eisten é o melhor exemplo de um cientista que rompeu com as teorias da física estabelecidas.
    Não deveríamos apenas supormos resultado conhecido ao invés de aceitarmos como certo o resultado esperado?

    Quanto a vida ser possível em outras bases químicas:

    Devido à importância do carbono na vida como conhecemos, logo de cara é nele que nos baseamos para procurar vida fora da Terra. Entretanto, podemos procurar por uma base que não seja exatamente o carbono, mas sim um outro elemento que possua as mesmas características dele e assim possa dar sustentação à vida. Na verdade não podemos afirmar se e como outros elementos funcionariam como base da vida, mas podemos começar com aquilo que sabemos. Este elemento químico, além de ter propriedades semelhantes às do carbono tem de ser relativamente abundante.

    Na Terra, esse elemento é o silício. Fora o carbono ele é o único com capacidade de fazer 4 ligações químicas de uma vez. Mas as semelhanças ficam por aí. Estruturas baseadas em silício são extremamente difíceis de se formarem e se manterem. Finalmente, somado-se tantas dificuldades, evidências observacionais na própria Terra indicam que o carbono deve ter preferência: o silício é cerca de mil vezes mais abundante e ainda assim a vida se desenvolveu sobre o carbono.

    Mesmo assim, a descoberta aponta para a possibilidade de que a vida fora da Terra não necessariamente se baseia em moléculas à base de carbono. Além disso, pode-se agora cogitar de uma nova teoria para explicar como a vida surgiu aqui mesmo na Terra, com a participação de compostos que até agora não se imaginava poderem desempenhar um papel importante nesse processo. Os cientistas descobriram que, sob condições apropriadas, partículas de poeira inorgânica podem se organizar em estruturas helicoidais, à lá DNA. Essas estruturas helicoidais podem interagir entre si de formas que até agora só eram associadas com os compostos orgânicos e com a própria vida.

    Auto-organização molecular

    A experiência consistiu na observação do comportamento de uma complexa mistura de materiais inorgânicos no interior de um plasma. O plasma é essencialmente o quarto estado da matéria – além do sólido, líquido e gasoso – no qual os elétrons são arrancados dos átomos, deixando para trás uma nuvem de partículas carregadas.

    Até agora os cientistas acreditavam não haver praticamente nenhuma organização nessa nuvem de partículas. Mas a equipe do Dr. V.N. Tsytovich, da Academia de Ciências de Moscou, na Rússia, descobriu que essas partículas podem passar por um processo de auto-organização à medida em que as cargas eletrônicas se separam e o plasma se torna polarizado.

    DNA inorgânico

    O fenômeno resulta em fitas microscópicas de partículas sólidas que se torcem, assumindo o formato de um parafuso – uma estrutura helicoidal. Essas fitas helicoidais são elas próprias eletronicamente carregadas, o que faz com que se atraiam mutuamente.
    Mais do que simplesmente se grudarem, essa espécie de DNA inorgânico pode se dividir, ou bifurcar, para formar duas cópias da estrutura original. Até hoje, esse comportamento só era associado a moléculas biológicas, como o DNA e as proteínas.

    Matéria viva inorgânica

    “Essas estruturas de plasma complexas e auto-organizáveis apresentam todas as propriedades necessárias para se qualificarem como candidatas para uma matéria viva inorgânica,” diz Tsytovich. “Elas são autônomas, elas se reproduzem e elas evoluem.”
    O plasma não se forma apenas em condições especiais de laboratório. Ele está presente em inúmeras estruturas no espaço exterior. E está particularmente presente aqui mesmo na Terra, no ponto em que os relâmpagos atingem o solo.

    Fonte: From plasma crystals and helical structures towards inorganic living matter
    V. N. Tsytovich, G. E. Morfill, V. E. Fortov, N. G. Gusein-Zade, B. A. Klumov, S. V. Vladimirov
    New Journal of Physics – 14 August 2007, Vol.: 9 263
    DOI: 10.1088/1367-2630/9/8/263

    Numa revelação surpreendente, a cientista da NASA Felisa Wolfe Simon e seus colegas encontraram uma bactéria cujo DNA é completamente alienígena em relação ao que conhecemos hoje, funcionando de forma diferente de todos os outros organismos do planeta. O micróbio não tem Fósforo em seu DNA. A NASA não descobriu vida nas luas de Saturno, como se chegou a especular, mas antes uma bactéria que usa o venenoso Arsênio para construir seu DNA e sobrevive num lago na Califórnia. O micróbio chama-se GFAJ-1.

    A existência deste organismo para a NASA, expande o horizonte de busca por seres fora do planeta, uma vez que não se sabia até ao momento que o arsênio permitia o desenvolvimento de formas de vida.

    Pamela G. Conrad, astrobióloga do Centro Goddard, da NASA, disse em entrevista ao Terra que acredita que a descoberta dessa nova forma de vida, baseada em arsênio, indica que os seres vivos fora da Terra podem ser tão diferentes que poderemos nem reconhecê-los quando estudamos outros astros. Pamela questionada se conseguiria reconhecer um ser extraterrestre, afirma:

    “Acho que seremos capazes de reconhecer algo que não é material terrestre. Se a vida for tão diferente da encontrada na Terra ao ponto de não sabermos quais são as pistas que devemos procurar, podemos não reconhecê-la. Se pensarmos da maneira mais ampla possível sobre como a vida pode parecer e desconsiderarmos as observações de tudo que temos certeza de que não é vida, é possível que encontremos vida extraterrestre. Mas grande parte da Ciência é sorte, e temos que contar com isso também.”

    Pamela, além de astrobióloga, é mineralogista e estuda as moléculas e minerais estáveis da superfície de Marte para comparar a evolução primitiva do planeta vermelho com o nosso.

    Ela explica:

    “Queremos entender ambientes extremos por que na Terra temos uma variação de temperatura relativamente moderada, mas em Marte a variação é bem maior. O mesmo acontece em Titã (uma das luas de Saturno), onde é bem mais frio; cerca de -140° C. Logo, ao estudarmos outros lugares do Sistema Solar que apresentem condições bem mais extremas em temperatura, pressão ou composição química do que a Terra, precisamos entender como aquele lugar se desenvolveu de modo diferente e o que isso significa para uma possibilidade de existir vida em tal lugar.”

    Pamela prossegue: “É como dizer que estamos procurando por vida nos lugares errados e por meios errados. Isto é incrível! Agora nós poderemos procurar por vida baseada em Arsênio e outros elementos, e não mais limitada ao Fósforo”.

    Pesquisadores escoceses estão realizando uma investigação pioneira para criar vida a partir de químicos inorgânicos.
    Toda a vida na Terra é baseada na biologia orgânica (compostos de carbono), e o mundo inorgânico é considerado inanimado.

    Agora, uma equipe da Universidade de Glasgow tem demonstrado uma nova forma de fazer células químicas inorgânicas.
    O objetivo é criar células inorgânicas autorreplicantes que poderiam ser usadas na medicina e na química.

    A pesquisa é parte de um projeto para demonstrar que compostos químicos inorgânicos são capazes de autorreplicação e evolução, assim como os orgânicos, à base de carbono.

    Os cientistas acreditam que a criação de vida inorgânica é totalmente viável. A principal meta é a construção de células químicas complexas com propriedades que podem nos ajudar a entender como a vida surgiu, e também definir uma nova tecnologia baseada na evolução do mundo material, uma espécie de tecnologia da vida inorgânica.

    Se a pesquisa for bem sucedida, daria a ciência algumas ideias incríveis sobre a evolução e mostraria que não é apenas um processo biológico. Também significaria a prova de que a vida sem ser à base de carbono pode existir, redefinindo totalmente nossos conceitos.[Matéria na íntegra em http://www.bbc.co.uk/news/uk-scotland-glasgow-west-14880474%5D.

    Especialistas da NASA reuniram-se exigindo que houvesse maior investimento na pesquisa de vida extraterrena em formas diferentes daquelas que nós conhecemos — em especial, fugindo do preceito “a vida segue a água”.

    Talvez estejamos mesmo deixando escapar coisas por debaixo de nossos narizes!

    Assim, uma teoria geral da vida não é esperada para tão cedo.

    Para quem quiser ler mais alguma coisa sobre este tema, origem da vida, eu recomendo o excelente texto de

    Augusto Damineli link: http://www.scielo.br/pdf/ea/v21n59/a21v2159.pdf

    e Daniel Santa Cruz Damineli link: http://g1.globo.com/platb/observatoriog1/2012/09/

    Finalizando minha participação hoje, deixo um pensamento crendo ser apropriado ao momento. A autoria foge-me à memória:

    “O pensamento é mestre em criar evidências que não são nada além da vontade de aceitar evidências inadequadas para sustentar crenças inadequadamente evidenciadas”.

    Um abraço.

    Gostar

    Comentar por maxburkhardt2012 — Quinta-feira, 4 Outubro 2012 @ 7:40 pm | Responder

    • ***********

      1/

      a proposição / pergunta “¿se uma árvore cai na floresta, produz ruído?” seria um “enigma” de tipo Zen se não fosse possível uma resposta — ou uma solução do problema — de acordo com a lógica aristotélica. Vejamos “o silogismo de facto raciocinado”, segundo o princípio aristotélico do terceiro excluído, por exemplo:

      a/ todos os corpos vizinhos da Terra são corpos de brilho fixo;
      b/ todos os planetas do sistema solar são corpos vizinhos da Terra;

      → logo:

      c/ todos os planetas do sistema solar são corpos de brilho fixo.

      Embora o Sol fosse excluído do silogismo, isso não significa que as premissas e a conclusão não estejam correctas!

      Portanto, é sempre necessário que as premissas sejam verdadeiras, e esta exigência é uma das quatro “exigências extralógicas” de Aristóteles. As outras três exigências são:

      (I) que as premissas estejam correctas;
      (II) As premissas devem ser indemonstráveis [empiricamente], isto é, devem existir alguns princípios que não se podem deduzir de outros princípios mais básicos [empíricos]. Existem, assim, alguns princípios indemonstráveis que são necessários para que se evite um infinito retorno nas explanações [dedução]. Por isso, nem todo o conhecimento [científico] é passível de ser demonstrado empiricamente.
      (III) As premissas devem ser melhor conhecidas que a conclusão, isto é, não podemos adoptar uma lógica de raciocínio que parta do menos conhecido para o mais conhecido.
      (IV) As premissas devem ser as causas da atribuição feita na conclusão, isto é, a conclusão é o efeito que resulta das premissas.

      ******************************************************************************

      O facto de não ser empiricamente demonstrável que “uma árvore, quando cai na floresta e na ausência de um ouvinte, faz ruído”, não significa que essa premissa não possa ser considerada correcta quando inserida num silogismo lógico aristotélico (ver ponto II acima).

      a/ todas as árvores, quando caiem na floresta na presença de um ouvinte, fazem ruído;
      b/ o ruído é uma característica de todas as árvores que caem;

      → Logo:

      c/ todas as árvores, quando caem na floresta na ausência de um ouvinte, fazem ruído.

      2/

      O “enigma Zen” é caracterizado pela recusa do princípio do terceiro excluído de Aristóteles.

      Em boa verdade, em vez de “enigma Zen” deveria dizer-se “mistério Zen”, porque um enigma, por princípio, pode ser resolvido de acordo com a lógica, mas um mistério já não.

      Em vez do dilema aristotélico (“ou uma coisa, ou outra”), o “mistério Zen” entra pelo trilema e pelo tetralema, o que significa que que não tem solução lógica possível que permita um conhecimento objectivo e científico.

      3/

      quando dizemos que “uma árvore, quando cai na floresta na ausência de um observador, faz ruído”, estamos a laborar num pensamento científico. Dou um outro exemplo com a seguinte proposição:

      “O Sol vai nascer amanhã”

      Segundo o raciocínio do comentarista anterior, “só há conhecimento de que o Sol vai nascer amanhã porque alguém já observou o nascimento do Sol pelo menos uma vez”. “Porém” — diz ele — “por mais que tenhamos observado o nascimento do Sol, não sabemos se o Sol nasceria no planeta Terra se não existissem pessoas para ver o nascimento do Sol”.

      Ora, a ciência é baseada no conhecimento do passado (estatística), e por isso não pode — nem ninguém pode! — prever exactamente o futuro.

      Mas segundo cálculos matemáticos da astrofísica moderna, a possibilidade de acontecer um salto quântico que coloque o nosso planeta fora da órbita do nosso Sol é de 10^80 (1 seguido de 80 zeros), o que é considerado uma impossibilidade matemática. Ou seja: essa possibilidade é quase nula (a possibilidade é praticamente zero!).

      Portanto, em termos da lógica matemática, a possibilidade de o Sol nascer amanhã no planeta Terra, mesmo que não exista qualquer observador humano, é de praticamente 100%. !

      Ou seja: para o comentarista anterior, e segundo o seu raciocínio, se não existirem observadores para ver o Sol nascer, então o Sol não nasce. Estão a ver o absurdo da questão? Naturalmente que quem tem uma visão subjectivista da realidade, é ele.

      4/ quanto à parte do seu comentário acerca da lei da gravidade, não se acrescentou em nada ao que já tinha sido dito e concluído.

      Gostar

      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 4 Outubro 2012 @ 9:43 pm | Responder

  5. Saudações, meus caros.

    Soou-me estranho a afirmação do colega Braga no comentário anterior,: “Naturalmente que quem tem uma visão subjectivista da realidade, é ele”,
    O comentário que fiz anteriormente foi incorretamente interpretado como sendo destinado a sua pessoa. Eu mesmo afirmei ter encontrado-me fazendo uma análise subjetivista. Não o acusei em momento algum de ter adotado esta postura.

    O texto no qual comentei isto segue abaixo:

    “por mais que tenhamos observado quedas de árvores, não sabemos o que ocorre numa queda sem a presença de um observador. Trata-se de um enfoque abstracionista, místico-filosófico, com uma visão rigorosamente subjetiva da realidade.
    Na falta de designação melhor, poderia ser tratada mesmo como Solipsismo. Já o amigo Braga faz uma abordagem científica, por sinal, com muita competência”.

    Peço que releiam o parágrafo de meu último comentário e constatem que é exatamente o que está escrito lá.

    Desejo deixar claro que em momento algum apresentei-me como solepsista ou qualquer outra designação que terminam por rotular-nos e limitar-nos.
    Gosto de trocar idéias apesar de não ter formação filosófica e nem científica. Diria que estava a fazer papel do advogado do Diabo. Não apresentei idéias com a pretenção de impolas como verdade e sim na ânsia de aprender mais, exercitando uma discussão salutar (objetivo que creio, neste espaço, alcancei) mas desconfio do abrigo no porto das certezas.

    Karl Popper recebeu vários prémios e honras no seu campo, incluindo o prémio Lippincott da associação americana de ciência política. Tornou-se assistente (reader) de lógica e de método científico na London School of Economics e mais tarde tornou-se professor. Ele cunhou o termo “Racionalismo Crítico” para descrever a sua filosofia.

    Introduzi suas idéias na seção que tratamos de gravidade. Em momento algum reinvidiquei afirmações científicas sem prestar os merecidos créditos. Citações tiveram suas fontes informadas.

    Apresentei alternativa ao exercício do método científico tradicional, o qual o comentarista Braga é defensor. Mas o Racionalismo crítico tem seu lugar na Comunidade Científica Mundial e creio, merece respeito.

    O método apresentado defende uma abordagem sistematicamente oposta a apresentada pelo colega Braga e talvez o pensamento de Popper não seja conhecido por todos que estejam acompanhando nossos comentários. Acreditei na validade de sua apresentação aqui.

    Por outro lado, o mesmo método abre novos horizontes ao propor redefinição da visão do que seja vida e modos de buscá-la no cosmos.

    Creio ser infeliz a idéia de que “nada foi acrescentado ao comentário acerca da gravidade”.

    Abraço a todos.

    Gostar

    Comentar por maxburkhardt2012 — Sexta-feira, 5 Outubro 2012 @ 3:30 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.