perspectivas

Quinta-feira, 29 Abril 2010

O Euro e o bloco central em acção

Enquanto José Sócrates se preocupava com assuntos de lana caprina, como o casório dos seus amigos gays e a integração política de Portugal em Espanha através, nomeadamente, da construção do TGV, aquilo que era realmente importante para o país foi relegado para segundo plano ou simplesmente esquecido. O resultado da idiossincrasia política socratina viu-se agora através das reacções dos mercados internacionais nos últimos três dias, com reflexos na Bolsa de Lisboa. E depois assistimos todos àquela imagem televisiva caricata de Passos Coelho a sancionar a política socratina pedindo uma audiência a José Sócrates, quando deveria ser exactamente o contrário — competiria à responsabilidade de um primeiro-ministro a acção de mobilização de esforços e vontades. Ao ver aquelas duas figurinhas não pude deixar de me lembrar do Dupont e o Dupond do Tintin.


O Euro já deveria ter sofrido uma desvalorização por intervenção directa do banco central europeu, mas os valores privados da Alemanha impõem-se a toda a Europa, numa espécie de uma edição económica da política hitleriana do Lebensraum; actualmente, a ocupação do território não é demográfica, mas é económica. Os interesses privados de um só país (a Alemanha) condicionam as economias de pelo menos 20 países da zona Euro.

A não existir uma ajuda internacional à Grécia, a democracia neste país corre o risco de ir para o brejo. E mesmo com ajuda internacional, não sei como será possível ao governo grego sustentar cortes nos salários da função pública de cerca de 40%. Já imaginaram alguém ganhar 100, e de repente passar a ganhar 60 ? A instabilidade política e social na Grécia vai sofrer um agravamento com consequências imprevisíveis, e provavelmente algumas tentações totalitárias, antigas naquele país, voltarão a terreiro à espera da sua vez.


Ontem, o idiota do Basílio Horta veio dizer nos me®dia que era necessário o corte do subsídio de férias dos trabalhadores da função pública. Naturalmente que o idiota começa por aqui para depois defender, um pouco mais tarde, cortes nos próprios salários dos funcionários públicos. O significado disto é a defesa indirecta de cortes nos salários dos trabalhadores no sector privado e ainda uma maior flexibilização dos despedimentos — é aqui onde o idiota quer chegar. O ataque à função pública visa justificar a sanha contra o nível salarial, já de si muito baixo em relação à media europeia, no sector privado.

A corroborar esta tese está a alegria da CIP (confederação da indústria portuguesa) com o tecto máximo do subsídio de desemprego, imposto pelo governo socialista, de 75% do valor do último salário auferido, com a desculpa esfarrapada de que é necessário incentivar a inclusão dos desempregados no mercado de trabalho.

Quando notícias vindas ontem a lume prognosticam a possibilidade séria e real de chegarmos a uma taxa de desemprego na ordem dos 20% da população activa nos próximos dois ou três anos (estaremos então a importar desemprego de outros países das zona Euro) , é uma contradição que se queira incentivar o acesso ao mercado de trabalho por via da redução do subsídio de desemprego; mesmo que um desempregado licenciado pretenda voltar à vida activa, depara-se sempre com um aumento progressivo e sistemático da taxa de desemprego; e mesmo que esse desempregado licenciado tenha a sorte de conseguir trabalho, acaba por se conformar com o salário mínimo nacional ou coisa que o valha. Por isso é que a CIP está feliz; e quando a CIP fica feliz por coisas destas, o país não avança. É a merda dos patrões que temos, que acabam por dar razão aos radicais marxistas.

2 comentários »

  1. Isto irá mesmo até ao tutano. E quando «eles» virem que afinal estão a dar tiros nos pés, será tarde demais.

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    Comentar por Henrique — Quinta-feira, 29 Abril 2010 @ 4:30 pm | Responder

  2. […] encontrada aqui. […]

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    Pingback por Ao Lado, Por Cima, Por Baixo, Atrás, À Frente… Who Really Cares? « A Educação do meu Umbigo — Sexta-feira, 29 Outubro 2010 @ 4:46 pm | Responder


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