perspectivas

Quinta-feira, 11 Março 2010

Conservadorismo e a política (1)

O conservadorismo parte da moral para a política, enquanto que os movimentos políticos saídos do Iluminismo (as religiões políticas) partem da política para a moral. Esta inversão dos princípios é a principal causa da degradação da vida social e política da modernidade, porque ela é em si mesma alógica na medida em que inverte os factores da ordem natural das coisas (põe o carro à frente dos bois). O conservador pode até aceitar que se discuta a ética que determina a moral e, consequentemente, a política; o que ele não pode aceitar é que a acção política determine a moral, na medida em que desta fazem parte os valores que são anteriores à acção.

“Uma civilização começa pelo mito, e acaba na dúvida” ― E. M. Cioran

A tentativa libertária gnóstica de inverter a ordem natural das coisas, e de fazer dos axiomas meras consequências (efeitos) de princípios que não o são de facto sob o ponto de vista da lógica, decorre da racionalização iluminista que tenta separar os símbolos da experiência humana concreta.

“Logo que as civilizações se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…” ― Jean-Edern Hallier

Por exemplo, através da simples racionalização (ou “masturbação mental”), a teórica política libertária Hannah Arendt tentou convencer-se a si própria de que a liberdade tem uma causa exógena ao ser humano ― aquilo a que ela chamou de “princípios inspiradores”: a honra, a glória, o amor da igualdade, a distinção, a excelência, etc. Segundo este conceito de Arendt, a liberdade não depende da vontade (como definido por Duns Escoto) mas desse “princípio inspirador” que é exterior ao ser humano. Este é um exemplo de masturbação mental iluminista; Arendt confunde “vontade” com “desejo” e com “querer”, metendo tudo no mesmo saco em nome do desejo herético irreprimível e ansioso de contrariar a ortodoxia filosófica conservadora que se baseou em evidências recolhidas desde a Grécia Antiga. O homem moderno tem um desejo incontrolável de afirmar que o ser não é, de se negar a si mesmo ― o que revela uma doença mortal do ponto de vista da civilização.

Parte II : http://wp.me/p2jQx-49F

1 Comentário »

  1. O conservadorismo parte também do simples senso comum e da tradição. V. g. quem vê uma mãe a cuidar de um filho percebe que essa é a melhor forma que o filho tem para crescer. os iluminados na sociedade ocidental, na sua ânsia de engenharia social gostariam de criar infantários para criancinhas, nas quais fossem afastadas das influências da família, do padre (este sobretudo), das ideias partilhadas pelos os que os rodeiam (por exemplo uma natural aversão à homossexualidade), com vista a criar o homem perfeito: ou seja aquele que é vegetariano, não se cuida em termos higiénicos porque significa consumo de água e de produtos de limpeza molestadores da natureza, não pode ter filhos (quando muito adopta criancinhas dos países do 3 mundo – porque a ânsia suicida de acabar com os caucasianos – os causadores de todos os males universais – é outra pulsão), preferentemente deve ser rabeta, porque assim à partida não vai querer ter filhos e aqueles que adoptar rapidamente os vai pôr na alheta (sim porque cuidar de crianças em relação às quais não há um vínculo biológico é meio caminho andado para maus tratos e abusos).

    Para tal o iluminado vai invocar os maus tratos dos filhos biológicos por parte dos pais (o que sendo uma ínfima minoria é elevado à categoria de regra comum), vai invocar os abusos sexuais de padres sobre crianças (o que sendo uma excepção e resultado de padres que são homossexuais e não deveriam estar a exercer, com culpas para diversas hierarquias – lembro-me do famoso panasca do Padre Frederico, é elevado à categoria de regra total), vai invocar que as pessoas comuns estão mal informadas sobre a homossexualidade e que resultam de preconceitos transmitidos pela família e pela religião.

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    Comentar por manuel cortes — Sexta-feira, 12 Março 2010 @ 11:14 am | Responder


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