perspectivas

Terça-feira, 9 Março 2010

O cair na realidade

Hoje ouvi Ana Gomes na Antena 1, cerca das 8:50 horas. Depois de ter lido este artigo de Mário Soares em que ele escreve “que Portugal não deve obedecer cegamente às ordens ‘economicistas’ do Banco Central Europeu” e em que diz “cobras e lagartos” da actual União Europeia, eu, como todo o cidadão português com o mínimo de dois dedos de testa, pergunto-me onde estão os europeístas e federalistas europeus deste país. Afinal, em que ficamos ? Não era Bruxelas o “Sol da Europa” ? Quem ouvisse hoje Ana Gomes a falar sobre a União Europeia e não lhe reconhecesse a voz inconfundível, pensaria que estaria a ouvir uma militante do PNR. Quem lê o que Mário Soares escreve no artigo citado, fica com a ideia da reacção de um militante comunista ortodoxo depois da queda do muro de Berlim.

Mário Soares

Porém, no fim do artigo, Mário Soares teima na sua interpretação delirante da realidade. Não se trata de senilidade; ele sempre foi assim. Segundo a utopia, a estrutura fundamental da realidade pode e deve ser modificada através da mudança da essência do ser humano; não a dele porque ele é um iluminado, mas a dos outros. E quando o futuro não prognostica o oráculo da inexorável evolução progressista rumo a um paraíso na terra ― futuro esse que é tão certo como o presente e o passado desconstruído ―, a culpa não é da utopia mas dos homens que não compreendem os desígnios da sabedoria gnóstica saída da mente revolucionária dos iluminados.

Os portugueses caíram na realidade e só têm agora que afastar os fantasmas do passado recente. E esse exorcismo passa por “mudar de agulha” e passarmos a contar um pouco mais connosco próprios, em vez de estarmos à espera do paraíso na terra que virá do futuro e da imaginação delirante da esquerda. A diferença entre Mário Soares e Louçã não é tão grande como se possa pensar.

A situação moral da política portuguesa é tão indigente que pessoas como Mário Soares são consideradas como membros da auctoritas ― da “autoridade” que deveria ser independente e até separada do poder político ― quando na verdade, a promiscuidade entre a auctoritas e o poder político é total. Cum potestas in populo auctoritas in senatu sit (Cícero) ― “o poder está no povo, a autoridade no Senado”. E quando vemos um pretenso membro do senado da nossa sociedade a defender, quase até à irracionalidade, um político que é no mínimo controverso (como é José Sócrates), constatamos o grau de decomposição moral e da autoridade a que chegou o nosso país.

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