perspectivas

Segunda-feira, 8 Março 2010

Aguiar Branco é o único candidato válido à presidência do PSD

A ruptura com o movimento revolucionário não pode ser feita com os mesmos métodos utilizados pelo movimento revolucionário, assim como a ruptura com a violência não pode ser feita utilizando a violência. Assim como a violência gera violência, a aplicação dos métodos próprios da mente revolucionária desemboca na justificação dos métodos revolucionários como meios legítimos de acção política. Em política, não se aplica a frase segundo a qual “se deve tratar a doença do cão com o pêlo do mesmo cão”, a não ser que que se queira apenas substituir uma maleita política por outra. E neste caso, maleita por maleita, a ordem dos factores torna-se arbitrária (ou rotativa; tanto faz votar num como no outro).

José Pedro Aguiar Branco

José Pacheco Pereira assume aqui algumas conclusões que não me parecem correctas. A “forte mobilização popular” e a “opinião pública” depois do 25 Abril de 1974 contra o movimento revolucionário, teve como condição primeira a discordância popular ― difusa, mas discordância ― em relação a esse mesmo movimento revolucionário. Pacheco Pereira atribui, pelo contrário, a causa (pelo menos, parcial) dessa mobilização popular à acção do PPD/PSD, quando na realidade o PSD apenas se limitou a utilizar essa discordância popular pré-existente, na sua acção política. A discordância popular difusa, silenciosa, era anterior à acção política do PSD naquele período; esta dependeu daquela.

Não se aplica aqui o sofisma do “ovo e da galinha”: eu vivi esse tempo e sei que o PSD foi a reboque da discordância popular que se baseou na prevalência do senso-comum; sei como os revolucionários das campanhas de informação foram corridos à bastonada das aldeias de Trás-os-montes por populares que não faziam uma ideia muito clara do que era o PSD ou o CDS.

Sendo Cavaco Silva a antítese de Paulo Rangel, na personalidade, no estilo e no discurso, e se Paulo Rangel é assumidamente um candidato da ruptura, não sei como podemos sustentar a ideia de que Cavaco Silva tenha sido intencionalmente um candidato de ruptura, a não ser que se parta de um princípio heracliteano da junção dos opostos. Uma coisa é a esquerda ter considerado Cavaco Silva como um agente político de uma ruptura; outra coisa é Cavaco Silva ter assumido ele próprio essa intenção. A mim não me interessa o que dizem de mim os meus adversários políticos; interessa-me antes aquilo que penso de mim e a forma como interpreto a minha acção política. Sinceramente não vejo nenhuma semelhança entre o caso de Cavaco Silva e o de Paulo Rangel; uma eventual ruptura com o status quo por parte de Cavaco Silva decorreu da sua acção política no concreto, e não de uma intencionalidade de ruptura anunciada previamente com tiques revolucionários.

Por outro lado, Cavaco Silva uniu o partido (PSD) logo na decorrência do congresso da Figueira da Foz; mais uma razão para não o considerar um candidato de ruptura. O discurso de “ruptura” de Paulo Rangel é um discurso de esquerda ― tipicamente um discurso revolucionário. Eu sei que o discurso de ruptura mexe com a idiossincrasia de Pacheco Pereira, porque nunca o homem se pode separar das suas circunstâncias. Porém, o que o JPP não pode fazer é ver coisas onde elas não existem.

Em resumo: o candidato da unidade do PPD/PSD é Aguiar Branco ― para além de ser um candidato não-populista, sério, capaz, sem alardes e tiques revolucionários, tal qual Cavaco Silva o foi um dia.

3 comentários »

  1. Eu receio o pior, e acredito que tenhas razão quanto ao Aguiar Branco, mas se não for para lá o sintético já não é nada mau. Vinda do JPP, a recomendação já me põe de pé atrás. E o que dizes dos tiques esquerdeiros é bem verdade.

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    Comentar por Henrique — Segunda-feira, 8 Março 2010 @ 11:00 pm | Responder

  2. Normalmente voto no PP porque me irrita enormemente a falta de tomates dos políticos portugueses em se assumirem de direita (o que também acontece no próprio PP, em que vêm sempre uns patetas a consideram-se de centro direita, assim como aquela mentecapta da Teresa Caeiro, que vem com as teses peregrinas de conceitos de esquerda e direita não fazem sentido …, enfim), mas obviamente que para um espaço politico de direita em Portugal ascender ao poder, o PSD é a chave.

    Eu pessoalmente, como pai de família de 6 filhos e a caminho do sétimo, que me mato a trabalhar, acho que a politica precisa de bonnus paters families, ou seja pessoas normais, com vida familiar – ou seja casado e com filhos – que nos conduzam de forma razoável e com senso comum. Farto de iluminados e salvadores da pátria estou eu que apagam tudo à sua volta e criaram uma seita de corruptos profissionais, a começar, na direita, no Cavaco e a acabar o misógino (no mínimo) Paulinho das feiras. Só que infelizmente a politica atrai os perversos e patetas – v.g. Pinto de Sousa, tb Portas – os iluminados e justiceiros – Louçã – os políticos profissionais – Passos Coelho – etc etc.
    Ou seja, que me lembre de memória e sem querer ser moralista, o único cidadão normal, apesar de tudo e da sociedade de rupturas em que vivemos, é o Aguiar Branco. Casado, pai de 5 filhos, com profissão própria e sem precisar da politica para nada.
    Estou farto de golpes de asa do tipo do Rangel, que diz uma coisa e depois – claramente traindo alguém que estava na sua diapasão e que se soubesse que ele iria entrar, talvez não tivesse avançado – avança com um discurso feito pelos consultores, de ruptura ad nauseum.
    Mas isto revela bem o que a sociedade portuguesa feita de gente que está sempre à espera de um líder, quando quem faz pela vida de cada um é o próprio. Um bom líder é aquele que cria condições para se poder trabalhar em paz, sem se passar a vida a pagar impostos e coimas.
    Com isto não quero dizer que os políticos são todos uns aldrabões (que o são na sua maioria) nem que isto só lá vai com Salazares (que não vai e só agrava). Precisamos de pessoas adultas e bem formadas e não de actores que se pelam pela adrenalina do combate politico, esquecendo o real. Por isso parece-me que o Aguiar Branco é a pessoa adequada.

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    Comentar por manuel cortes — Terça-feira, 9 Março 2010 @ 6:55 pm | Responder

  3. […] Coelho se tornou líder do Partido Social Democrata, convidaram-me para ser militante do partido e recusei o convite. Não nego que eu tinha, naquela altura, um preconceito contra Passos Coelho; mas não imaginava […]

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    Pingback por Esclarecendo umas “bocas” « perspectivas — Sexta-feira, 25 Janeiro 2013 @ 12:43 pm | Responder


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