perspectivas

Sábado, 27 Fevereiro 2010

A bíblia dos psiquiatras

No seguimento do postal anterior, há que contar a estória da evolução da APA (Associação Americana de Psiquiatria) desde meados dos anos 60 do século passado, para entendermos como é que possível que a ciência seja manipulada pela política com consequências catastróficas para a sociedade. A APA publica regularmente desde 1952, uma espécie de manual das doenças mentais, que tem a designação genérica de DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).

O DSM é a bíblia dos psiquiatras. Se na próxima edição do DSM que está prevista sair lá para 2012, a APA decidir que a pedofilia é uma virtude e não uma doença mental, vamos ter o Dr. Machado Vaz a defender as virtudes da pedofilia na Antena 1 da RDP (ou, em alternativa, passa à reforma).

Isto parece humor negro mas não é: em 1994, a APA publicou a quarta edição do DSM e decidiu que um determinado número de parafilias (comportamentos desviantes) deveriam ser retiradas da categoria de “parafilias”, e classificadas de “comportamentos desviantes” somente em caso de causarem alarme social ― ou seja, a quarta edição do DSM previa que a pedofilia, o exibicionismo, a necrofilia, a bestialidade, entre outras parafilias, só deveriam ser consideradas como doenças mentais se quem tivesse esse comportamento fosse “apanhado com a boca na botija” através de uma denúncia. Ora, uma doença mental não depende do facto de a pessoa que a tem ser apanhada ou não no acto desviante. Em consequência da edição de 1994 da DSM, a sociedade americana mobilizou-se e o assunto chegou ao senado dos EUA, e a APA foi obrigada a reescrever a sua bíblia.

Em 2000, a APA editou uma versão revista do DSM (DSM-IV-TR) em que a pedofilia foi mantida como doença mental. No entanto, esta edição da APA excluiu o sexo com animais do rol das doenças mentais ― “comer” uma jumenta ou uma cabra, segundo a APA, é coisa normalíssima. Segundo o argumento da APA, quando o consentimento não é necessário ― como é o caso do sexo com animais (bestialidade) ou o sexo com pessoas mortas (necrofilia) ― ou quando o consentimento é dado, como no caso do sado-masoquismo, esses comportamentos sexuais são normais. Portanto, segundo a bíblia da Associação Americana de Psiquiatria (a mesma que retirou a homossexualidade do rol das doenças mentais em 1973), comer uma cadela ou uma mula, entrar numa capela mortuária e fornicar uma pessoa morta na noite do velório, ou ter práticas sado-masoquistas, são coisas das mais normais do mundo.

O senso-comum chega a uma conclusão: a APA é, em primeiro lugar, um antro de malucos que se dedica a absolver e a justificar outros malucos. Por isso é que a homossexualidade foi retirada da lista das doenças mentais: nenhum maluco gosta de ser considerado como maluco.

O comportamento dos mentores da APA revela que a doença mental passou a ser um mito. Já não há malucos como existiam antes do assalto gay à APA a partir de 1967, que relatarei mais adiante. Pelo contrário, a existirem doidos, eles são hoje as pessoas que não têm comportamentos sexuais desviantes. As pessoas normais são consideradas “suspeitas” pela psiquiatria moderna: um indivíduo que não fornica a cadela ou a jumenta, que não “monta” cadáveres, que não toma no cu, etc., é “suspeito” porque certamente algo de muito errado se passa com ele; provavelmente é “intolerante”, ou guloso, ou comprador compulsivo. Segundo a psiquiatria moderna, uma pessoa normal tem que ser maluca.

Informações do interior da APA revelam que a edição de 2012 da bíblia dos psiquiatras incluirá os gordos como doentes mentais. Vejam só o absurdo: segundo a APA, um gay gordo (como, por exemplo, o José Carlos Malato) não é doente mental porque toma no cu ou porque eventualmente se engaje em comportamentos sado-masoquistas, mas é maluco porque é gordo…!
A “intolerância” também passará a ser uma doença mental: quem não aceitar os excessos comportamentais dos outros, passa a ser maluco. O mesmo se passa com os compradores compulsivos: passam a ser considerados doentes mentais pela APA; mas um indivíduo que se deixa chicotear com violência, gemendo de prazer, já é uma pessoa absolutamente normal! Em vez de servir a ciência, os “cientistas” da APA legitimaram algumas práticas sociais desviantes em função de pressões políticas.

É esta Associação Americana de Psiquiatria que dita quem é oficialmente maluco e quem não é. Depois do assalto violento do movimento gay americano às estruturas da APA a partir de 1967 ― que incluíram actos de violência por parte dos psiquiatras gayzistas, como o encerramento violento e compulsivo do congresso da APA de 1970.

Em 1963, a academia de medicina de Nova Iorque (New York Academy of Medicine) publicou um relatório em que consta o seguinte trecho:

“A homossexualidade é uma doença mental. Os homossexuais são indivíduos com distúrbios emocionais que não adquiriram a capacidade normal de desenvolver relações heterossexuais satisfatórias”.

Mas em 1970, a facção gayzista da APA argumenta que a Associação Americana de Psiquiatria deve mudar a sua posição sobre a homossexualidade porque ela representa “a psiquiatria como uma instituição social” (sic) “em vez de ser um corpo exclusivamente científico”.

Temos aqui a evidência da política a condicionar a ciência. Constatamos que o gayzismo nasceu de um movimento político que atacou a ciência no seu âmago. No entanto, e como escrevi no postal anterior, todos sabemos que a ciência é descritiva, e não prescritiva. As prescrições nascem de valores, e não de factos. A retirada da homossexualidade do rol das doenças mentais, por parte da APA, foi um acto de prescrição, e constitui um atentado contra a ciência.

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10 comentários »

  1. Voces querem que eu diga o que?sobre este absurdo.

    Eu sempre achei que eu tinha algum problema mental ,agora ta confirmado:
    EU SOU NORMAL -:(

    Comentar por Mendigão — Domingo, 28 Fevereiro 2010 @ 11:15 pm | Responder

  2. Sabes que um das características importantes da doença mental é o seu contexto social.

    Por exemplo: quando os três pastorinhos em Fátima afirmaram ver a Nossa Senhora naquele contexto era aceite ver-se a mãe de Deus. Seria estranho verem Fátima a filha do Profeta ou Gamesh. Aí já poderiamos falar doença mental.

    Se três meninos indianos vissem a Nossa Senhora já era doença mental.

    O contexto social é importante. Os transes hipnóticos experimentados na Macumba e noutras práticas é considerada normal nessas culturas.

    Actualmente a ética é focada na pessoa humana. Isto é os valores são centrados no homem e não dedutíveis – de acordo com uma interpretação mais ou menos ao gosto pessoal – do Alcorão, dos livros sagrados dos Vedas ou da Bíblia(nas suas diversas traduções e interpretações)

    Claro que ética e moral não são assuntos simples. Tem de ser sempre contextualizados e ter em consideração a época e a sociedade a que nos referimos.

    Dizer que a pessoa x é boa ou má, que tem comportamentos imorais ou não ou mesmo que é tolinho da Silva depende da época.

    Um cientista, como Newton, que se dedicasse à astrologia e à Alquimia perdria um pouco – ou muito – da sua credibilidade académica.

    Uma pessoa actualmente que não seja fortemente contra a escravatura ou que a regulamente é considerada má. Em tempos passados não foi assim.

    Certamente a legislação que aparece em Números e Leviticos era, à época, vista como justa e boa. Actualmente seria um código iníquo e vista como muito má.

    Ou seja os valores vão evoluindo com o tempo e com as sociedades. Na minha opinião num sentido mais justo e mais humano embora pontualmente possa haver, como já houve, retrocessos.

    Comentar por Joao Melo De Sousa — Segunda-feira, 27 Dezembro 2010 @ 7:10 pm | Responder

    • João,

      Você não sabe o que está a dizer. O fenómeno de Fátima foi testemunhado presencialmente por dezenas de milhares de pessoas, e não só pelos três pastorinhos. A haver uma explicação científica, teria que ser diferente da sua.

      Não existe nenhum caso de macumba que envolva 70 mil pessoas em transe simultâneo. Se você souber de um caso assim, informe-me por favor.

      Naturalmente que as manifestações metafisicas são sempre interpretadas segundo a cultura própria onde elas ocorrem. Mas pelo facto de cada cultura interpretar as manifestações metafisicas à sua maneira, isso não pode colocar em causa as manifestações metafisicas em si mesmas. Seria absurdo que assim não fosse.

      A ideia de que ética é exclusivamente focada na pessoa humana, significa que a vida humana tem o seu valor exclusivo em si mesma e, por isso, o sentido da vida obedece a uma lógica do ciclo do carbono e a um estatuto lógico de um peido. Qualquer animal irracional subscreveria a sua tese do sentido da vida com o estatuto lógico de um peido.

      Existem verdades intemporais, e por isso é que são verdades. Existem valores éticos que são intemporais. O facto de você dizer que essas verdades não existem, não altera em nada o facto de essas verdades existirem. Você está enganado e o problema é principalmente seu.

      O seu argumento acerca da normalidade do ser humano depender da época, aproxima-se do argumento nazi.

      Sobre Newton, você escolheu um péssimo exemplo, o que demonstra que você sabe pouco da matéria. Newton era de tal forma religioso, que atribuiu aos campos gravitacionais uma causa mística e religiosa.

      Sobre a escravatura, você não sabe o que diz. Muita gente sempre foi contra a escravatura e lutou contra ela no tempo dela, por exemplo, os jesuítas. Além disso, hoje existem outras formas de escravatura mais sofisticadas, e portanto dizer que a escravatura acabou é um sofisma.

      A sua ideia de um progresso histórico e linear, para além de anedótica, é primária, porque qualquer filosofo reconhece que você está errado. Não existe um progresso histórico e linear, embora nos dê a ilusão de que exista. Leia Edgar Morin. Leia livros, e depois venha aqui discutir comigo.

      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 27 Dezembro 2010 @ 11:35 pm | Responder

  3. Como homossexual estou pouco ou nada interessado como a ATA e o O.B. me classificam, catalogam ou diognosticam, o que me preocupa e muito é se me querem modificar, tratar ou punir.
    A ATA como está pejada de gays, talvez nos próximos tempos não concorra para me perseguirem, mas crâneos como o O.B. adorariam uma demanda nesse sentido.

    Comentar por José Barreiros — Terça-feira, 28 Dezembro 2010 @ 6:52 pm | Responder

    • Zé Barreiros: você começa por dizer:

      “estou pouco ou nada interessado como a ATA e o O.B. me classificam, catalogam”

      E depois, continua:

      “talvez nos próximos tempos não concorra para me perseguirem, mas crâneos como o O.B. adorariam uma demanda nesse sentido”

      O José não se preocupa como o classificam, mas já se preocupa em classificar os outros.

      Só um estúpido pode ser contra o homossexual como pessoa. Aliás: só um homossexual é capaz de maltratar um homossexual, e isto por razões idiossincráticas.

      A minha preocupação não se prende com a condição humana do homossexual : antes prende-se com uma determinada ideologia que tem uma determinada agenda política. E essa ideologia é altamente destrutiva. Portanto, não devemos confundir a condição homossexual com o gayzismo. Eu não confundo as duas coisas (seria como confundir os alemães com o nazismo).

      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 28 Dezembro 2010 @ 7:18 pm | Responder

  4. Vejam só o absurdo: segundo a APA, um gay gordo (como, por exemplo, o José Carlos Malato) não é doente mental porque toma no cu ou porque eventualmente se engaje em comportamentos sado-masoquistas, mas é maluco porque é gordo…!

    LOL 😀

    Comentar por | — Quinta-feira, 3 Fevereiro 2011 @ 5:47 pm | Responder

  5. […] opinião pública” no sentido não só da retirada da pedofilia da lista das doenças mentais — ver artigo neste blogue sobre a nova edição da DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), emitido pela […]

    Pingback por A sexualização da criança avança com o “progresso da opinião pública” « perspectivas — Quarta-feira, 24 Agosto 2011 @ 6:55 pm | Responder

  6. […] and Statistical Manual of Mental Disorders) da APA (Associação Americana de Psicologia), retirou a pedofilia do rol das doenças mentais “caso não exista alarme social” resultante da a…. E se um pedófilo não é considerado maluco pela psiquiatria, então também tem direito à sua […]

    Pingback por O bem comum e a vida boa « perspectivas — Sexta-feira, 17 Agosto 2012 @ 8:28 pm | Responder

  7. […] Perante protestos de várias áreas da sociedade americana, a APA (Associação Americana de Psiquiatria) foi pressionada a manter a pedofilia como doença mental (parafilia); mas passou a considerar a pedofilia como uma “orientação sexual”. […]

    Pingback por A pedofilia e os sofismas politicamente correctos | Bordoadas — Sábado, 14 Março 2015 @ 7:50 pm | Responder

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