perspectivas

Terça-feira, 23 Fevereiro 2010

O comissário político socialista na Ordem dos Advogados

Quando o advogado Marinho Pinto (doutores são os médicos, e contra mim falo) chegou a bastonário da Ordem dos Advogados (OA), confesso que não obstante as fortes críticas internas provenientes das distritais da OA, eu tive alguma simpatia pelo seu discurso porque ele me parecia ser bastamente independente do poder político e até do poder judicial instituído. Enganei-me.

Na edição do Jornal de Notícias de domingo passado, Marinho Pinto escreveu uma crónica (que Mário Crespo já não pode escrever naquele jornal) com o título “Bufaria”, e que denota o tipo de argumentação que o partido socialista resolveu adoptar para escamotear os factos das escutas telefónicas do processo “Face Oculta” ― e que o próprio advogado socialista Almeida Santos (outro que não é médico, e portanto não é doutor) revelou ontem na RTP1 no programa da Fátima Campos Ferreira, ser a estratégia da fuga para a frente socialista: a tese é a seguinte: « a única coisa que as escutas telefónicas do processo “face oculta” revelaram, é que existem hoje “bufos à moda da PIDE”, e o poder executivo (o governo) é vítima da nova PIDE.»

Escreve Marinho Pinto:

“Os bufos são os informadores privilegiados dessa nova polícia de costumes em que se transformaram certos órgãos de informação de Lisboa.”

Sobre José Sócrates no caso Mário Crespo, escreve Marinho Pinto:

“Uma conversa privada do primeiro-ministro, num restaurante, sobre um jornalista que há anos o critica publicamente, é prontamente denunciada ao visado que logo tenta criar um escândalo político. ”

Convém que alguém diga ao cidadão Marinho Pinto que um primeiro-ministro não pode ser uma espécie de arruaceiro ou especialista em bullying político. Existe no partido socialista actual a ideia de que um indivíduo que veio da merda e que chegou ao topo da hierarquia social, tem todo o direito de proceder discricionariamente. O primeiro-ministro não pode estar num restaurante, que é um sítio público, a falar alto para que toda a gente nas mesas circundantes o possa ouvir, e criticando este ou aquele jornalista. Simplesmente não pode !

Escreve Marinho Pinto:

“Não falar ao telefone é hoje um gesto tão prudente como o era no tempo da ditadura.”

Ora aqui está a fuga para a frente: “estamos num tempo da ditadura, só que a ditadura não é protagonizada pelo poder executivo, como seria normal. O poder executivo socialista é a vítima da ditadura que tem uma origem obscura, cabalística e incognoscível.” O partido socialista, na voz de Marinho Pinto, esquece-se de que “quem não deve não teme”, porque como tem muito que temer, faz de conta que não deve.

Depois de todos os factos que demonstram com toda a evidência ter existido um plano gizado a nível superior dentro do governo do partido socialista para, no mínimo, condicionar a liberdade de informação em Portugal, vem este senhor dizer que, a existir uma nova PIDE, ela é certamente exógena ao poder executivo. Marinho Pinto já perdeu a vergonha.

4 comentários »

  1. Eu próprio enquanto advogado já escrevi, salvo o erro em Abril do ano passado, ao bastonário na sequência de usar a revista da ordem dos advogados para defender o palhaço môr, a dizer-lhe que o respeito que lhe tinha por de alguma forma (com muito populismo e demagogia à mistura) afrontar bastantes interesses na advocacia se ter esvaído por este invocar uma pretensa tese de encobrimento do palhaço môr, que se existia então que o seu advogado (por sinal uma figura meio cinzenta (e certamente de avental) que dá pelo nome de Proença de Carvalho) que o defendesse.

    Valha a verdade que o bastonário me respondeu, mas com um argumento formal, para o qual me estou nas tintas quando se tratam de políticos envolvidos em questão politicas. Diferente seria por exemplo escutarmos uma conversa entre o palhaço môr e o infante, aí nada temos a ver.

    Agora o advogado Marinho Pinto não só perdeu a vergonha como é um grandessíssimo palhaço. Toma partido constante pelo pobre Pinto de Sousa, coitadinho nunca fez nada, se os primos e os tios, os amigos e os camaradas de partido invocam o seu pobre nome, ele não sabe de nada …mas também não faz julgamentos de carácter aos tios, primos e amigos e depois temos aquela aventesma do bastonário a grunhir aqui d´el rei, invocando o sagrado segredo de justiça para se encobrir e não se verificar a verdade, nomeadamente o papel do Pinto Monteiro e do Nascimento Rodrigues nesta opacidade tentacular.

    Impressionante a forma como esta gentalha tem o freio nos dentes e tenta, mais formalistas que nunca – como por exemplo o sinistro Almeida Santos ontem nos prós e contras – condicionar a nossa forma de pensar, mas ao mesmo tempo completamente fora da realidade ou do senso comum.

    Seria muitíssimo útil para o Portugal acabar com a pior escumalha que existe neste país há mais de 200 anos, a saber a maçonaria e que tem estado de forma permanente a dar cabo de nós em proveito próprio, mas para isso muitíssima gente de muitos partidos a começar no PP e aumentando significativamente no PSD e engordando brutalmente no PS, teria de ser expulsa.

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    Comentar por manuel cortes — Terça-feira, 23 Fevereiro 2010 @ 1:01 pm | Responder

  2. «Diferente seria por exemplo escutarmos uma conversa entre o palhaço môr e o infante, aí nada temos a ver.»

    Exactamente. A vida privada de uma figura pública detentora de um cargo político é condicionada pelo interesse público. Um primeiro-ministro não é um cidadão qualquer.

    o papel do Pinto Monteiro e do Nascimento Rodrigues

    Provavelmente seria Noronha do Nascimento, e não Nascimento Rodrigues.

    Impressionante a forma como esta gentalha tem o freio nos dentes e tenta, mais formalistas que nunca – como por exemplo o sinistro Almeida Santos ontem nos prós e contras – condicionar a nossa forma de pensar, mas ao mesmo tempo completamente fora da realidade ou do senso comum.

    Trata-se de um delírio interpretativo.

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    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 23 Fevereiro 2010 @ 3:16 pm | Responder

  3. Provavelmente seria Noronha do Nascimento, e não Nascimento Rodrigues.

    Tem toda a razão, lapso claro, se bem que o pobre do Nascimento Rodrigues, que foi a figura do Provedor de Justiça que se queria ir embora e a assembleia não deixava por pura guerrilha partidária à portuguesa, na qual o PS mais uma vez estava a procurar alcançar um cargo na sua forma tentacular de actuar.

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    Comentar por manuel cortes — Terça-feira, 23 Fevereiro 2010 @ 7:28 pm | Responder

  4. Doutores são os Doutores, Mestres são os Mestres, os demais são licenciados, uns com, outros sem pós-graduações. Os médicos serão “Doutores”, a ver se me entende, tal como são “Doutores” os advogados, antipedagogia que é praticada logo no acto de “chamada” nas átrios dos tribunais.

    Saúdo a sua ressalva, mas, p.f., não se fique por aí porque os excessos de Doutorite e de Engenheirite são um dos elementos da base da corruopção, são a sua “betonilha”, se permitir a metáfora.

    Cu8mprimentos, V. Oliveira

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    Comentar por I Avileiro — Quarta-feira, 22 Junho 2011 @ 12:26 pm | Responder


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