perspectivas

Quinta-feira, 18 Fevereiro 2010

A irracionalidade de Pinto Monteiro

Filed under: ética,josé sócrates,Justiça,Política — O. Braga @ 8:16 pm
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« No mesmo despacho de arquivamento, adiantou hoje a mesma fonte à agência Lusa, o procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, refere que das escutas telefónicas feitas no âmbito do processo Face Oculta não resulta sequer que o primeiro-ministro, José Sócrates, tenha proposto, sugerido ou apoiado a compra pela PT de parte do capital da PRISA [que detém a TVI], tal como não se mostram claras as circunstâncias em que teve conhecimento do alegado negócio.

Pelo contrário, o PGR considera que nas escutas há informação de descontentamento do primeiro-ministro, resultante de não terem falado com ele acerca da alegada operação. »

― respigado aqui.


Num primeiro momento, Pinto Monteiro quer fazer transparecer para a opinião pública que não faz juízos de valor sobre os factos e indícios apurados nas escutas telefónicas, ou seja, pretende dar a ideia que é “objectivo” na sua análise dos factos decorrentes das escutas. Num segundo momento, e imediatamente a seguir, Pinto Monteiro tece considerações subjectivas decorrentes dos factos apurados.

Pinto Monteiro quer ser “objectivo” quando lhe interessa, e dá azo à sua subjectividade quando lhe dá jeito.

Em suma, para Pinto Monteiro, é possível ser e não-ser ao mesmo tempo; é possível que José Sócrates não tenha tido conhecimento do negócio, ao mesmo tempo que mostrava descontentamento por não o terem informado sob o decorrer da operação. Para Pinto Monteiro, José Sócrates não sabia, por um lado, e ficou a saber, por outro. Ora, para Pinto Monteiro, “saber” não é a mesma coisa que “ficar a saber”, porque para ele é possível, simultaneamente, ser e não-ser.

Uma pessoa pode “saber” e/ou “ficar a saber”, o que não é a mesma coisa. Uma pessoa que fica a saber, não sabe, e quem sabe não fica a saber.

Conclui-se que, para Pinto Monteiro, A ≠ A ; para ele não existe o princípio de identidade de que nos falou Aristóteles no século IV a.C. Ou seja: José Sócrates ≠ José Sócrates; Justiça ≠ Justiça ; e por aí fora…

Quando é que este homem é exonerado?

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