perspectivas

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2010

A geração do Tuga Zé-Carioca

Nas duas maiorias absolutas de um só partido político que tivemos nos últimos vinte anos, a de Cavaco Silva caracterizou-se pela geração yuppie dos jovens empresários de sucesso dos anos 90, gestores feitos à pressa e filhos do papá, com as suas boas máquinas a “assapar” pelas noites de fim-de-semana ― muitos desses yuppies herdaram as empresas dos respectivos papás e escavacaram-nas a seguir.

Da segunda maioria absoluta ― a de José Sócrates ― saiu não já o yuppie do status económico-empresarial, mas o jovem Chico-esperto formado na juventude partidária, o Zé Carioca português, o citadino que vive de expedientes políticos, o fura-bolos, o desenrascado, o trapaceiro que não olha a meios para atingir os seus fins sem grande trabalho, o indivíduo sem escrúpulos que não enjeita uma qualquer oportunidade para se encostar a quem quer que seja para trepar na vida ― nem que tenha que fazer que conta que a humilde e analfabeta mãe “é uma parente muito afastada”.

De certa forma, aconteceu um fenómeno de Trickle-down effect segundo Georg Simmel: a moda do yuppie filho do papá rico do tempo de Cavaco Silva, descambou num yuppie que veio da merda do tempo de José Sócrates que subiu na vida à custa do chico-espertismo e do oportunismo político. À medida em que as modas descem na escala social, o que já era sofrível há vinte anos transformou-se no insuportável; o que tinha um cheiro duvidoso, já fede.

As maiorias absolutas de um só partido têm a particularidade de transformar em moda os tiques do Grande Timoneiro. A forma de falar e de “enrolar”, a colocação e o tom de voz, os gestos do discurso e o discurso dos gestos, o ar de malandreco que tem o condão de transformar a mentira em apenas um pequeníssimo detalhe que corrobora a verdade da sua boa-fé, a personalidade de borracha que o protege de qualquer queda ético-moral ― estes são os atributos do chico-espertismo do Zé Carioca português que segue o exemplo do seu líder político.

2 comentários »

  1. De facto, estive ainda este ano reunido, por razões profissionais com um secretário de estado do governo – que se dizia que iria a ministro da Agricultura no actual governo, mas que foi recompensado com um tacho num instituto, cumulado com presidência de empresas participadas do estado (renezinhas para receber em robalos) – e que é da entourage do pinto de sousa, e era impressionante os tiques afectados, com voz enrolada e num tom de superioridade bacoca. O homem falava e só dizia frases redondas, sem qualquer concretização prática. Fazia lembrar o pateta do Pedro Silva Pereira, que por sua vez quando fala parece uma caricatura do Pinto de Sousa. Que grandas Zés Chicos Espertos que nós temos de aturar !!!

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    Comentar por manuel cortes — Quarta-feira, 10 Fevereiro 2010 @ 7:56 pm | Responder

  2. Muito bem observado!

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    Comentar por Henrique — Quarta-feira, 10 Fevereiro 2010 @ 8:22 pm | Responder


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