perspectivas

Sexta-feira, 5 Fevereiro 2010

Maria José Morgado e as bases de dados de ADN

« (…) precisamos de bases de dados de ADN, amostras de ADN, porque essas amostras de ADN previnem erros judiciários, permitem focalizar a investigação no autor verdadeiro dos crimes e afastar as hipóteses de imputação ao autor errado.

(…)

Precisamos de renunciar a uma pequena parte da nossa liberdade para termos toda a liberdade. »

Maria José Morgado

Analisemos o discurso de Maria José Morgado: para que as amostras de ADN “previnam os erros judiciários, e permitam a focalização da investigação no autor verdadeiro dos crimes e afastar as hipóteses de imputação do autor errado”, em princípio MJM dá-nos a ideia de que só os cadastrados ― ou seja, os condenados anteriormente em tribunal ― seriam alvo de registo de ADN em base de dados da polícia. Mas esta ideia é falaciosa, como são falaciosas as ideias de Maria José Morgado decorrentes da deformação ideológica que ela sofreu durante a sua militância no partido radical PCTP/MRPP.

Para que uma determinada pessoa seja considerada inocente mediante análises do ADN, deve ser feita colheita do ADN dessa pessoa para que depois ela seja declarada inocente pelo tribunal. Só que a amostra do ADN dessa pessoa não é destruída ― segundo se presume pelas palavras de MJM; as amostras de ADN dos inocentes permanecem na base de dados da polícia. O mesmo se aplica a simples suspeitos ou arguidos em processos-crime. O que está subjacente ao radicalismo político totalitário (digno de um partido maoísta como é o MRPP) de Maria José Morgado é a criação de uma base de dados de ADN extensiva a toda a população portuguesa.

Por acaso encontrei um artigo no Daily Mail que denuncia o que se está a passar em Inglaterra, em que há pessoas inocentes de qualquer crime que se suicidam pelo simples facto de estarem fichadas na polícia, através de uma base de dados de ADN. De cinco milhões de pessoas fichadas na base de dados de ADN inglesa, um milhão (20%) dessas pessoas não têm cadastro de alguma espécie, ou seja, são totalmente inocentes de qualquer crime. Acontece que a lógica policial tende a fichar pessoas inocentes até ao limite de toda a população, se não existir uma contra-lógica racional que a contrarie.

Pessoas como Maria José Morgado deveriam ter passado por um campo de concentração ― como eu passei quando tinha 15 anos de idade, em Moçambique pós-independência, pelo simples facto de ser europeu e de não trazer comigo o bilhete de identidade; esses campos eram eufemisticamente chamados de “campos de reeducação” marxista ―, e sofrer no duro as consequências das ideologias que defendem, e mesmo que, oficialmente, as não defendam hoje publicamente, essas ideias mantêm-se (pelo menos) nos seus subconscientes.

« Ela era conhecida por Mizé Tung, sempre pronta para a pancada. A coragem era uma consequência do sentido de missão, “uma obrigação”, e não são admitidas vacilações. Só falavam “dos assuntos da revolução e do partido”. O quotidiano da relação com o actual marido era sem tempo e por isso ficavam na mesma casa sendo era raro encontrarem-se. Porque “tínhamos ambos tarefas a cumprir”. »

A Mulher Triste

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