perspectivas

Quarta-feira, 20 Janeiro 2010

Para onde vai Manuel Alegre?

Há dias circulava no Facebook uma moção, alegadamente promovida por militantes do bloco de esquerda, no sentido de se angariar apoios para convencer o dr. Fernando Nobre [da AMI] a candidatar-se às próximas eleições para a presidência da república. Não tardou muito tempo, depois dessa iniciativa virtual numa rede social, para que Manuel Alegre desse o seu grito do Ipiranga, desta feita em Portimão rodeado não só por bloquistas como até por dissidentes do partido comunista. Naturalmente que em política temos que acreditar em coincidências, porque de contrário dávamos em doidos; ou então, sempre podemos dizer como o velhinho: “em política, o que parece, é”.

Manuel Alegre surge na política democrática portuguesa ao lado de Mário Soares na luta e denúncia do Estado Novo, e depois na luta contra o Processo [marxista-leninista] Revolucionário Em Curso (PREC). Alegre estava ao lado dos “bons”, dos vencedores da História. O partido socialista impôs-se, então, ao povo impregnando a sua imagem de partido moderado, central-democrático, com o marxismo bem arrumado na gaveta; e neste ambiente da “razão que ganhou”, Manuel Alegre foi fazendo o seu percurso político de deputado e militante do socialismo democrático historicamente tão odiado pela nomenclatura dos aparelhos de Estado marxistas/gnósticos que preconizavam a salvação terrena.

Eis que surge há quatro anos a primeira candidatura de Manuel Alegre à presidência da república, que traduziu uma clivagem interna do partido socialista. Manuel Alegre perdeu, mas lança agora a segunda candidatura que já não é só uma manifestação de uma clivagem interna no partido socialista, mas é antes um ataque ao PS organizado a partir do exterior. As palmas e o apoio imediato dos marxistas/trotskistas do bloco de esquerda não deixam dúvidas a ninguém.

Manuel Alegre, que tinha sido juntamente com Mário Soares, um dos protagonistas contra a implantação da ditadura do proletariado em Portugal, contra as lobotomias ideológicas das clínicas psiquiátricas da ordem Apparatschik, contra o Gulag e contra a condição de Zek, adoptou agora, já depois de entrado em idade estóica, a bandeira dos herdeiros do marxismo/leninismo/trotskismo.

Manuel Alegre quer agora convencer os portugueses que as ideias não têm consequências, e que o passado recente não voltará a assombrar as suas vidas; quer persuadir os portugueses que as “engenharias sociais em curso” promovidas pela esquerda neomarxista/trotskista/estalinista/leninista ― através da manipulação dos me®dia por jornaleiros de plantão ―, por via da estimulação político-ideológica contraditória que torna absurda a realidade objectiva e concreta do cidadão, e por via da dissonância cognitiva que reduz ao absurdo o senso-comum popular ― como o do “casamento” gay e adopção de crianças por duplas homossexuais, ou a nova versão das noivas de Santo António ―, dizia que quer agora Manuel Alegre persuadir os portugueses que as “engenharias sociais em curso” nada têm a ver com o “processo revolucionário em curso” dos anos 70.

A ironia do destino foi ver Manuel Alegre abraçar a revolução totalitarizante que ele próprio combateu da década de 70; foi ver o poeta-político convencer-se, em idade provecta, de que as ideias de Karl Marx nada têm a ver com o socialismo-nacional da URSS do estalinismo, de Cuba do castrismo, da China maoísta, do Cambodja do polpotismo, do Vietname e da Coreia-do-norte. Manuel Alegre está convencido, depois de velho, que uma coisa não tem nada a ver com outra, e por isso abraça a causa dos herdeiros políticos daqueles que se encarregaram de liquidar mais de 100 milhões de pessoas inocentes no século XX.

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