perspectivas

Sábado, 19 Dezembro 2009

José Sócrates foi o pior primeiro-ministro de sempre

O povo português teve muita falta de sorte, porque num período de crise económica internacional, foi obrigado a levar com o pior primeiro-ministro de sempre. E quando digo “sempre”, refiro-me aos últimos duzentos anos e desde que a monarquia parlamentar estabeleceu um chefe de governo eleito.

É conhecida a estatura intelectual dos líderes políticos do rotativismo monárquico da segunda metade do século XIX. Com a I república, a nata da intelectualidade portuguesa envolveu-se na política ― tanto do lado da república como do lado dos defensores da restauração da monarquia ― e de tal modo que seria prolixo estar aqui a enunciar não só a estatura intelectual dos presidentes da I república, como dos membros dos muitos governos entre 1910 e 1926. Com o Estado Novo [ou II república], tivemos apenas dois primeiros-ministros embora com o nome de “presidente do conselho de ministros”, a saber: António de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano. Qualquer português cônscio reconhece a superioridade intelectual de um e de outro em relação a José Sócrates ― nem vale a pena discutir o assunto.

Com a III república instituída em 1974, poderemos apontar, de forma anacrónica, alguns nomes de primeiros-ministros, como Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Maria de Lurdes Pintasilgo (nunca compreendi porque “Pintasilgo” se escreve com um só “s”), Mota Pinto, Francisco Balsemão, Aníbal Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes.
O único PM comparável, na sua mediocridade, com José Sócrates terá sido Vasco Gonçalves, do tempo do PREC (Processo Revolucionário em Curso) de 1975 ― mas mesmo Vasco Gonçalves tinha a qualidade do Homem com espinha dorsal, na medida em que tinha fortes convicções políticas, e assumiu com hombridade a sua retirada da cena política quando se apercebeu que a maioria do povo não concordava com as suas ideias. Em comparação com Vasco Gonçalves, José Sócrates é um político invertebrado ― podemos dizer que José Sócrates é literalmente o “político-polvo” que não só não se pode redimir da sua condição de molusco, como através dessa sua condição tornou possível o autêntico “polvo” da corrupção que grassa pelo país, e que já contaminou a própria Justiça.

Porém, e para além da sua condição moluscóide, a categoria de cefalópode do político José Sócrates não significa necessariamente a existência nele de um cérebro que pensa por si próprio ― trata-se de um cefalópode acéfalo, na medida em que José Sócrates actua na política como um títere, ou seja, age em função de um sistema de comando que o condiciona totalmente e de que a opinião pública não conhece a origem. Trata-se de um molusco político sem ideias próprias ― nem sequer a inteligência prática do conhecido animal marinho cefalópode podemos atribuir ao político José Sócrates.

Para agravar o nosso infortúnio, José Sócrates é intelectualmente paupérrimo, o que acaba por ter consequências na sua ética e, consequentemente, na sua moral. A razão porque ainda não tivemos um episódio público de tipo “violinos de Chopin” por parte de José Sócrates, é porque absolutamente nada em José Sócrates é espontâneo: estamos em presença de um “político-plasticina”, de um robô programado e que se sujeita a um reboot todas as manhãs ― e que de vez em quando faz “Tilt” quando todos nós vemos os seus “programadores políticos” da nomenclatura socialista-maçónica a acorrer em seu socorro.
Enquanto que Santana Lopes atribuiu publicamente a Chopin o virtuosismo no violino, é impossível a José Sócrates o erro intelectual, porque só alguém que pensa e tem ideias próprias, pode errar. A José Sócrates é, por condição natural, impossível o erro, e nesse sentido podemos dizer que temos um primeiro-ministro que é inimputável.

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3 Comentários »

  1. Excelente texto. Fez-me rir lol.

    Comentário por Derpino Herpino — Quinta-feira, 2 Agosto 2012 @ 11:37 am | Responder

  2. Nem o Afonso Costa, nem o António José de Almeida fizeram pior. Mas nesse tempo não havia eleições, e a oposição era varrida à bomba e ao estalo, quem se atrevesse a desafiar o poder de forma séria, o mais certo era acabar com um tiro na cabeça ou com a vida desgraçada. Sócrates foi eleito e reeleito. Sócrates não caiu por demérito da acção política, mas sim porque o Coelho percebeu que era altura certa para sentar na cadeira do poder. Saiu o Sócrates e entrou o Coelho. O Coelho não deve muito ao Sócrates: tem os mesmos tiques, a mesma posse, reforçou engajamento com a canalha do costume e, o que é pior, a mesmíssima falta de dimensão humana. Vivemos em democracia, numa pobríssima democracia que só se resume um conjunto de regras que permite excluir políticos. Era bom perceber estes fenómenos.

    Comentário por Salvador — Sexta-feira, 3 Agosto 2012 @ 3:48 pm | Responder


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