perspectivas

Terça-feira, 8 Dezembro 2009

O ambientalismo das “mudanças climáticas antropogénicas” é uma religião gnóstica (3)

O que se está a passar em Copenhaga é uma hierofania, isto é, o aparecimento ou a revelação de uma religião que tem a característica de ser uma corruptela gnóstica judaico-cristã. Se não, reparem neste texto editorial publicado no jornal Público e em mais 56 jornais de 44 países, em que são utilizados termos e conceitos como:

  • “antevisão de futuras catástrofes” ― faz uma associação ideológica ao apocalipse e ao milenarismo; esta visão apocalíptica gnóstica está presente em várias partes do texto;
  • “As alterações climáticas estão a ocorrer desde há séculos, têm consequências que durarão para sempre” ― a ideia da degeneração humana que é a causa do pecado, da “queda do anjo”, devido a um pecado original
  • “A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados” ― a absolutização da verdade hierofântica; os factos que decorrem da hierofania são indiscutíveis, estão acima de tudo o que é humano, incluindo a ciência que sendo “complexa” e não apresentar indícios indiscutíveis comprobatórios desses factos, não os pode colocar em causa.
  • “teremos que alterar os nossos estilos de vida” ― revela a necessidade da metanóia, da transformação interior do Homem no sentido da alienação e negação em relação à ordem em que o ser humano nasceu, ordem anterior essa que é identificada com o caos.
  • “Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios” ― a “salvação” iminente e imanente que decorre da metanóia hierofântica gnóstica. A ideia de “salvação” e de recompensa hierofântica atravessa todo o texto, traduzindo-se na imanentização do éschatos cristão através da ideia de que o paraíso cristão, que segundo Jesus Cristo só existe na transcendência, é de possível realização no planeta Terra.
  • “Abandonar o nosso “vício de carbono” (…) de forma a alcançarmos a salvação colectiva” ― mais uma vez, a “salvação” através da metanóia hierofântica gnóstica.
  • “Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo” ― traduz a esperança que advém da metanóia gnóstica e da aceitação da hierofania naturalista, em contraponto ao pessimismo e desorientação que advém do caos primordial.

Aconselho a leitura do livro “O Sagrado e o Profano ― a essência das religiões” de Mircea Eliade, que pode dar uma contribuição preciosa para a compreensão do que se está a passar em Copenhaga.

O próprio local onde a hierofania acontece ― Copenhaga ― é sacralizado como sendo o templo onde a descontinuidade do espaço cósmico, que decorre da hierofania, é necessária para a expressão religiosa. Assim, a homogeneidade espacial que é característica do mundo profano, é anulada pela heterogeneidade do espaço físico, dividindo-se o espaço em profano e sagrado, e onde só neste a comunhão hierofântica pode acontecer. A experiência religiosa primária através da rotura operada no espaço permite a “constituição do mundo” porque estabelece um “ponto fixo” central de toda a orientação futura. A manifestação do sagrado funda ontologicamente o mundo ― neste caso, existe uma tentativa de refundação do mundo através de uma hierofania gnóstica que se pretende que prevaleça sobre as cinzas das religiões universais tradicionais, e que se pode rapidamente transformar em uma religião política.


O que é preocupante não é a hierofania naturalista em si, decorrente do ambientalismo moderno; o que é preocupante é a provável utilização que a política, controlada pelo poder económico e financeiro, pode fazer, como já o fez no passado recente e durante o século XX, que é a de transformar uma determinada hierofania gnóstica em uma religião política ― como aconteceu, nomeadamente com o comunismo e com o nazismo. Por exemplo, não nos podemos esquecer o papel decisivo que os ambientalistas alemães do princípio do século XX e os Wandervögel desempenharam na consolidação da religião política nazi. E os sinais dessa manipulação política controlada pela plutocracia através dos me®dia estão visíveis em todo o texto, em paralelo com a revelação gnóstica propriamente dita.

A ler nesta série: parte I, parte II

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