perspectivas

Domingo, 6 Dezembro 2009

A prestidigitação política de Pedro Passos Coelho

A ideia de que a economia existe independentemente da cultura, só é possível na mente de políticos que não sabem o que estão a fazer, como é o caso de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho.

Pedro Passos Coelho não defende, nesta entrevista, nenhuma diferença em relação a Manuela Ferreira Leite no que diz respeito à acção da política económica, ou seja, as traves mestras da política económica de MFL estão transcritas na entrevista. Porém, o jornalista do JN teve a preocupação de não inquirir Pedro Passos Coelho sobre a sua (do PPC) política cultural e dos costumes, porque os me®dia em geral pretendem dar a impressão de que é possível termos “sol na eira e chuva no nabal”, e PPC é a pessoa ideal para promover a continuação da ilusão socratina do sincretismo da terceira-via que mais não é do que um socialismo marxizante e fabiano.


Quando PPC se refere aos “velhos do Restelo” no PSD, refere-se a velhos e novos do PSD, e

  • àqueles que defendem a vida humana contra a permanente liberalização do aborto no prazo de gravidez e na idade para abortar ― como já acontece hoje em Espanha com Zapatero a querer que meninas de 16 anos abortem sem autorização ou conhecimento dos pais ―,
  • contra aqueles “velhos do Restelo” que entendem que uma coisa é o casamento e outra coisa é uma União Civil,
  • contra aqueles “velhos do Restelo” que se opõem ao “divórcio unilateral em cinco minutos”, muitas vezes em famílias com filhos menores;
  • contra aqueles “velhos do Restelo” que se opõem à legalização da eutanásia ― primeiro através do “testamento vital”, e evoluindo mais tarde para uma espécie de Protocolo de Groningen que permita o infanticídio eugenista de crianças com deficiências como o síndroma de Down ou a espinha bífida ―,
  • contra aqueles “velhos do Restelo” que se opõem à propaganda gayzista em relação às nossas crianças na escola primária ― contra aqueles “velhos do Restelo” que dizem que o Daniel Sampaio é um radical ―,
  • contra aqueles “velhos do Restelo” que defendem uma ética cristã,
  • contra aqueles “velhos do Restelo” que defendem a importância imprescindível das diversas comunidades da sociedade civil organizadas sem controlo político do Estado, etc.

O sincretismo de PPC difere do sincretismo de José Sócrates na medida em que as políticas económicas de PPC são as de Manuela Ferreira Leite; em tudo o resto, Pedro Passos Coelho é idêntico a “José Sócrates versão Fernanda Câncio”, ou seja, a agenda cultural de Pedro Passos Coelho é um Ersatz da agenda cultural do Bloco de Esquerda.

A ilusão do prestidigitador Pedro Passos Coelho ― assim como as “artes mágicas” de Sócrates ― é a de criar a impressão de que é possível colocar em prática a política económica de Manuela Ferreira Leite ao mesmo tempo que se elimina a ética social que sustenta essa mesma política económica de MFL (e do CDS/PP). É neste contexto que podemos dizer que PPC defende o “sol na eira e a chuva no nabal”, e quem o faz ― tal como Sócrates o faz ― é mentiroso e desonesto.


Os países da Europa que terão um maior crescimento económico no futuro serão aqueles que mantiverem, dentro do possível, uma política cultural adequada a uma sociedade em que o Estado não se mete em tudo e com todos, e essa política cultural está directamente ligada àquilo a que os “velhos do Restelo” do PSD ― segundo PPC ― chamam de

  • “família natural e tradicional” [uma mulher, um homem, e os filhos],
  • “incentivo à natalidade” através dos valores sócio-culturais e não só através de subsídios financeiros do Estado à natalidade, no sentido de se chegar à taxa de reposição de 2,1 crianças por mulher;
  • “políticas restritivas em relação à gratuitidade do aborto” [existem mulheres que abortam gratuitamente ― e à nossa custa ― no Serviço Nacional de Saúde, quatro vezes por ano para terem direito às férias segundo a lei],
  • “valorização cultural da maternidade” dando à mulher direitos acrescidos em termos laborais, culturais e sociais, valorizando a figura cultural da “mulher-mãe”;
  • “direitos da criança” quando se afirma que todas as crianças têm direito ― dentro do possível ― a conhecer a sua herança genética e biológica [mesmo sendo adoptadas] que não podem ser negadas pelo Estado,
  • o “reforço do apoio à família” não através da intervenção directa do Estado na família e na educação das crianças, mas através de políticas sociais que apoiem os pais e as mães nas tarefas educativas,
  • os “cuidados paliativos” que praticamente não existem porque são caros e por isso se exige a generalização utilitarista da eutanásia,
  • o “casamento gay” que fazendo com que o casamento seja tudo, passe a ser nada, etc.

É contra esses “velhos do Restelo” do PSD que Pedro Passos Coelho se insurge. E é esta contradição intrínseca e sincrética de PPC que o transforma num populista, tal qual o é José Sócrates.

Tenho mais respeito por Francisco Louçã que não engana ninguém e que pretende efectivamente minar a sociedade por dentro ― e destruir os valores culturais e éticos que ainda soçobram entre nós ― para permitir um controlo estatista e ditatorial de tipo marxista, do que por Pedro Coelho ou José Sócrates que defendem determinadas políticas económicas “clássicas” ao mesmo tempo que defendem uma política cultural niilista que condena a priori ao fracasso o desenvolvimento dessas políticas económicas por eles defendidas.

A ideia de que a economia existe independentemente da cultura e da ética, e que o Direito Positivo resume a sociedade, só é possível na mente de políticos que não sabem o que estão a fazer, como é o caso de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho.

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