perspectivas

Segunda-feira, 26 Outubro 2009

“Casamento” gay: uma visão totalitária e utilitarista da política

Absurdo com pernas

Absurdo com pernas

A partir do momento em que alguém admite a possibilidade lógica do “casamento” entre duas pessoas do mesmo sexo ― e a consequente e inexorável adopção de crianças, progénitas ou não progénitas, por duplas de homossexuais ― já perdeu o debate. Ao Alexandre Homem Cristo só lhe resta “recolher às boxes”.

De igual modo, no futuro próximo, alguém poderá reclamar o “direito” de Polanski (e outros que tais) a ter relações sexuais com uma miúda de 13 anos, como já o fizeram as eminências pardas de Hollywood. E aquilo que não é nem nunca foi um “direito”, transforma-se em direito por força da pressão política. Passamos a viver numa sociedade em que os direitos que nunca existiram passam a ser direitos adquiridos que ainda não foram (injustamente) reconhecidos. É o absurdo com pernas para andar.

É natural que o tal Vasco parta do princípio da assunção de um “direito” que nunca existiu como tal na História, porque a melhor forma de criarmos um direito que nunca existiu é dizer que ele existe embora nunca tenha existido.

Aliás, aconselho a leitura deste artigo (PDF) em que o conhecido escritor espanhol e homossexual Álvaro Pombo escreve preto no branco:

« (..) a verdade é que a prática homossexual se contradiz por natureza numa vivência que se procura normalizável. É por isso que sempre será difícil para mim acreditar na tradução jurídica do casamento como motivo de felicidade imediata.
(…)
Acrescente-se ainda o facto de que quando dois homossexuais decidem viver juntos o que prevalece ao longo do tempo é um projecto de companheirismo mútuo e onde as questões eróticas, sexuais muitas vezes não conseguem ser formatadas e a fidelidade assegurada. Neste sentido o casamento homossexual pode ser algo contra-natura. »

Temos aqui um intelectual homossexual que diz que o “casamento” homossexual é contra-natura, e por isso fico sem saber como algo que é contra-natura pode ser considerado como um “direito civil”. Ou o direito positivo passou a ser contra-natura, ou a natureza já não é o que era, ou o Álvaro Pombo é um imbecil.

Por último, a ideia de que a questão do “casamento” entre duplas de gays é uma questão de “poupar recursos”, é extraordinária, e reflecte uma mentecapcia retórica (sofismo) e um utilitarismo mórbido. Fala-se sem se dizer nada tentando criar a ilusão de que se diz coisa importante.

Pela mesma bitola de raciocínio, se um dia destes a “discussão que se arraste na sociedade” fosse a de saber se ― por proposta da esquerda, como já acontece agora na Holanda ― a idade de consentimento sexual das nossas crianças deve baixar para os 9 anos de idade, e dado que “o principal recurso consumido é a atenção que essa discussão pode ter na sociedade”, essa questão possa passar a ser prioritária, o que significaria — segundo o tal Vasco — o seu deferimento legal automático por via de uma maioria de esquerda circunstancial.

É esta a visão da política que existe em Portugal, e é por isso que deve ficar bem claro que qualquer decisão nesta matéria deve ser considerada reversível por acção de uma outra maioria parlamentar que se forme entretanto.

A ler:

7 comentários »

  1. El casamiento entre homosexuales se ha valido de argumentos legales para ser aprobado en cortes. Soy del pensamiento que el casamiento entre gays desembocará en otros grupos que reclamarán iguales “derechos” como los pedófilos, bestialistas, fetichistas y otros.

    Adelante y éxito.

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    Comentar por Prometeo — Terça-feira, 27 Outubro 2009 @ 12:24 am | Responder

  2. É a subverção total e fatal.Acabou-se o tempo da rectidão,o conceito de família dará lugar a curto médio prazo a uma chafurdice do género: não há géneros sexuais,todos temos direito ao império dos sentidos,de preferência,das formas mais aberrantes e distorcidas possíveis.E anti-natura coisa muito importante.
    Esta questão em volta da legalização dos casamentos!? homossexuais tem um duplo objectivo,para além de confundir ainda mais uma sociedade já de si demasiadamente permissiva,tornando-a ainda mais depravada,por outro lado pretende-se fazer dos homossexuais superiores aos heterossexuais.Afinal eles é que estão certos e não nós.Vejam bem a demência e tirem as vossas conclusões.
    Como diria um certo personagem: É o fim meus amigos….

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    Comentar por Skedsen — Terça-feira, 27 Outubro 2009 @ 12:45 am | Responder

  3. El argumento estilo “slippery slope” de que no se debe conceder un derecho porque éste causaría una caída en cosas peores es absolutamente indefendible. Las cosas que tienen mérito la tienen, y punto. Usando ese argumento, nunca se le hubiera dado el voto a las mujeres, porque si no, ¿a quién más se le daría después?… ¿¡a los negros!? Y luego supongo que el argumento sería de no dárselo a los negros, porque si no a quién más se le daría… ¿¡a los perros!?

    El argumento de que permitir que dos adultos del mismo sexo se casen de alguna manera deshace la familia es otra falacia: ninguna pareja compuesta por un hombre o una mujer dejará de serlo más o menos porque haya otra pareja en algún lado compuesta por dos personas del mismo sexo. No entiendo por qué un una pareja heterosexual “vale menos” porque haya parejas homosexuales (sobre todo cuando ha habido parejas homosexuales a través de toda la historia: el único punto aquí es darles reconocimiento a nivel legal).

    El único argumento contra el cual nunca podré argüir es el religioso: las creencias religiosas son personales y en la mayoría de los casos, inamovibles. Sólo diré no entiendo cómo alguien que cree en el amor incondicional de Cristo simultáneamente cree en negarle la felicidad a sus hermanos. Él dijo claramente de darle al César lo que es del César y a Dios lo que es de Dios. Encuentro muy bien que las iglesias se nieguen a casar parejas homosexuales si así lo desean (eso es de Dios)… pero no entiendo por qué eso debería trascender a negarles derechos civiles (eso es del César).

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    Comentar por JR — Terça-feira, 27 Outubro 2009 @ 1:07 am | Responder

  4. @ JR

    O argumento “slippery slope” é o de que segundo o qual uma decisão “contra-natura” ― para usar a expressão insuspeita do intelectual e escritor homossexual Álvaro Pombo ― não tem consequências absolutamente nenhumas na sociedade, quando os factos já nos demonstram, nos países onde o “casamento” gay foi legalizado, que essa decisão já tem hoje consequências nefastas para a sociedade. O que o comentarista faz é a inversão do argumento original de “slippery slope” de que ele próprio tem consciência, isto é, é um caso de inversão da moral própria da mente revolucionária. Basta olhar para o que está acontecer em países como a Holanda, a Bélgica e a Suécia, para percebermos que o comentarista faz da mentira um meio de acção política.

    Os direitos básicos de um homem negro já existiam no tempo da escravatura na medida em que existiam já, nesse tempo, os direitos básicos do homem branco. Portanto, os direitos dos negros não foram inventados do nada; o que se passou foi que a concessão aos negros a equiparação aos direitos dos brancos que já existiam.

    A confusão propositada que os activistas gays introduziram no debate ideológico e ético, comparando a homofobia ao racismo, levou a que uma criança negra americana escrevesse a seguinte frase na escola:

    “O meu acto sexual não me fez negro; isso é algo que os gays não podem dizer, embora seja um facto que o acto sexual deles é que os faz gays.”

    A homofobia é a opinião moral segundo a qual a conduta [comportamento] homossexual não é consentânea [lógica] com a lei natural, e portanto, para além de ser errada na medida em que se afasta da norma natural, não pode fundamentar o direito positivo naquilo em que esse comportamento possa ter influência.
    A homofobia não pode ser comparada ao preconceito étnico, racial ou religioso, que negam ― a priori e independentemente dos comportamentos do ser humano ― o valor e os direitos morais intrínsecos de outras pessoas.
    O racismo faz um julgamento “a priori” e por isso é um preconceito negativo [não é fundamentado na experiência]; a homofobia faz um juízo “a posteriori” e por isso é um preconceito positivo [é fundamentado na experiência]. De resto, não existe um só ser humano que não tenha preconceitos ― sejam positivos ou negativos.

    O mesmo princípio se aplica à condição feminina. O simples de facto de terem existido, através da História, mulheres com direitos plenos ― por exemplo, Isabel I e Vitória de Inglaterra, a rainha D. Amélia em Portugal, entre muitas outras ― a extensão dos direitos dessas mulheres a todas as outras é um facto lógico. Ninguém inventou os direitos das mulheres a partir do nada.

    Ora, o direito ao “casamento” gay nunca existiu em nenhum tempo,, nem mesmo na Grécia Antiga, e tendo em conta também que o casamento é anterior ao Estado.

    O meu argumento não é religioso, embora existam argumentos que são também religiosos. O meu argumento é lógico. A equiparação de uma união gay ao casamento natural não tem lógica e o próprio Álvaro Pombo afirmou essa ilogicidade, a não ser que o comentarista seja de opinião que Álvaro Pombo sobrepõe a religião à sua condição de homossexual.

    Eu deixei passar este comentário, mas dado o seu enviesamento lógico, comentários destes serão submetidos a um escrutínio para publicação.

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    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 27 Outubro 2009 @ 8:28 am | Responder

  5. Gracias por responder a mi comentario. Sigues usando el término “anti-natura”, el cual nada tiene que ver con la legalización del matrimonio homosexual. El matrimonio civil (o sea, la mancomunidad de bienes de una pareja que vive su vida junta y que le confiere derechos y responsabilidades legales — a saber, beneficios impuestarios, derechos de visitación en el hospital, herencia automática de bienes comunes, etc.) es lo único que se está discutiendo, y esto no tiene nada que ver con la “naturaleza”. Los animales no se casan civilmente, y no buscan derechos legales del Estado. Es más, los mismos humanos por milenios tampoco lo hicieron, dado que el matrimonio civil como lo conocemos hoy día no siempre existió tampoco.

    La simple convivencia entre personas del mismo sexo o de sexos opuestos siempre ha existido, y eso no es lo que se está debatiendo: lo que se está debatiendo es que el Estado Civil le conceda a las parejas homosexuales que así lo deseen los mismos derechos y responsabilidades LEGALES que las parejas heterosexuales que decidan casarse civilmente: eso es todo.

    Aparte de eso, tu distinción entre el racismo y la homofobia está errada: odiar a alguien, o discriminar a alguien, por como ES, es detestable. Una persona homosexual lo es no importa que nunca tenga actos homosexuales, de la misma manera que las personas heterosexuales lo son durante toda su vida, incluso antes de tener relaciones sexuales, o incluso si nunca las tuvieran.

    Sigo sin entender cómo hay heterosexuales que piensan que los homosexuales “escogen” ser así. ¿Quién escogería ser así, para tener que vivir con discriminación y desprecio, para estar marginados por la sociedad? ¿Quién querría tener que estar debatiendo una y otra vez por qué su pareja merece los mismos derechos legales que las demás parejas? Dado que no es una opción, ¿qué sentido tiene discriminar contra ellos?

    Ese niño negro puede hacer todas las distinciones entre el racismo y la homofobia que quiera, pero lo cierto es que hay personas que son tan intrínsecamente homosexuales como él es intrínsecamente negro.

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    Comentar por JR — Terça-feira, 27 Outubro 2009 @ 2:29 pm | Responder

  6. The guy who used the “anti-natura” terminology is, in the first place, the Spanish queer writer Alvaro Pombo, as you can read in the PDF file attached.

    In Portugal, there is already a civil union law which comprehends the gay community. The civil union (the so called “união-de-facto”) is valid for both sex unions (as it is the same in France), i.e., either heterosexual or homosexual, and allows almost every right included in marriage status except the adoption of children. However, the gay community is not happy, because they want the homosexual lifestyle not only to be tolerated, but also celebrated. They want do adopt children and therefore they demand a equal marriage right, which means that a heterosexual marriage should be, at least, “equal” to homosexual marriage ― this means to extend equality to different basic situations. That’s why we are dealing here with an irrational demand.

    We are not talking here about freedom and liberty of getting in a civil union or not. Adoption of children should be made in interest of children in the first place, and not in the interest of adults. It is scientifically proved that children need both gender roles in their home education. This is why we cannot treat different situations in the very same way. Gay demands are egoistic and irrational and will be leading the society to the opposite of tolerance; what the gay agenda is creating is a sort of social “anti-bodies” that will “explode” in the future.

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    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 27 Outubro 2009 @ 3:42 pm | Responder


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