perspectivas

Segunda-feira, 5 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade

Quase 30% das chamadas para a SOS Professor relatam agressões físicas, e as agressões verbais são ainda mais numerosas.

A diferença principal entre um conservador e um libertário, é que o segundo defende a ideia de progresso como sendo um processo histórico em que a inexorabilidade da construção de um “reino de liberdade” conduzirá a sociedade a um “paraíso na terra” ― enquanto que o conservador não prevê o futuro nem em termos de “paraíso na terra” nem em termos de “inferno na terra”. O conservador não prevê o futuro no sentido da intervenção primacial da acção humana que “força” um determinado “processo histórico”; apenas constata factos do presente, e mesmo que estes factos apontem, em tese, para uma perda da autoridade na sociedade, não vê nisso uma catástrofe senão no sentido do retorno à barbárie. Afinal, ninguém pode provar que um bárbaro seja mais infeliz do que um civilizado ― e vice-versa; por isso, o facto de o conservador dizer que a perda da autoridade na nossa sociedade significa um retorno à barbárie, é uma constatação de facto e não uma profecia da desgraça.

A ideia instalada segundo a qual o conservadorismo e o libertarismo são duas faces da mesma moeda é uma ideia propalada pelo libertarismo das ciências sociais modernas, segundo as suas conveniências políticas, e que não corresponde à verdade. O conservador constata a realidade do presente em função do passado histórico; não faz profecias de ucronias futuras. Toda a presciência futurista é própria da mente revolucionária que caracteriza o libertarismo. O máximo que um conservador pode fazer é, em função da constatação dos factos, revelar a mera possibilidade de uma determinada tendência de evolução histórica.

Quase 30% das chamadas para a SOS Professor relatam agressões físicas, e as agressões verbais são ainda mais numerosas.

Quando nas relações pré-políticas ― como é o caso das relações entre pais e filhos ou entre professores e alunos ― a falta de autoridade chegou a este ponto, não tenha o leitor a mínima dúvida que a barbárie se está paulatinamente instalando na nossa sociedade.

A autoridade não é sinónimo da sua imposição pela violência, nem é a sua imposição através da persuasão. A imposição da autoridade pela violência é tirania; a sua imposição pela persuasão redunda na paridade que é a antítese da autoridade. Sobre as causas políticas desta disfunção da autoridade na sociedade moderna falarei eventualmente noutra ocasião, mas as razões éticas estão bem explicadas neste postal (O estado da ética).

1 Comentário »

  1. […] O problema da liberdade e da autoridade (1) […]

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    Pingback por O problema da liberdade e da autoridade (2) « perspectivas — Terça-feira, 6 Outubro 2009 @ 7:52 am | Responder


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