perspectivas

Terça-feira, 15 Setembro 2009

A mensagem de José Sócrates aos portugueses: abdicar da nossa dignidade é sinal de “modernidade”.

Parece que ser “moderno” é não ser patriota; é abdicar dos mais básicos e primários princípios da nossa soberania em favor da soberania dos outros. Ser “moderno” é abdicar do nosso patriotismo e aceitarmos, submissos, a supremacia da soberania e o patriotismo dos outros sobre nós. Ser “moderno” é ser susceptível de ser vendido e comprado por tuta-e-meia. Abdicar da nossa dignidade é sinal de “modernidade”. Prostituir-nos passou a ser “moderno”. É esta a mensagem de José Sócrates.

Todo o negócio do TGV é um absurdo. Nunca, na História de Portugal, os portugueses precisaram de ir primeiro a Madrid para ir a Paris. Nunca.

Ao longo da nossa História, os portugueses iam a Madrid quando havia interesse particular nessa visita, ou negócios específicos a tratar na capital espanhola. Madrid sempre esteve fora da rota dos interesses portugueses na Europa. Até por uma questão geográfica ― o terreno montanhoso que separa a região oeste de Madrid da fronteira espanhola até Salamanca ― , as viagens trans-europeias dos almocreves portugueses sempre se fez contornando a norte o sistema montanhoso da serra da Estrela e o seu prolongamento a oeste de Madrid, entrando em Espanha por Salamanca e seguindo para nordeste através de Burgos até Irun.

viagem-dos-almocreves

Como podemos ver no mapa supra, Madrid fica isolada pela serra de Gredos a ocidente, pela serra de Guadarrama a norte, e pelos monte de Toledo a sul, pelo que os almocreves portugueses evitavam sempre Madrid como ponto intermediário nas suas viagens para a o norte da Europa, preferindo evitar terreno montanhoso e seguir a norte da serra da Estrela (linha vermelha), através das planícies de Valhadolid até Vitória, no País Basco, entrando em França em Irun.

O percurso iberista está traçado a azul; para além de ser mais distante da Europa, transporta consigo uma lógica de centralização em Madrid.

Porém, nem sempre foi assim. Grande parte do tempo histórico da nação portuguesa foi passado com bloqueios terrestres por parte de Espanha, o que fez com que a distribuição do correio português e o transporte de mercadorias fosse regularmente feito por via marítima de Lisboa para Amesterdão, Southampton ou Le Havre.

Espanha sempre foi um problema para Portugal, e pelo que vemos hoje, continua a ser.

A nossa integração europeia não pode passar por uma prévia integração ibérica que constitui um diktat e uma condição sine qua non.

Não faz sentido que, por exemplo, os belgas aceitem que a sua integração europeia se sujeite à condição prévia de uma integração na Alemanha que elegesse Frankfurt como centro da política belga de transportes trans-europeus. Ou que a integração europeia dos irlandeses se sujeitasse a uma integração prévia que os sujeitasse a uma lógica centralista inglesa baseada em Londres. Os belgas e os irlandeses nunca aceitariam isso ― mas a nós, portugueses, essa alienação da nossa dignidade é-nos imposta pelas forças organizadas em torno da maçonaria como se de qualquer coisa de racional se tratasse.

A dependência ferroviária de Lisboa em relação ao centro da Europa através de Madrid é simplesmente insuportável, porque se reveste de uma lógica de transportes iberista de supremacia centralista espanhola, quando a lógica da política de transportes europeia deveria ser… europeia!

Se os espanhóis ou a União Europeia não quiserem pensar Portugal de uma forma racional, ligando Valhadolid a Coimbra em um trajecto ferroviário alternativo, passamos muito bem sem o TGV para o exterior. E se continuarem a surgir ameaças do género que foram proferidas pelo residente do governo regional da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández Vara, a gente sempre pode começar a “fechar os olhos” às actividades da ETA em território nacional.

2 comentários »

  1. Europeias / Legislativas e a insidiosa influência da nobre classe dos enfermeiros.

    …Pois é, assim foi:

    Os enfermeiros são conhecidos por serem silenciosos e graves; e um bom exemplo disso, está na forma como se organizaram aquando das “Europeias”, evitando que os seus horários se incompatibilizassem com a “sagrada hora de voto” onde, aí sim, os enfermeiros estão conscientes do seu poder e exercem-no cirurgicamente!

    Desejando sempre Servir,

    sufragando neste cantinho Luso

    Orlando Livremente

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    Comentar por Orlando — Sábado, 19 Setembro 2009 @ 11:51 pm | Responder

  2. […] reacção espanhola ― incluindo a reacção do presidente da região espanhola da Extremadura, e outras ameaças ― em relação à intenção de Manuela Ferreira Leite em adiar a construção do TGV, e a […]

    Gostar

    Pingback por O nacionalismo português incomoda Espanha? « perspectivas — Quinta-feira, 24 Setembro 2009 @ 10:17 pm | Responder


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