perspectivas

Quinta-feira, 10 Setembro 2009

A asfixia democrática e a lei do mercado

jornal-e-oculosO fenómeno do Jornal de Sexta da TVI e de Manuela Moura Guedes (MMG) surgiu como reacção do mercado de televisão em relação à domesticação política por parte do governo socialista da informação televisiva tanto na RTP como na SIC. Por razões diferentes, tanto a RTP como a SIC obedeciam a orientações internas de auto-contenção em relação a notícias sobre o governo e sobre o partido socialista. A TVI simplesmente constatou a existência de um nicho de mercado importante e tratou de se demarcar da concorrência através do Jornal de Sexta com MMG.

Os socialistas socratinos em vez de perceberem esse fenómeno típico da concorrência em mercado aberto, passaram a hostilizar a TVI: recusaram convites para entrevistas, impuseram a rei da rolha a todos os militantes mais importantes do PS em relação àquela estação de televisão. Perante o blackout informativo radical por parte do governo socialista e do PS, a TVI retaliou com a insistência nas notícias mais “quentes” envolvendo eventualmente o PS, o governo e José Sócrates.

Portanto, o fenómeno MMG resultou da prepotência socialista que levou a um tratamento diferenciado entre os canais de televisão “domesticados” pelo Poder socialista, por um lado, e a TVI que procurava na demarcação dessa domesticação política uma forma de ganhar mercado, por outro. A arrogância de José Sócrates toldou-lhe o raciocínio: o mais inteligente teria sido gerir as solicitações da TVI mesmo correndo o risco de a SIC reagir de forma idêntica, acompanhando a linha editorial da estação concorrente, tendo em conta que o mercado aberto sobre o mesmo tipo de notícias acabaria por anular os eventuais excessos informativos de qualquer origem.

A inteligência deste partido socialista é extraordinariamente limitada. Nunca se viu, depois do 25 de Abril de 25 de Novembro de 1975, mentalidade tão tacanha.

O que José Sócrates fez foi matar uma mosca com uma bomba atómica, e esta desproporção na utilização de meios é própria de uma mentalidade para-totalitária. O caso TVI chama à atenção para a necessidade de uma imprensa livre numa sociedade aberta e plural. Quando alguns me®dia se transformam em agências de relações públicas do governo ― impedindo o acesso do público a informação independente ―, haverá sempre uma TVI qualquer que aproveita o mercado aberto à contestação ao status quo político. E quando, despeitado, o Poder manda “matar o mensageiro desalinhado” politicamente, assina a sua própria condenação face ao cidadão.

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