perspectivas

Quinta-feira, 3 Setembro 2009

Sobre Hegel e o comunitarismo de Etzioni

Fiquei a saber através de um comentário neste postal da existência do Comunitarismo, o que prova a minha ignorância e o facto de estarmos sempre a aprender. Segundo parece, o ideólogo do comunitarismo foi o judeu Amitai Etzioni. Sobre o comunitarismo segundo Etzioni, ainda não tenho opinião formada, embora se sugira aqui que o comunitarismo tem origem em Hegel, o que é provável.

Hegel

Hegel

Ora bem, antes de mais, para se evitarem mal-entendidos que sempre acontecem quando o espaço é curto, convém dizer que “nacionalismo” não é o mesmo que “estatismo”. As pessoas confundem Nação com Estado. Eu sou nacionalista mas não sou estatista ― o que não quer dizer que seja anti-Estado, nem o poderia ser, porque o Estado existe como um meio e não como um fim; o Estado serve a Nação e não é esta que deve servir aquele.

aqui se falou como as ideias de Hegel degeneraram naquilo que é o marxismo cultural ou politicamente correcto. As ideias têm sempre uma história. Eu estou de acordo com algumas ideias de Hegel ― por exemplo na frase que parece um cliché: “O que é real é racional, e o que é racional é real”. Mas a aplicação da dialéctica hegeliana ao processo histórico é perfeitamente desastrosa.

Por exemplo, se a realidade é intemporal ― como defende Hegel ― então o processo histórico não pode ocorrer segundo uma lógica dialéctica e temporal. São estas pequeníssimas e quase imperceptíveis contradições que deitam abaixo não só o sistema hegeliano, como todos os sistemas que evoluiriam a partir de Hegel, incluindo o marxismo.

O problema de Hegel não está no conceito de intemporalidade da realidade, mas “meteu a pata na poça” quando aplicou a dialéctica idealista ao processo histórico. Quando o sistema hegeliano dá origem ao marxismo, a ilação a tirar é que quanto pior for a lógica de um sistema, mais sucesso tem.

Para Hegel, a liberdade era pouco mais do que o direito de obedecer à lei; ele era contra a liberdade de imprensa; apoia Rousseau no conceito de “vontade geral”; louva Maquiavel naquilo que este tem de pior. Hegel glorifica e diviniza o Estado, e em função disso, tudo o que é importante toma a forma da guerra. As nações, em Hegel, e através dos respectivos Estados divinizados, assumem o papel das classes em Marx ― e assim a guerra passa a ter um valor moral positivo.

Por outro lado, e mais grave, a doutrina hegeliana do Estado é totalmente incompatível com a sua metafísica, embora os seus detractores queiram ver alguma compatibilidade que não existe na realidade. E mesmo sobre a metafísica hegeliana, eu mantenho muitas reservas porque acho que o pensamento gnóstico penetrou nela.

Contudo, Hegel era profundamente contra uma globalização e contra um Estado Global, e por isso não podemos dizer que o globalismo comunitarista se inspire em Hegel senão na sua visão dialéctica da História.

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