perspectivas

Sexta-feira, 28 Agosto 2009

Portugal: resumo de 200 anos de vergonha (II)

Filed under: Maçonaria,Portugal — O. Braga @ 1:15 pm
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Portugal esteve em estado de guerra contínua entre 1806 e 1851; foi quase meio século de conflitos externos e internos. Depois de expulsas as tropas de Napoleão, surgiu o conflito entre liberais e absolutistas, e quando os absolutistas foram açaimados continuou o conflito entre liberais e liberais (Vintismo, Cartistas, Setembristas, Cabralistas, etc).

Quando, em 1851, finalmente uma paz interna ― de alguns anos ― foi instaurada, o povo português tinha um nível médio de vida inferior em 50% em relação ao que tinha imediatamente antes das invasões francesas. Seria como se o salário médio português fosse hoje 1.000 euros e passasse a ser de 500 euros daqui a 50 anos, em termos reais. A independência do Brasil não explica tudo; a Inglaterra tinha dado a independência aos Estados Unidos ainda antes do Brasil se tornar independente, e nem por isso os ingleses perderam um penny no seu nível de vida.

Se as invasões francesas se podem considerar como um fenómeno externo que Portugal não poderia controlar, os conflitos internos a partir de 1817 e iniciada pelos pedreiros-livres “vintistas” do Porto, só se podem explicar à luz da acção e constante conspiração política da maçonaria portuguesa. Há um facto que não podemos negar: a maçonaria europeia em geral, e a portuguesa em particular, foram responsáveis pela depauperação do nível de vida do povo português em 50% em 44 anos ― um empobrecimento médio de mais de 1% por ano.

Quando Fontes Pereira de Melo assume o Ministério com o marechal Saldanha como responsável pelo governo em 1851, os cofres do Estado estavam exauridos, apesar da nacionalização coerciva e sistemática de bens privados e sua posterior venda em hasta pública, efectuada a mando da maçonaria que controlou primeiro os Vintistas, depois os Cartistas, e mais tarde os Setembristas e a patuleia (tudo gente liberal). Para além de falido, o Estado não tinha crédito, com as exportações reduzidas a um terço do que acontecia em 1806. Por todo o país grassava a miséria.

Naturalmente que a História de Portugal que aprendemos na escola traduz uma visão histórica laudatória dos feitos maçónicos. O próprio Oliveira Martins, maçon e iberista inveterado, escreveu a História de Portugal deste período branqueando as consequências catastróficas da acção maçónica: a nossa História Oficial é maçónico-apologética, traduz-se no total branqueamento dos graves erros cometidos pela maçonaria; e quando não é possível ocultar esses erros, a História Oficial atribui sempre a sua causa ou a “culpa” aos opositores da maçonaria, fazendo com que, no final de contas, a esta nunca sejam assacáveis quaisquer responsabilidades. Afinal, não foi o próprio Napoleão que disse que a “História é escrita pelos vencedores” ?

Chamou-se de “Regeneração” ao período iniciado por Fontes Pereira de Melo a partir de 1851. O povo estava exangue e cansado de guerras, de pronunciamentos militares e dos golpes-de-estado. No período entre 1821 e 1851, quem tivesse um exército privado destituía o governo legitimado pelo rei, através de um “pronunciamento”. Quando D. Pedro V subiu ao trono, reinava a paz geral e foi possível a Fontes Pereira de Melo fazer a política necessária para fazer sair o país do atoleiro que a maçonaria o tinha metido. Fontes fez o que pôde, embora com alguns erros; terá sido uma das poucas personalidades deste período que não envergonha ninguém.

Portanto, sob o reinado de D. Pedro V reinava a paz interna, a liberdade e o progresso económico. Porém, essa paz e esse progresso incomodavam a maçonaria; os maçons não estavam satisfeitos com o rumo com que Fontes conduzia o país. Parecia que os motivos de agitação política introduzidos pelos Vintistas se tinham esgotado e deixaram de ser valorizados pelo povo e pelas elites. Ora, para a maçonaria, tudo o que seja paz e progresso é coisa abominável: há que conspirar, desestabilizar, intrigar, insultar, criar confusão, assassinar, criar o caos.

Por isso, perante a paz, liberdade e progresso que se anunciava com Saldanha e Fontes, a maçonaria resolveu mudar de estratégia política de subversão: criou a Carbonária Portuguesa, que foi responsável confessa pelo assassinato do rei D. Carlos em 1908. Para que se entenda, a Carbonária estava para a maçonaria como a ETA está para os movimentos nacionalistas bascos e o Harribatasuna. A Carbonária revelou-se uma espécie de braço armado da maçonaria. Mais tarde (1875), membros da Carbonária e da maçonaria formaram o Partido Socialista. Portanto, a estratégia estava definida: a direcção da maçonaria como “cabeça” da subversão contra a ordem, liberdade, paz e progresso de Fontes; a Carbonária como braço armado da estratégia; e o Partido Socialista ― e mais tarde o partido republicano ― como braço político-partidário maçónico.

Em resumo:

  • a maçonaria contribuiu activamente para a redução do nível de vida do povo em 50% em 44 anos;
  • o Estado português estava falido, apesar das nacionalizações sistemáticas de património privado, quando Fontes pegou no Ministério;
  • perante a paz, liberdade e progresso sob a égide de D. Pedro V ― e mais tarde D. Luís I ― e Fontes, a maçonaria mudou de estratégia subversiva e anti-patriótica, e criou um movimento terrorista: a Carbonária.

(continua)

2 comentários »

  1. Aguardo com muito interesse a conclusão deste excelente trabalho.

    Cumprimentos,

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    Comentar por NC — Sábado, 29 Agosto 2009 @ 10:04 pm | Responder

  2. […] Portugal: resumo de 200 anos de vergonha (II) […]

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    Pingback por Portugal: resumo de 200 anos de vergonha (IV) « perspectivas — Domingo, 30 Agosto 2009 @ 5:23 am | Responder


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