perspectivas

Segunda-feira, 24 Agosto 2009

O feminismo, a Maripili e o Manolo

A construção cultural  feminista

A construção cultural feminista


No último postal falei, em tom irónico, no síndroma de “maripili” ― trata-se de uma invenção espanhola politicamente correcta e feminista (mais uma pérola politicamente correcta a ajuntar aos “direitos humanos” atribuídos aos macacos e aos cadáveres humanos para alimentar as aves de rapina) que surgiu com o poder zapaterista.


sindroma-de-maripiliVou aqui desmontar mais um neologismo da política correcta, mas antes disso faço referência a este estudo [PDF] feito em Inglaterra. Segundo o estudo publicado pelo Journal of Financial Economics, a presença de mulheres em Conselhos de Administração de empresas revelou algumas vantagens e outras desvantagens.

Diz o estudo referido acima que as mulheres presentes em Conselhos de Administração de empresas despedem com muito mais facilidade e com menos pruridos éticos do que os homens em semelhante situação ― e isto pode ser eventualmente uma “vantagem” do ponto de vista dos accionistas. Porém, verifica-se que as empresas geridas com forte influência de mulheres apresentam invariavelmente um decréscimo nos lucros e perdas em Bolsa.



O síndroma de “maripili” é uma teoria defendida por uma feminista espanhola de seu nome Carmen Garcia Ribas, e que foi adoptada pelo movimento feminista espanhol, segundo a qual existe um alegado desajustamento comportamental em função dos “valores femininos” apreendidos pela cultura na consequente disfuncionalidade da mulher no mundo do trabalho.

Desde logo ― e o que é característica do sincretismo político zapaterista ― se verifica que a “teoria maripili” congrega em si o método de análise marxista baseado em símbolos relacionados entre si de forma abstracta, aliada a uma concepção neoliberal da sociedade em que prevalece a competição selvagem caracterizada pelo social-darwinismo.

Por exemplo, a “teoria maripili” liga directa e exclusivamente o comportamento humano à cultura, desprezando a biologia; esta ideia vem directamente do marxismo cultural da Escola de Frankfurt, de Marcuse, Adorno & Cia Lda, segundo o qual não existem diferenças entre o homem e a mulher senão através de “construções culturais” ― a biologia é mandada às malvas.
Assim, ao mesmo tempo que a “teoria maripili” assume as suas raízes marxistas, adopta a competição neoliberal social-darwinista que se caracteriza pela ausência da necessidade objectiva de regulamentação ética.
Este sincretismo é típico de Zapatero e traduz a forma como o neoliberalismo de Hayek [libertários de direita] recuperou alguns valores marxistas e os introduziu na sua prática política; é obrigação de um conservador desmontar racionalmente este tipo de construções ideológicas destituídas de lógica.

Porém, a “teoria maripili” retorna ao marxismo cultural quando culpa a condição da mulher “Maripili” através da figura do “Manolo” ― o “Manolo” é a causa e o culpado da condição da “Maripili”. O “Manolo” é, segundo a “teoria maripili”, o homem que tem medo do fracasso e de não triunfar socialmente e que extravasa esse medo através da arrogância, prepotência e agressividade. No fundo, o a “teoria maripili” faz é repescar a teoria de Germaine Greer e interpretá-la à luz do “Road to Serfdom”, de Hayek.


O Manolo, segundo as feministas

O Manolo, segundo as feministas

A “teoria maripili” é o corolário de toda uma história que começou com Nietzsche e atingiu o seu clímax perverso com o nazismo: a partir deste, as feministas arranjaram uma boa razão para demonizar o homem. Em estratégia conjunta com o gayzismo, o feminismo tratou de efeminizar o homem eliminando o Thumos em circulação na sociedade.
Platão e Aristóteles defendiam a ideia de que o excesso de “Thumos” na sociedade era perniciosa, e que por isso a sociedade deveria recorrer à Razão para regular e conter o excesso de “Thumos” em circulação. Para isso, Aristóteles elaborou o “princípio da equidade” como forma de equilibrar a lei natural com o direito positivo.

O 'homem' politicamente correcto

O 'homem' politicamente correcto

Porém, uma sociedade desprovida de “Thumos” ― que é aquela que o feminismo defende ― é uma sociedade indefesa e incapaz de se auto-regenerar. O fenómeno de decadência em Espanha salta à vista: 1 filho por mulher, e continuando a baixar a média. Para resolver o problema, as feministas espanholas importam o “Thumos” do estrangeiro através da imigração muçulmana que se mantém à parte do mainstream cultural espanhol.

Por outro lado, as pretensões feministas só poderiam ter alguma razão de ser se se provasse que as alterações culturais interferissem directamente com a biologia humana ― e não me refiro à “biologia comportamental”: refiro-me à biologia entendida como ciência da vida e da reprodução das espécies vivas, independentemente da cultura, isto é, refiro-me à “lei natural”.
O que se passa realmente é que o homem moderno recalca e esconde o seu “Thumos” (a sua masculinidade) devido à propagação da política correcta feminista no mainstream social. Por isso é que, apesar do constante demonização do homem por parte das feministas, o homem continua a ser quem pilota os aviões de caça, quem corre na Formula 1, e quem não pergunta o caminho quanto está perdido ― o feminismo apenas conseguiu que o homem moderno recalcasse e reprimisse o “Thumos“, e não o eliminou porque biologicamente é impossível essa eliminação. E esse recalcamento do “Thumos” por parte do homem não é feito com recurso à razão mas antes à repressão social, o que significa que a sociedade sofrerá imenso no futuro por causa de uma norma anti-natura.


  1. O mito segundo o qual a violência doméstica é uma característica do Manolo e de que não existem “Manolas” ganhou terreno por culpa dos homens. Os homens não têm que se queixar senão deles próprios. Todos sabemos que a violência doméstica não é exclusivamente masculina: se existem machos também existem mulas.
  2. Não podemos retirar ao homem e à mulher as suas características biológicas em função de uma norma cultural politicamente correcta imposta coercivamente. É um erro atribuir todo o comportamento à cultura e nada à condição biológica.
  3. O estudo acima referido mostra que mulheres em altos cargos de administração de empresas apresentam algumas vantagens e também desvantagens. A ideia de que a mulher pode suplantar o homem é estupidamente feminista.

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1 Comentário »

  1. Este blogue passará a constar na minha lista de imperdíveis. Bom Trabalho!

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    Comentar por NC — Terça-feira, 25 Agosto 2009 @ 11:13 am | Responder


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