perspectivas

Sábado, 22 Agosto 2009

A confusão entre naturalismo, evolucionismo e ciência

Neste postal, parece-me existir uma confusão entre “naturalismo”, “evolucionismo” e “ciência” (não confundir “ciência” com “cientificismo“).

“a ciência parte do princípio de que o mundo funciona segundo processos naturais. O axioma exclui à partida Deus da equação”

Um axioma não depende de nada ― ele não depende da razão humana, mas esta limita-se a verificar que o axioma existe. Um axioma não é fabricado pela razão humana; esta apenas constata a existência daquele.

Se a ciência parte de um determinado princípio para analisar a realidade, isso não significa que esse princípio seja sempre e necessariamente axiomático. Basta que as leis da Física sejam anuladas pela singularidade quântica para verificarmos as dificuldades da ciência face a um pretenso axioma que depende totalmente da validade das leis da Física. Um princípio que depende de algo que lhe é anterior, não é um axioma.

“Será mesmo verdade que a ciência exclui Deus das explicações?”

A ciência não pode provar que uma coisa “não é”, mas apenas tenta provar que uma coisa “é”. Por isso é que a existência de Deus ― entendido como o “englobante” ― não pode ser provada pela ciência: esta não faz prova de que algo não existe, mas apenas de que algo existe em função do método empírico. Através da lógica matemática e da filosofia, é possível fazer a prova do universo como uma realidade criada [e nesta medida pressupõe a existência de um Criador].

“O problema dos criacionistas é que propõem uma explicação tão minuciosamente recortada que se torna impossível de avaliar pelos dados disponíveis.”

É preciso definir “criacionismo”.

Existe o criacionismo bíblico que é um mito ― como é um mito o evolucionismo darwinista na exacta medida em que é impossível explicar a mutação das formas ―, e existe o DI que é uma teoria que aceita a evolução biológica com determinadas limitações. Ler o livro “A Caixa Negra de Darwin”, do bioquímico americano Michael Behe.

O naturalismo entra em contradição com o evolucionismo darwinista, conforme foi provado aqui. Quem se diz “naturalista” e simultaneamente “evolucionista”, entra em contradição insanável.

Referências: Este e este.

5 comentários »

  1. Não há nenhuma confusão. O meu post aborda a noção de naturalismo defendida pelo Jónatas Machado. Tem lá a referência do texto, se quiser ler.

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    Comentar por PR — Segunda-feira, 24 Agosto 2009 @ 11:46 am | Responder

  2. Vou analisar o tal texto e volto à “vaca fria”.

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    Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 24 Agosto 2009 @ 12:31 pm | Responder

  3. @ PR:

    Li o texto em
    http://www.portalevangelico.pt/noticia.asp?id=3260

    que o seu postal em
    http://camadecasal.wordpress.com/2009/08/22/a-nocao-de-naturalismo/

    pretende refutar.

    O que posso dizer acerca desse texto é que ele está bem construído (sob o ponto de vista da Lógica) e faz uma crítica correcta naturalismo. Porém, aqui e ali, não concordo com o autor. Por exemplo, o autor do texto parte de uma visão dualista da realidade ― uma espécie de degenerescência cartesiana ― entre a “matéria” e o “sobrenatural”, como se as duas realidades se diferenciassem e mesmo se opusessem. Neste sentido, o autor do texto serve-se desse dualismo para se opor a um monismo naturalista, o que eu acho errado por duas razões:

    1.A mecânica quântica já deu indícios suficientes para podermos afirmar a hipótese segundo a qual a matéria e o sobrenatural fazem parte da mesma realidade — ou, pelo menos, têm a mesma origem.

    2.O combate eficaz ao naturalismo como ciência da natureza que se ocupa meramente das relações entre fenómenos, faz-se através da Física e principalmente da mecânica quântica. Hoje, e embora ninguém o queira afirmar, a Física e a Biologia estão em contradição óbvia.

    Portanto, mantenho a ideia de estado de confusão do seu postal.

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    Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 24 Agosto 2009 @ 1:12 pm | Responder

  4. Orlando,

    O texto defende uma ideia simples: a de que o naturalismo (ou aquilo que o JM defende ser o naturalismo) é incompatível com uma explicação científica que inclua Deus. O meu post limita-se a mostrar, com o recurso a um exemplo básico, que essa ideia é errada.

    Quanto aos seus pontos 1 e 2, acho que já começa a orbitar um pouco fora do tema.

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    Comentar por PR — Segunda-feira, 24 Agosto 2009 @ 8:23 pm | Responder

  5. @PR:

    OK. O “naturalismo” — no sentido de “evolução” entendida como um processo pelo qual a vida emerge da matéria não-animada macroscópica e se desenvolve depois por meios inteiramente naturais segundo regras determinísticas — é incompatível com Deus, mas não só: também é incompatível com a Física e com a mecânica quântica, para além de ser incompatível com a Lógica Matemática e com a Filosofia.

    https://espectivas.wordpress.com/2009/08/24/richard-dawkins-reconhece-que-nao-e-deus/

    https://espectivas.wordpress.com/2009/08/24/a-politica-os-me%c2%aedia-o-cientismo-e-o-mito-social/

    https://espectivas.wordpress.com/a-vida-por-acaso-nao-tem-hipotese/

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    Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 24 Agosto 2009 @ 11:25 pm | Responder


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