perspectivas

Sexta-feira, 7 Agosto 2009

A importância de Leibniz no futuro da filosofia quântica

«A simples presença de uma substância, ainda que animada, não basta para a percepção. Um cego, e até um distraído, não vê. É preciso explicar [às pessoas] como a alma percebe o que está fora dela.»

Gottfried Wilhelm von Leibniz ― segunda carta ao filósofo inglês Clarke

Leibniz é essencial para se poder construir uma filosofia quântica que extrapole os parâmetros delimitadores da pura Física ― ele é essencial para uma nova teoria metafísica e espiritualista baseada nas recentes descobertas da quântica. A Física quântica apenas constata factos, ou através da observação ou através do formalismo da lógica matemática; perante a incompreensibilidade das conclusões a que chegou, a Física quântica entra numa espécie de “singularidade” através da qual constata que as leis da Física entram em colapso ― e não consegue explicar esse facto.

Observem este vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=ZtXGq2I4ZI8

A conclusão a que chegou a Física quântica é a de que quando uma PEL (partícula elementar longeva) se desloca no espaço, fá-lo em forma de onda até ao momento em que é observado por uma consciência ― ou seja, a função ondulatória quântica passa de uma forma de energia que se desloca a uma velocidade estimada em 10.000 vezes a velocidade da luz, para uma forma material (PEL), seja de electrões, protões ou outras partículas elementares longevas.

Proposição: A partir do momento em que uma função ondulatória quântica é observada por uma consciência, transforma-se em matéria ― é isto que a Física quântica constata através de pura observação empírica, mas não tem uma explicação para o fenómeno.

[Vocês já ouviram alguma discussão sobre este assunto nos me®dia?Claro que não: só são chamados aos me®dia os cientificistas como António Damásio que tentam ainda a descoberta do elixir da vida eterna e dos milagres da retorta de alquimista.]

A proposição supracitada implica, por um lado, uma superconsciência universal que observe o cosmos, de forma a que as funções ondulatórias quânticas sejam manipuláveis e transformadas ― por observação ― em PEL, que depois constroem a matéria macrocósmica através de um processo que a Física quântica chama de “sobreposição”. Portanto, a filosofia quântica não segue a corrente do realismo filosófico, mas parte do princípio de que toda a matéria existente no universo se “construiu” a partir do processo de sobreposição dos PEL, que advém da transformação da função ondulatória quântica (FOQ) em partículas elementares longevas através da observação das FOQ por parte de uma superconsciência cósmica.

A noção de tempo pode ser desenvolvida pela filosofia quântica através do conceito de “espuma quântica” do físico John Wheeler ― “espuma quântica” que contém “mini-buracos negros” que revelam a “singularidade” a nível quântico. Os “mini-buracos negros” “sugam” o futuro em direcção ao passado. Portanto, a ideia de “tempo relacionada com o próprio Deus”, característica do panteísmo, tornou-se obsoleta.

O problema da vida, como expliquei aqui, pode ser facilmente compreendido através da ideia da “sintonização do universo para a vida” (Fine Tuned Cosmos: ver ficheiro em PPT). A filosofia quântica pode desenvolver este conceito sem problemas de maior.

Leibniz

Leibniz

O grande problema que se coloca é o da consciência e dos seus diversos graus, por um lado, e a diferença entre a consciência e a função ondulatória quântica (que é uma forma de energia). E é por isso que precisamos de Leibniz ― na minha opinião, um dos maiores génios da humanidade. A monadologia de Leibniz é uma espécie de rascunho ou incipiência conceptual essencial para a solução do problema da existência da consciência, no mundo quântico, como criação divina “especial e particular”. Mas não só Leibniz: também os espiritualistas do século 19 e 20, como Jules Lequier e Louis Lavelle (entre outros) são essenciais para a estruturação de uma filosofia quântica que se destaque da Física transformada em filosofia, como pretendeu Roland Omnès.

O problema é que eu não tenho tempo disponível para fazer um trabalho desta envergadura ― até porque os meus muitos prováveis erros seriam corrigidos por quem viesse a seguir. Mas valeria a pena alguém pegar nesta matéria: mesmo nos Estados Unidos não existe nada que apresente um sistema completo, lógico e credível que ligue a física quântica à filosofia.

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1 Comentário »

  1. Isto é um assunto muito muito complicado.

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    Comentar por zebone — Sexta-feira, 7 Agosto 2009 @ 9:33 am | Responder


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