perspectivas

Sábado, 25 Julho 2009

Chover no molhado

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:27 am
Tags: , , , , , , , , , ,

A ideia segundo a qual alguns cientistas ― ou cientificistas ― afirmam o primado absoluto da ciência sobre a filosofia e a ética, religião e a moral, porque (segundo eles) a ciência se baseia no facto verificável — é uma absurdidade auto-referenciada, uma espécie de circulo vicioso dogmático.

Quando alguém diz que “somente as proposições ou afirmações resultantes de factos observáveis (ou da observação de factos) têm um significado legítimo e/ou válido”, profere uma reivindicação de um “facto” que não foi ― também ele ― previamente sujeito a observação. Portanto, o princípio de que parte o cientificista é dogmático.

O próprio evolucionismo neodarwinista é um mito ― tal qual é um mito a metáfora criacionista bíblica ― porque é “impossível explicar a sucessão das formas” (Eric Voegelin).

Contudo, não vale a pena fazer ver esta incongruência à esmagadora maioria das pessoas, porque os termos do discurso estão totalmente controlados. As pessoas, em geral, não raciocinam: seguem o discurso válido e validado em primeiro lugar pela utopia, e depois, numa fase avançada de degenerescência, pelo “mito social” (Sorel).

O mito social ― ao contrário da utopia ― não é um produto do intelecto mas uma experiência da vontade manipulada e irracional, conduzida por uma elite mais ou menos oculta, para determinados fins obscuros.

Esta é uma das razões por que qualquer opinião (ou blogue) de ruptura com o discurso controlado já não faz qualquer sentido: por mais que se diga que a ciência, por definição, não pode partir de um princípio dogmático para o seu fundamento, e por via do mito social instalado através do controlo do discurso, o sentimento contrário ― ou no mínimo, indiferente ― à religião, à ética, à filosofia e à moral cresce na população que sai das universidades. Já não me refiro a analfabetos: o fenómeno já se espalhou uma classe de indivíduos que se dizem “letrados” e que constituirão a “elite” do país, em poucos anos.

Em Portugal, já não vejo “lura por onde saia coelho”.

Deixe um Comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: