perspectivas

Sexta-feira, 10 Julho 2009

A razão porque este país não tem futuro: o patronato que temos

Filed under: ética,cultura,economia,Portugal — O. Braga @ 2:14 pm
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patrao-tugaPortugal tem a classe empresarial mais desonesta, estúpida, inútil, contraproducente que existe, não só na Europa, mas também a nível mundial. A principal razão do atraso português em relação à média europeia a 27 é devida quase exclusivamente ao patronato que temos.

Este caso de uma trabalhadora — que é simultaneamente delegada sindical — ilustra perfeitamente o nível médio do empresário português: a empregada recebeu o seu salário do mês de Junho em 333 moedas de euro e uma moeda de cinco cêntimos. Este (como outros) patrão estúpido não consegue gerir o seu negócio sem se preocupar obsessivamente com uma só funcionária; dá a sensação que o sucesso do seu negócio se prende exclusivamente com a humilhação de uma trabalhadora em particular.

Acreditem que este caso não é excepcional: eu trabalho com patrões portugueses desde 1984 e conheci muitos destes casos, e até piores.

Conheci um caso ― nos anos oitenta ― de um empresário que quando a empresa admitia uma empregada fabril “jeitosa”, eram dadas ordens ao encarregado de produção para encontrar qualquer pequeno pretexto para a castigar e para a levar ao gabinete do patrão, onde este tentava conseguir favores sexuais em troca do não despedimento da trabalhadora.

Conheci outro caso de um patrão que embirrou com um funcionário administrativo quando soube que ele era militante do partido comunista, e colocou-o num gabinete sozinho e sem lhe dar trabalho para fazer, embora fosse mais fácil despedi-lo ou tentar negociar com ele a sua saída da empresa. Quando perguntei ao patrão a razão de tal procedimento, e se não seria mais fácil despedir o funcionário que estava com um contrato a prazo (seis meses), o típico empresário português disse-me (sic), sorrindo, que “é de propósito para fazer o gajo sofrer”. O funcionário acabou por sair passado pouco tempo e sem subsídio de desemprego, porque não aguentou a pressão do ambiente na empresa.

Muitos outros casos teria para contar que atestam a extrema estupidez da esmagadora maioria dos empresários portugueses. Por exemplo, o que sempre me repugnou no patronato português foi o tratamento indigno que sempre deu às mulheres grávidas.

A razão porque a esquerda marxista tem vindo a crescer em Portugal está directamente ligada ao tipo de patrões que temos. E não vale a pena dizerem-me que “este caso é a excepção” e “pardais ao ninho”, porque eu sei, e posso demonstrá-lo, que o mal é geral. Eu posso falar à vontade sem correr o risco de ser vítima de um patrão português estúpido, porque desde há 10 anos decidi que não os aturava mais, e passei a trabalhar por conta própria e com empresários estrangeiros.

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