perspectivas

Terça-feira, 30 Junho 2009

A Razão e o símbolo religioso

«Se há um corpo natural, há também um corpo espiritual. (…) Porém, o corpo espiritual não é o primeiro. Primeiro, foi o natural, depois, o espiritual. O primeiro homem é da Terra e terrestre. O outro homem é do céu…Mas eu digo-vos, irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus…mas todos seremos transformados. »

― S. Paulo (1 Cor 15, 44)


A linguagem de S. Paulo é simbólica porque não é possível à mente humana apreender o conteúdo da totalidade do ser, isto é, “englobante + ser”. Porém, não podendo compreender o conteúdo a totalidade do ser, podemos racionalizar acerca da forma dessa realidade englobante. Foi isso que S. Paulo quis fazer nesta citação ― e é isso que vou fazer com um pequeno opúsculo que depois de escrito, talvez lá para perto do Natal, publicarei através do lulu.com ― e para isso vou pedir ao Henrique, e devido à sua experiência nesta área, que me informe dos passos a dar nesse sentido.

Quando lemos esta citação de S. Paulo, podemos e devemos associá-la automaticamente à evolução espiritual do Homem ― podemos falar de uma ligação estreita entre o evolucionismo segundo Darwin e o evolucionismo espiritual e cósmico.


simbolosPara quem diz que esta afirmação de S. Paulo “não é racional”, é importante referir a “teoria do conhecimento finística”, do biofísico Alfred Gierer, que a traço grosso consta do seguinte:

A astrofísica calculou a densidade média do universo em 1 “partícula elementar longeva individual” (PEL) ― que pode ser um electrão, um protão, um neutrão ― por cada metro cúbico.

Considerada a dimensão do universo, o número total de PEL’s em todo o universo é de 1080, isto é, 1 seguido de 80 zeros.

Se multiplicarmos este número (1080) pela idade do universo ― 20 mil milhões de anos-luz = 1040 PEL’s que é o período mínimo de estabilidade de partículas elementares ― obtém-se o número 10120, i.e., 1 seguido de 120 zeros.

Este número (10120) é a “constante cosmológica da natureza” (CCN) que significa o limite superior lógico para o trabalho de cálculo de um computador com as dimensões e a idade de todo o universo ― um computador que efectuasse cálculos sem interrupção desde o início da sua existência (desde o Big Bang) e cujos elementos constitutivos fossem PEL’s.

Escreve Gierer:

«Do número máximo de operações realizáveis no cosmo resulta como consequência para a teoria do conhecimento o facto de o número de passos na análise de problemas também ser, por princípio, limitado ― sejam eles passos mentais ou passos de processamento de informações através de computador. Sobretudo, é limitado, por princípio, o número das possibilidades que podem ser verificadas sucessivamente, uma a uma, para comprovar ou refutar a validade universal de uma afirmação.

(…)

Podem existir afirmações verdadeiras sobre a realidade física que só seriam comprováveis em mais de 10120 operações; nós não poderíamos decidir se são verdadeiras ou não, mas tal seria possível para uma máquina supracósmica imaginável.»

Existe, portanto, um limite superior de passos de trabalho analíticos que seriam possíveis no nosso universo e que são compatíveis com a física do cosmo. Este é o limite da ciência e da razão científica. Contudo, a Razão não se limita à “razão científica”: como escreveu Gierer, podem existir afirmações verdadeiras para lá das 10120 operações ou do CCN. Para obviar à extrema dificuldade não só da utilização plena do CCN como instrumento de análise, mas também da superação do limite provável dos limites da razão filosófica ou científica, as religiões instituíram o simbolismo.

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3 comentários »

  1. Só hoje dei pela referência, foi um período de muito trabalho em que não devo ter acedido com regularidade à net.
    A lulu.com tem uma boa relação custo/qualidade para pequenas tiragens. Ponho-me ao dispor para partilhar todas as informações necessárias.
    Abraço e não esmoreças.

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    Comentar por Henrique — Quarta-feira, 22 Julho 2009 @ 12:33 am | Responder

  2. Obrigado pela info.

    Completou-se um ciclo. Isto já não vai com argumentos e com a Razão. Para grandes males, grandes remédios.

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    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 22 Julho 2009 @ 3:36 pm | Responder

  3. […] Com este argumento, o naturalista assume, em termos práticos, que a ciência nunca irá saber, a não ser que a espécie humana (ou coisa parecida) possa existir durante mais de 10^120 anos (1 seguido de 120 zeros) que é a constante cosmológica do universo calculada pelo astro-físico Alfred Gierer. […]

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    Pingback por O eterno argumento naturalista: “A ciência ainda não sabe, mas vai saber” « perspectivas — Domingo, 29 Agosto 2010 @ 11:05 am | Responder


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