perspectivas

Domingo, 14 Junho 2009

O triunfo do gnosticismo na Europa

Filed under: cultura — O. Braga @ 10:57 am
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“Cada segundo de tempo é uma porta através da qual o Messias [judaico] pode entrar.”

― Walter Benjamin

As primeiras três décadas do século XX foram de afirmação da negação da cultura e civilização europeias por parte das diferentes elites culturais, numa espécie de unanimismo cultural anti-europeu. A passagem da hegemonia mundial da Europa para os Estados Unidos foi ― não só mas também ― consequência da irracionalidade dessas elites que controlavam o panorama cultural multinacional europeu a ponto de criarem uma rede política de vasos comunicantes por toda a Europa civilizada.

Se fizermos uma lista exaustiva dos nomes sonantes do marxismo europeu entre 1900 e 1940, a esmagadora maioria das personagens eram oriundas de famílias riquíssimas, e em grande parte dos casos de famílias judaicas endinheiradas. Walter Benjamim era filho de um papá judeu rico ― tal como Gershom Scholem ― mas não só: assim de memória lembro-me de Adorno, Horkheimer, Max Weill, Kurt Weill, Marcuse, Lukacs, e a maioria dos fazedores de opinião do marxismo cultural da Escola de Frankfurt era proveniente de famílias judias riquíssimas; Bertoldt Brecht era filho de paizinho rico. Mesmo gente conotada com o marxismo e que depois se distanciou dele não escapou a uma cultura niilista de filhos de gente abastada, como foi o caso de Hannah Arendt cujo pai era judeu e rico.

Essa elite marxista circulava entre os diversos países da Europa central criando redes políticas de influência tentando controlar a indústria cultural desses países com o apoio da recém nascida URSS. Assistimos assim a uma situação em que a União Soviética se servia de uma clique de intelectuais filhos de papás ricos da Europa para minar e dissolver o próprio sistema que os sustentava.
Por exemplo, Walter Benjamin nunca trabalhou na sua vida senão na escrita de três ou quatro livros e teses, e enquanto o seu pai rico o foi sustentando, ele viveu sem dificuldades enquanto se engajava na luta contra o capitalismo de que o próprio pai era um dos protagonistas. Quando o pai de Benjamin deixou de poder enviar-lhe a mesada, passou a viver dos amigos e de donativos da Escola de Frankfurt que, com a ascensão de Hitler ao poder, se mudou para os Estados Unidos.
Bertoldt Brecht, outro produto da alta burguesia europeia, passou a sua vida entre noitadas alcoolizadas, orgias homossexuais e a composição das suas peças culturalmente niilistas.

Se juntarmos a influência desta clique cultural niilista ao neo-positivismo coevo do Círculo de Viena ― que também teve uma preponderância de teóricos judeus ―, a consequência desta simultaneidade histórica para a cultura europeia foi catastrófica, porque a conjugação entre os dois movimentos culturais resultou numa “lógica de eucalipto” aplicada à cultura: toda a vegetação desaparece à volta de um eucalipto que suga os nutrientes do solo de tal forma que torna a vida insustentável ao seu redor. De modo análogo, o neo-positivismo do Círculo de Viena e o marxismo mais ou menos ortodoxo protagonizado pelos “enfants terribles” provenientes da alta burguesia europeia ― ambas as escolas defendendo a ideia de uma realidade materialista absoluta e a redução desta aos fenómenos físicos e a uma linguagem humana ― resultou na secura ideológica que contribuiu também para o nazismo. Quando Hannah Arendt criticou o nazismo nos seus escritos, esqueceu-se de mencionar o contributo que ela própria e os seus colegas endinheirados deram, de uma forma mais ou menos inconsciente, para colocar Hitler no poder.

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