perspectivas

Quinta-feira, 14 Maio 2009

As direitas europeias: colocando os pontos nos ‘is’

A maior contradição da ‘nova direita libertária radical europeia’ é a de que ao mesmo tempo que é contra o multiculturalismo e defende a expulsão dos imigrantes islâmicos da Europa, não aponta soluções para a diminuição da população indígena europeia, uma vez que o seu ateísmo está ligado ao utilitarismo exacerbado, ao hedonismo e ao abortismo sistémico.

Quando nos chegam ecos da chamada “nova direita europeia” ― e não me refiro a Le Pen ou ao falecido Haider, porque estes até são coerentes com as suas doutrinas respectivas ― representada por personagens como Filip Dewinter e/ou Geert Wilders, é necessário avisar as pessoas que estes novos políticos não pertencem à direita conservadora, mas antes a uma direita libertária radical, e tão radical que a própria defesa do Libertarismo justifica na sua (deles) óptica a repressão e a opressão sobre a sociedade. Trata-se de um fenómeno político realmente novo na Europa, através do qual a defesa da liberdade justifica a restrição da liberdade.

Filip Dewinter

Filip Dewinter

Uma das características da nova direita libertária radical europeia é a adopção do método dialéctico que até agora era uma característica exclusiva dos partidos marxistas. Dou o exemplo de Filip Dewinter: toda a sua família foi perseguida pelos nazis, antes e durante a II Guerra Mundial; no entanto, Dewinter fez questão de visitar em 1988 o cemitério de Lommel para prestar homenagem aos 40.000 soldados da Wehrmacht que aí estão sepultados, e fazendo-se acompanhar pelo conhecido neo-nazi Bert Eriksson. Simultaneamente, Dewinter apoia Israel contra o mundo islâmico.


A dialéctica da nova direita libertária radical está bem presente naquilo a que os partidos comunistas chamam de “correlação de forças em presença”, em que as alianças políticas são pontualmente feitas mesmo que à revelia e sacrificando circunstancialmente a ideologia política.
Por outro lado, a direita conservadora tradicional dos partidos democratas-cristãos europeus ― e do grupo parlamentar do PPE no parlamento europeu ―, não adopta sistematicamente o método dialéctico exactamente porque se trata de uma direita reformista, e não de uma direita libertária e revolucionária como é a que é representada pelos dois políticos acima referidos.

Geert Wilders

Geert Wilders

Outra característica comum tanto em Dewinter como em Wilders, é o ateísmo. Ambos pertencem a uma direita libertária radical e ambos são ateus, e esta é uma outra grande diferença em relação à direita conservadora. É necessário sublinhar estas diferenças, porque senão o povo “mete tudo no mesmo saco”.

Porém, a maior contradição da nova direita libertária radical europeia é a de que ao mesmo tempo que é contra o multiculturalismo e defende a expulsão dos imigrantes islâmicos da Europa, não aponta soluções para a diminuição da população indígena europeia, uma vez que o seu ateísmo está ligado ao utilitarismo exacerbado, ao hedonismo e ao abortismo sistémico.

Em contraponto, a direita conservadora também é contra o multiculturalismo mas no sentido da necessidade absoluta da integração cultural dos imigrantes a partir da segunda geração, e não no sentido da sua expulsão do território europeu, salvo tratando-se de gente criminosa.

A direita conservadora também é contra uma política de “portas escancaradas” à imigração, mas ao mesmo tempo é a favor de uma política de incentivo à natalidade indígena europeia. Ora esta política passa ― não só, mas também ― pela cultura, e consequentemente pelos princípios éticos do Cristianismo que marcam a cultura europeia. Ao contrário da nova direita libertária radical europeia, a direita conservadora defende que a relação entre a natalidade e a religião é incontornável, como podemos verificar através das taxas de natalidade dos imigrantes islâmicos.

Por tudo isto, a nova direita libertária radical europeia não é credível, o que não significa que tenha que ser censurada, como aconteceu com um vídeo no YOUTUBE que consistia num discurso de Filip Dewinter em Colónia realizado a 9 de Maio, cujo texto pode ser lido aqui. Entretanto, um site privado colocou à disposição o discurso de Dewinter, que tinha sido censurado no Youtube por acção da esquerda libertária europeia.

De facto, estamos em presença de dois tipos de radicalismos revolucionários: a nova direita libertária e a esquerda libertária (esta última representada em Portugal pelo Bloco de Esquerda). De entre os dois, venha o diabo e escolha.

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