perspectivas

Terça-feira, 28 Abril 2009

‘Pensar Portugal’, na RTP 1

Quando num Estado de Direito os tribunais se substituem ao parlamento, como está a acontecer nos Estados Unidos com os tribunais a revogarem as leis do Código Civil sobre o casamento sem darem cavaco aos parlamentos estatais, de facto assistimos a uma revolução anti-democrática.

O programa de ontem da Fatinha teve três traços essenciais: o politicamente correcto, o conceito ambíguo de “globalismo” e a apologética obâmica.

O politicamente correcto decorre da presença de Mário Soares no debate, ele próprio representando o correcto na política sem contraditório possível. Perante a figura de Mário Soares, ninguém se atreve a discordar dele, porque ele faz uso da autoridade política que, em parte, granjeou na sociedade portuguesa.

O conceito de “globalismo” não foi definido pelos intervenientes talvez porque não interessava definir nada sobre isso. A pergunta de um estudante foi inteligente: “O fim do neoliberalismo como ideologia não abre as portas a um globalismo?”

Naturalmente que o “globalismo” a que o estudante se referia era a “Nova Ordem Mundial” que a plutocracia internacional (que controla a maçonaria anglo-saxónica) defende exactamente agora depois da crise económica e financeira, nomeadamente através de Henry Kissinger, Al Gore, George Soros e Barack Obama.

Ora este tipo de “globalismo” é o que conduz inexoravelmente a um totalitarismo global, mais perigoso do que os tradicionais totalitarismos porque perante uma ditadura global, não existe a probabilidade de uma organização fácil de uma oposição global. Quando uma ditadura é parcial (afecta uma parte do mundo), existe uma outra parte que se pode rebelar contra ela; quando uma ditadura assume contornos globais, o contraditório ideológico terá muito mais dificuldade em se poder afirmar.

Um “globalismo” de tipo “Nova Ordem Mundial” será um sistema político-social parecido ― salvo as devidas proporções e diferenças espaço-temporais ― com uma Alta Idade Média, em que o mundo era restrito à Europa, e pouco mais.

O único globalismo que deve ser defendido é o globalismo da liberdade que as nações têm em cooperar entre si e de afirmarem os seus direitos legítimos, e não o globalismo da criação de superestruturas hobbeseanas ou mesmo de um leviatão global, que transportam consigo as sementes do mais terrível totalitarismo que jamais terá existido.
Mário Soares e Leonor Beleza ou estão errados, ou não quiseram dizer o que realmente pensam.

Outro equívoco é a Apologética Obâmica que transforma o Barack Obama numa espécie de Messias que tem por missão tornar imanente o éschatos. Este tipo de messianismo político já aconteceu, por exemplo, com Che Guevara e Fidel Castro (o mesmo Fidel de que Mário Soares disse anos depois que se tratava de um “dinossauro político”). Mas não só com estes: Hitler, Mussolini e Estaline foram também “messias” que vieram à Terra para tornar imanente o éschatos, com os resultados que se viram.
Mário Soares disse no programa num tom laudatório que “os Estado Unidos atravessam uma revolução”, quando Soares sempre defendeu uma política de reformas em detrimento da revolução. Quando num Estado de Direito os tribunais se substituem ao parlamento, como está a acontecer nos Estados Unidos com os tribunais a revogarem as leis do Código Civil sobre o casamento sem darem cavaco aos parlamentos estatais, de facto assistimos a uma revolução anti-democrática ― aquele tipo de revolução em que uma elite se julga no direito de passar por cima do voto popular.

A liberdade de expressão que existe já hoje nos mídia americanos é aquela mesma que Mário Soares impôs ao debate de hoje: o pensamento único em face de uma sua (dele) auto-outorgada autoridade moral. E os únicos meios de comunicação dos Estados Unidos onde a liberdade expressão ainda existe ― a rádio privada ― vão ser alvo de restrições políticas por parte de Obama. Daqui a um ano começaremos a ver a verdadeira face de Barack Obama e daquilo que ele representa.

Mário Soares faz hoje parte de um monólogo político que se impõe na sociedade portuguesa, nomeadamente quando apoia um sistema político unanimista comandado pela efígie política de José Sócrates.
O único que esteve bem no debate foi o Engenheiro (este, engenheiro a sério) Anacoreta Correia. O resto foi desprezível.

1 Comentário »

  1. “…O único globalismo que deve ser defendido é o globalismo da liberdade que as nações têm em cooperar entre si e de afirmarem os seus direitos legítimos, e não o globalismo da criação de superestruturas hobbeseanas ou mesmo de um leviatão global, que transportam consigo as sementes do mais terrível totalitarismo que jamais terá existido.
    Mário Soares e Leonor Beleza ou estão errados, ou não quiseram dizer o que realmente pensam.”

    Claro que não dizem… é do interesse deles e de quem eles “servem”… ou seja o seu próprio interessa… a propósito… a Fundação Mário Soares… alguém mais ouviu falar dela e de… :((((

    Beijo… se um dia fores preso pela tua frontalidade e coragem prometo que te vou lá visitar… 😉

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    Comentar por Menina Marota — Terça-feira, 28 Abril 2009 @ 1:19 pm | Responder


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