perspectivas

Quarta-feira, 22 Abril 2009

Democracia e religião (1)

“Para Marx, a Natureza tem que ser subjugada para que obedeça à História; para Nietzsche, a Natureza deve ser obedecida para que subjugue a História. É a diferença entre o cristão e o grego.”

― Albert Camus

Eu não estou de acordo com Camus: tanto Marx quanto Nietzsche foram cristãos gnósticos, porque lhes foi impossível fugir à influência da cultura europeia marcada pelo Cristianismo da transcendência divina, por um lado, e porque os próprios gregos pré-socráticos defenderam a unidade transcendente do Ser, a começar pelos pitagóricos, passando por Xenófanes, Parménides, Zenão, Melissos, Anaxágoras, etc, por outro.

Para que exista a democracia tradicional de tipo ocidental, é imprescindível que o Estado não só respeite o Cristianismo (e algumas outras religiões que apregoem a liberdade intrínseca do ser humano), como é necessário que o Estado integre os seus valores, sem, no entanto, abraçar quaisquer dogmas que as possam caracterizar. O Estado não tem que adoptar os dogmas das religiões mas tem que se entrosar com os valores da liberdade e da finitude do ser humano, conforme defendidos pelo Cristianismo. De outro modo, caminhamos para um totalitarismo.

Sócrates

Sócrates

A democracia de tipo ocidental e as religiões reveladas não-determinísticas (Cristianismo, Budismo, Siquismo, Bahai) estão de tal forma interligadas que não é possível que a democracia representativa possa sobreviver sem estas religiões.

O Islamismo fica de fora do rol porque detém uma componente determinística importante na sua doutrina que retira alguma da liberdade individual ao ser humano, o que não acontece com outras religiões. O Judaísmo, através da tradição profética que o marca indelevelmente, tem uma componente imanentista e escatológica de tal modo forte que ofusca a ordem transcendental da sua doutrina. A tradição profética do judaísmo foi “importada” pelo gnosticismo cristão que torna imanente a escatologia do “paraíso na terra” que é característica do “progressismo” político actual. O gnosticismo cristão tem as suas raízes profundas no Judaísmo e na Apologética cristã.

pope-dalai

Por exemplo, quando analisamos as ideias e o comportamento de Barack Obama, estamos em presença do gnosticismo cristão que coloca a imanência escatológica do “paraíso na terra” acima da transcendência divina que determina a ordem humana e universal. Mas não só o Obama: a esquerda marxista em geral e um novo de tipo de líderes políticos socialistas fabianos ― em que se inclui José Sócrates ― apregoam o imanentismo escatológico em detrimento da transcendência do Ser.

O gnosticismo cristão tem uma componente determinística que vai contra a tradição cristã tal como ensinada, nomeadamente, por S. Agostinho e S. Tomás de Aquino: a profecia gnóstica está na base da mente revolucionária que dá como certo o futuro da construção do “paraíso na terra” e na crença no transumanismo que transformará o ser humano num ser divino.

Um exemplo de um gnóstico cristão típico foi o anacoreta medieval Joaquim de Fiore, a que Obama algumas vezes se referiu na sua campanha eleitoral. Portanto, o gnosticismo é essencialmente determinístico quando dá o futuro que é desejado como certo, e na medida em que retira, por essa via, a liberdade ao ser humano. O gnosticismo esteve na base de todos os totalitarismos do século 20, e continua a ser uma ameaça às liberdades e à democracia tal qual a conhecemos hoje.

«A morte do espírito é o preço do progresso. Nietzsche revelou este mistério do apocalipse do Ocidente quando ele anunciou que Deus estava morto e que Ele tinha sido assassinado. O assassínio gnóstico é cometido por homens que sacrificam Deus à civilização. Quanto mais as fervorosas energias da humanidade são lançadas num grande empreendimento de salvação através de uma acção imanente e terrena, mais se afastam os humanos, que assim se envolvem nesse empreendimento, da vida espiritual. E dado que a vida do espírito é a imediata fonte da Ordem humana e da sociedade, o sucesso da civilização gnóstica é a própria causa do declínio da sociedade.»

Eric Voegelin ― “The New Science of Politics”

A “civilização gnóstica”, a que se referiu Voegelin em meados do século passado, tem sido a grande responsável pelas ideologias que restringem a liberdade do ser humano. A ordem espiritual ditada pelo Cristianismo é reposta ciclicamente quando o Ocidente se dá conta do descalabro a que essa civilização gnóstica nos conduz. Foi assim após o nazismo e após o estalinismo.
Temos vivido, desde meados do século 19, numa alternância entre a herança da Razão cristã que regula a tensão existente entre a liberdade humana e a finitude do Homem, e a irracionalidade gnóstica que recusa a liberdade humana e que proclamou a divinização de uma elite de humanos auto-iluminados.

2 comentários »

  1. REVELAÇÃO/EXORTAÇÃO
    Urge difundirmos na terra, a certeza de que Jesus Cristo já vive agindo entre nós, espargindo a luz do saber em sí, criando Irmãos Espirituais, e a nova era Cristã. Eu não minto, e a Espiritualidade que esperava pela sua volta, pode comprovar que digo a verdade. Por princípio, basta recompormos as 77 letras e os 5 sinais que compõe o título do 1º. livro bíblico, assim: O PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS CHAMADO GÊNESIS: A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA E DE TUDO O QUE NÊLES HÁ: Agora, pois, todos já podem ver que: HÁ UM HOMEM LENDO AS VERDADES DO SEU ESPÍRITO: ÊLE É O GÊNIO CRIADOR QUE ESSA AÇÃO DE CRISTO: (LC.4.21) – Então passou Jesus a dizer-lhes: Hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir: (JB.14.17) – O Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem conhece, vós o conheceis; porque Ele habita convosco e estará em vós.(MT.14.27) – Tende ânimo! Sou Eu: Não temais: (JB.2.5) – Fazei tudo o que Ele vos disser, (JB.5.27) – porque é o Filho do Homem: (JÓ.9.19) – Se se trata da força do poderoso Ele dirá: Eis-me aqui: Regozijai-vos e fazei jus ao poder que o Nosso Espírito traz às Almas Justas, para a formação da verdadeira Cristandade.

    (MT.26.24) – O FILHO DO HOMEM VAI, COMO ESTÁ ESCRITO A SEU RESPEITO, MAS AI DAQUELE POR INTERMÉDIO DE QUEM O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO TRAIDO! MELHOR LHE FÔRA NÃO HAVER NASCIDO:

    E, ao recompormos as 130 letras e os 7 sinais que compõem esse texto, todos já podem ler, saber, e entender quem é o Filho do Homem:

    E O FILHO DO HOMEM É O ESPÍRITO QUE TESTA AS ALMAS DO HOMEM E DA MULHER, NA VERDADE DO SENHOR, COMO CRISTO: E EIS A PROVA QUE O FILHO DO HOMEM FOI TREINADO NA LEI CRISTÃ:

    (MC.14.41) – Chegou a hora, o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores: E hoje, quem desejar interagir conosco na obra comum da nossa criação, deve fundamentar-se n`A Bibliogênese de Israel; que já está disponível na internet (Editora Biblioteca 24×7). E quem não quiser, pode continuar vivendo de esperança vã, assistindo passivamente a agonia da vida terrena, à par da auto-destruição do nosso planeta…

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    Comentar por Arnaldo Ribeiro — Quinta-feira, 6 Janeiro 2011 @ 6:17 pm | Responder

  2. […] muito próximo, por um lado, e por outro lado, o exercício do profetismo gnóstico. Por exemplo, este comentário é tipicamente gnóstico / cristão : alguns trechos das Escrituras cristãs e judaicas são retiradas do seu contexto para fundamentar […]

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    Pingback por O profetismo « perspectivas — Quinta-feira, 6 Janeiro 2011 @ 8:20 pm | Responder


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