perspectivas

Sexta-feira, 20 Março 2009

O preservativo e o Papa: constatando factos

aids-photo-ethiopia

Estive aqui calado em relação às palavras do Papa Bento XVI sobre o papel do preservativo na prevenção da propagação da SIDA, mas as atoardas nos me®dia ganharam contornos de exacerbada histrionia politicamente correcta, com retardados mentais ― como o Jorge Sampaio ― a papaguearem a cartilha marxista cultural. Eu estou à vontade para falar neste assunto, porque não concordo com os fundamentalismos de um lado e doutro da contenda.

A verdade é que:

  • Mesmo despejando preservativos em barda dos aviões por sobre as aldeias africanas, mesmo distribuindo-os gratuitamente, mesmo com as campanhas de “alfabetização sexual” por parte das ONG’s marxistas, eugenistas e abortistas ligadas à ONU e à UNESCO, a propagação da SIDA em África mantém-se firme e em crescendo.
  • Decorre do facto anterior um outro facto: o preservativo tem uma inconveniência porque tem que estar sempre “à mão de semear” para quem faz da promiscuidade sexual um comportamento normalizado. Muitas vezes, e mesmo com o preservativo no bolso das calças ― que entretanto já “voaram” para um canto qualquer ― , o promíscuo é impelido a “terminar a faena” aplicando a “estocada” sem pensar nas consequências. Portanto, os comportamentos de risco existem independentemente dos preservativos estarem no bolso das calças.
  • Mesmo que o “matador” traga sempre consigo o látex milagreiro, ele tem que ser usado de forma correcta. Muitas vezes, no calor da refrega, a arte dos adereços tauromáquicos é subordinada ao imperativo do instinto do animal. Basta que o látex milagreiro seja mal colocado para acontecer a morte do artista.
  • O governo do Uganda aplicou nos últimos anos uma campanha cultural de combate à promiscuidade sexual (abstinência q.b. e razoável; não estamos aqui a falar em “abstinência total”), e a incidência da SIDA baixou drasticamente nesse país. Este é um facto incontestável que os me®dia escondem ostensivamente.


Portanto, temos aqui factos incontestáveis que os me®dia negam sistematicamente. Ademais, temos ainda um outro facto não menos importante:

  • Existem doenças mortais sexualmente transmissíveis apesar do uso do preservativo. O HPV é um vírus que causa a morte e que se transmite entre os parceiros da “fiesta brava” ocasional através do contacto com a pele das partes pudibundas, e o homem promíscuo é o (normalmente; também pode ser a lésbica promíscua) transmissor e a mulher a vítima do cancro no útero e do cancro cervical. Neste caso, tanto vale usar o preservativo como não o usar: como vemos, a promiscuidade sexual mata independentemente do uso do preservativo.

Por isso, e perante os factos, sou obrigado a aceitar que o Papa Bento XVI tem alguma razão.

Por outro lado, tenho que aceitar que numa relação sexual de risco se deve usar sempre o preservativo, embora não devamos tornar as relações sexuais de risco como um comportamento normalizado ― e aqui o Papa volta a ter razão.


A ler:

Harvard AIDS Expert Says Pope is Correct on Condom Distribution Making AIDS Worse

Edward C. Green, director of the AIDS Prevention Research Project at the Harvard Center for Population and Development Studies, has said that the evidence confirms that the Pope is correct in his assessment that condom distribution exacerbates the problem of AIDS.

The pope is correct,” Green told National Review Online Wednesday, “or put it a better way, the best evidence we have supports the pope’s comments.”

There is,” Green added, “a consistent association shown by our best studies, including the U.S.-funded ‘Demographic Health Surveys,’ between greater availability and use of condoms and higher (not lower) HIV-infection rates. This may be due in part to a phenomenon known as risk compensation, meaning that when one uses a risk-reduction ‘technology’ such as condoms, one often loses the benefit (reduction in risk) by ‘compensating’ or taking greater chances than one would take without the risk-reduction technology.” ( see the full interview with Green here:

http://article.nationalreview.com/?q=MTNlNDc1MmMwNDM0OTEzMjQ4NDc0ZGUyOWYxNmEzN2E= )

The Harvard AIDS Project’s webpage on Green lists his book “Rethinking AIDS Prevention: Learning from Successes in Developing Countries”. It is stated that Green reveals, “The largely medical solutions funded by major donors have had little impact in Africa, the continent hardest hit by AIDS. Instead, relatively simple, low-cost behavioral change programs–stressing increased monogamy and delayed sexual activity for young people–have made the greatest headway in fighting or preventing the disease’s spread.”

5 comentários »

  1. Até que se pode ter opinião diversa da do papa nessa matéria do preservativo. Veja-se, por exemplo, a opinião de D. Januário:

    «Expliquem-me, por exemplo, porque é que os senhores jornalistas não deram destaque ao apelo do Papa contra a corrupção, lavagens de dinheiro, guerra e outras poucas-vergonhas em África?»

    Resto da notícia em http://tinyurl.com/cv8zje

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    Comentar por Henrique — Domingo, 22 Março 2009 @ 2:25 am | Responder

  2. […] En portugués: O preservativo e o Papa: constatando factos […]

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    Pingback por El Papa: menos sexo, nada de preservativos y más espiritualidad | La Yijad en Eurabia — Domingo, 22 Março 2009 @ 3:35 pm | Responder

  3. Nisso o Henrique tem razão. Quando se fala em promiscuidade acredito que o preservativo pouca diferença faz, Orlando. A promiscuidade é doença. Então, como doença não tratando mata também. Daí se o individuo faz a opção de morrer mais rápido… Quando se fala em África, na população mais ignorante (por não conhecer) a obrigação é o esclarecimento e não a imposição do sentimento de culpa. Acho que o papel da Igreja Católica sempre foi afirmar a culpa ao invés de esclarecer. Estamos mudando? Os tempos estão mudando? O Papa está mais preocupado com o esclarecer? Oxalá. Espero mesmo que sim. Prefiro estar confusa quanto ao papel da Igreja a estar certa com as minhas convicções.

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    Comentar por delfinaguimaraes — Segunda-feira, 23 Março 2009 @ 2:56 pm | Responder

  4. Delfina: foi exactamente isso que Vc escreveu que eu escrevi por outras palavras. Em África, o “problema” é cultural — por isso é que eu coloquei o link : “Três coisas que Vc não sabe sobre a SIDA em África”. Em África existe a poligamia, e não existe uma única cultura poligâmica que se tivesse transformado em civilização.

    Não está aqui em causa neste postal “a culpa”; essa coisa do “bom selvagem” de Rousseau dava pano para mangas. O que pretendo dizer é que, mesmo que por razões diferentes, os próprios especialistas científicos dizem que o Papa tem razão.

    Edward C. Green, director of the AIDS Prevention Research Project at the Harvard Center for Population and Development Studies, has said that the evidence confirms that the Pope is correct in his assessment that condom distribution exacerbates the problem of AIDS.

    A não ser que os cientistas e o Papa estejam todos errados.

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    Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 23 Março 2009 @ 4:53 pm | Responder

  5. […] relação à certeza que a ciência nos pode garantir, por favor ver o que alguns cientistas especializados na pandemia da SIDA nos dizem: que o Papa tem razão. Mas a certeza da ciência é, para o Apdeites, uma “bambochata” ― […]

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    Pingback por Três opiniões sem credibilidade « perspectivas — Sexta-feira, 27 Março 2009 @ 1:29 pm | Responder


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