perspectivas

Domingo, 15 Março 2009

A diferença entre “comunidades” e “grupos sociais”

Como conservador, eu sou um acérrimo defensor das “comunidades” ou instituições da sociedade civil. Porém, alguém me chamou à atenção de que, por essa via, poderei ser chamado de “multiculturalista”, uma vez que os multiculturalismo também defende direitos específicos por parte de grupos sociais.

Esclareci o meu interlocutor explicando que o conservador defende a existência das “comunidades” da sociedade civil tendo como base um fundo cultural homogéneo, e que as “comunidades” do conservador distinguem-se dos “grupos sociais” do multiculturalismo por estes grupos se definirem por aspectos psicossomáticos, como por exemplo, a raça, a etnia, o sexo ou as preferências sexuais. Para o multiculturalista, a cultura é consequência dessas características psicossomáticas.

Para o conservador, as características psicossomáticas das pessoas não têm relevância senão como características individuais ― assim como numa mesma raça podem existir pessoas com olhos castanhos e olhos verdes; tratam-se de características individuais que, para o conservador, não podem ser constituídas como tendo direito a um tratamento especial a ponto de serem consagradas em torno de comunidades da sociedade civil.

Por outro lado ― e muito importante ―, o multiculturalismo retira direitos aos indivíduos para os acrescentar aos grupos sociais estruturados segundo características psicossomáticas, isto é, o multiculturalismo cria uma série de guetos culturais e “apartheids” raciais e/ou étnicos, ao mesmo tempo que, por esta via, reforça os poderes de um Estado que assim tende naturalmente para o totalitarismo.

O conservadorismo não retira direitos ao indivíduo nem retira direitos naturalmente inerentes ao Estado: antes coloca entre o indivíduo e o Estado uma rede de “comunidades” que constitui uma sociedade civil fortalecida, o que faz com que a opinião pública não seja uma simples soma aritmética da opinião dos indivíduos, não seja tão facilmente manipulável pelos me®dia, e não seja decisivamente condicionada pelo poder do Estado.

3 comentários »

  1. Boa tarde,

    Você possui algum livro ou artigo que trate sobre o conservadorismo? Interessei-me pelo assunto que você tratou neste post.

    Atenciosamente,
    Guilherme.

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    Comentar por Guilherme Pereira — Quarta-feira, 15 Abril 2009 @ 7:23 pm | Responder

  2. Ler Edmund Burke, Russell Kirk e Tocqueville.

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    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 14 Julho 2009 @ 8:33 am | Responder

  3. muito boa essa informaçao

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    Comentar por valeria — Sexta-feira, 30 Julho 2010 @ 3:03 pm | Responder


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