perspectivas

Sábado, 28 Fevereiro 2009

Daniel Sampaio: a educação sexual entendida como “libertação do instinto em relação à repressão da civilização”

Qualquer dia, em vez de darmos chupetas aos recém-nascidos, vai estar na moda política dar-lhes pénis de borracha.

A função da educação sexual nas escolas deve ter como objectivo retardar as relações sexuais na adolescência, e não induzir as relações sexuais prematuras dos nossos pré-adolescentes (para isto, já existe a Internet). A ideia que o Dr. Daniel Sampaio tem da educação sexual ― e por mais que ele diga o contrário disso ― induz a relações sexuais prematuras, e o que move o Dr. Daniel Sampaio são motivações políticas, e não técnicas.

É preciso dizer ao Dr. Daniel Sampaio que a associação ideológica freudiana, assimilada por ele ― que vem da Utopia Negativa neomarxista ― segundo a qual o instinto (entendido como tendência para o regresso a uma situação originária da humanidade) e a sua repressão (que é a sofrida pelo instinto na civilização) “é nociva à felicidade do ser humano”, essa associação politicamente correcta entre “instinto” e “repressão do instinto” esquece propositadamente a função positiva através do Superego que, segundo Freud, a repressão q.b. do instinto exerce quer na formação da personalidade humana normal, quer na formação da civilização.

É preciso dizer ao Dr. Daniel Sampaio que “educação sexual” não é a mesma coisa que “promoção controlada da promiscuidade sexual”. Ele sabe que não é a mesma coisa, o que é grave; por isso, precisamos todos de lhe dizer que nós também sabemos.

As motivações do Dr. Sampaio são políticas, na medida em que as suas ideias sobre a educação sexual, se aplicadas nas nossas escolas, resultarão a médio prazo numa redução da idade de consentimento sexual das nossas crianças ― e é isto que está por detrás das ideias do Dr. Sampaio: ele diz que o seu modelo de educação sexual nas escolas combate a pedofilia; porém, a verdade é que simultaneamente cria as condições objectivas para que a pederastia e a pedofilia ganhem terreno legal na nossa sociedade, através da pressão política exercida sobre a sociedade para que a idade de consentimento de sexo entre crianças e adultos baixe drasticamente ― como já acontece na Holanda em que a idade de consentimento sexual baixou para os 12 anos. Se a Holanda (onde existe um partido político que defende a legalização da pedofilia) é o modelo de sociedade defendido pelo Dr. Sampaio, então é urgente que não sejamos obrigados “a levar com ele” nos me®dia.

Qualquer dia, em vez de darmos chupetas aos recém-nascidos, vai estar na moda política dar-lhes pénis de borracha. Acho que o Dr. Sampaio deveria procurar um psiquiatra, porque essa coisa de dizer que se é contra a pedofilia e a o mesmo tempo trabalhar objectivamente para que a idade de consentimento sexual baixe, terá necessariamente a ver com alguma repressão de um instinto que assombra o inconsciente do Dr. Sampaio.

O Dr. Sampaio traz à lide (num programa da SIC) uma lista de dezenas de adolescentes portuguesas que engravidam, para assim justificar a sua demência ideológica. Mas o Sampaio “esquece-se” propositadamente de trazer à lide os números de adolescentes grávidas em Inglaterra, onde existe há décadas o tipo de educação sexual que o Sampaio defende. Em termos relativos (de percentagem) em relação ao total da população nos dois países, os números ingleses são quatro vezes maiores do que os números portugueses, mas a realidade não interessa ao Sampaio: o Sampaio inventa a realidade e transforma-a em verdade inquestionável e em preconceito negativo.

A educação sexual curricular nas escolas deve ter apenas conteúdos muito básicos, e a verdadeira educação sexual deve ter como base um programa que mobilize a participação das famílias das crianças através das associações de pais, com a colaboração de técnicos especializados ― que devem incluir especialistas em ética ― que ensinem os pais das crianças como proceder na discussão destes temas com os seus filhos. Só assim, e segundo Freud, será possível a necessária ― e não excessiva ― repressão do instinto que ajuda a formar a personalidade do ser humano normal e que é um garante da continuidade civilizacional.

E sabem que mais: bardamerda para os Sampaios! Um deles já se foi embora e continuamos a levar com o outro!

6 comentários »

  1. Nem mais, concordo de fio a pavio.

    Gostar

    Comentar por Curiosa — Domingo, 1 Março 2009 @ 4:52 am | Responder

  2. Em relação a um comentário que não publiquei, que coloca em causa a relação entre o marxismo cultural e a psicanálise, aconselho a leitura de toda a história da Escola de Frankfurt e da Utopia Negativa. Existem livros sobre o assunto em qualquer boa biblioteca municipal.

    Agradeço que quando as pessoas comentam aqui, ou pedem informações, e serão dadas com todo o prazer, ou se me quiserem dar lições agradeço que estejam absolutamente seguros do que estão a afirmar; de contrário, fazem-me perder tempo!

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 2 Março 2009 @ 5:49 pm | Responder

  3. […] último comentário desse tarado refere-se a este meu postal, e diz o roto que eu sou ignorante porque “o marxismo é incompatível com a psicanálise”, […]

    Gostar

    Pingback por A ciberpatrulha política guei e a arrogância da bicharada « perspectivas — Terça-feira, 3 Março 2009 @ 9:35 am | Responder

  4. Há os que conhecem Freud e os que dizem que para Freud tudo é sexo. Ninguém, até hoje foi capaz de mudar uma vírgula nos postulados de Freud sobre o desenvolvimento psíquico e social do indivíduo, que continuam servindo de ponto de partida para muitos estudos. Alguns discordam dele, a meu ver por desconhecê-lo profundamente. Eu sou dos que aprenderam a partir dele. Os conceitos de Id, Ego e Superego (Freud), instâncias da consciência, explicam claramente o que acontece com o indivíduo e a forma como lida com os seus instintos. Em princípio, podemos usar a sublimação para lidar com os instintos “inconvenientes”. A educação sexual na escola deveria usar desta forma de “mecanismo de defesa” do ego para ajudar as nossas crianças a lidarem com a libido de maneira sadia (para isso existem as artes, o esporte,etc.). O educador precisa estar bem preparado para levar até aos seus alunos o tema “sexualidade” de forma clara e sem falsos pudores, mas respeitando a liberdade de dar à criança a oportunidade de viver a sua infantilidade sem pressa. Desmistificar o sexo não é sinonimo de exacerbação da libido. É esclarecimento, que é direito de toda a criança. O bom seria que os pais assumissem essa tarefa e quando estes não se sentem preparados delegar à escola essa incumbência com responsabilidade.

    Gostar

    Comentar por delfinaguimaraes — Terça-feira, 3 Março 2009 @ 5:48 pm | Responder

  5. Delfina: estou de acordo com o comentário. Porém a escola nunca se pode substituir à família — este é um princípio sagrado. O que a escola pode fazer é ajudar a família, que é coisa diferente.

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 4 Março 2009 @ 7:06 pm | Responder

  6. O socialismo quer sempre destruir a estrutura familiar.

    Gostar

    Comentar por Mats — Quarta-feira, 4 Março 2009 @ 8:54 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: