perspectivas

Sábado, 14 Fevereiro 2009

200 anos depois de Darwin: o que há para celebrar?

not-guiltyDepois de ter lido a “Origem das Espécies” de Charles Darwin, Karl Marx escreveu uma missiva a Engels, onde dizia: “Este é o livro que contém a base da História Natural que corresponde à nossa mundividência [Weltanschauung]”. Duzentos e sessenta milhões de mortos depois de Marx ter escrito essa carta a Engels, celebrámos por estes dias os 200 anos sobre a data de nascimento de Darwin.
Desde que Darwin morreu e até finais do século 20, foram assassinadas em guerras e purgas políticas mais de o dobro de pessoas mortas nas mesmas condições desde o século II antes de Cristo até data em que Darwin desapareceu (1882).

Lenine tinha sobre a sua secretária no palácio do Kremlin uma escultura em bronze constituída por duas figuras: uma das figuras era a de um macaco olhando com ar selvagem para a outra figura da escultura que era um crânio humano. Sempre que Lenine olhava para essa escultura em cima da sua mesa de trabalho, podia ver por detrás dela, fixo na parede, um retrato emoldurado de Karl Marx. Para Lenine, o macaco selvagem e o crânio humano unidos naquela escultura não poderiam ser outra coisa senão o símbolo da nulidade e da degradação do espírito humano.

O problema do naturalismo darwinista não é a sua teoria que até está parcialmente correcta embora apresente imensas lacunas, como está provado pela própria ciência ― por favor ler “A Caixa Negra de Darwin”, do bioquímico Michael Behe, que constata essas mesmas lacunas da teoria de Darwin. O problema do darwinismo é que toma a parte pelo todo, isto é, observa uma pequeníssima parte da realidade e extrapola teoricamente as suas observações para todo o universo, por um lado, e ignora ostensivamente outros ramos da ciência, como a Física, por outro lado. Sendo que a Biologia é eminentemente uma ciência indutiva (empírica), a tentativa de extrapolação dedutiva sistemática por parte da Biologia revelou-se um erro que a Humanidade tem pago muito caro.

Um naturalista é um ateu inteligente que compreendeu que o ser humano não pode viver sem uma religião, e por isso, transforma o darwinismo numa religião que é uma versão moderna de um panteísmo. A diferença essencial entre o panteísmo de Espinosa e o panteísmo naturalista, é que os naturalistas substituíram o conceito de “Deus” pelo conceito de “Natureza”. O “Deus” do naturalista existe: é a própria Natureza concebida de uma forma abstracta, uma vez que o segredo da existência do universo continua imperscrutável.

Mesmerizada pelo darwinismo, a comunidade científica ― com excepção da Física ― paralisou. Ainda hoje existem biólogos que colocam em causa a teoria do Big Bang e o conceito de universo em expansão, porque a possibilidade da existência de um princípio para o universo repugna-os fortemente; para eles, a possibilidade do Big Bang põe em causa a biologia em geral e o darwinismo em particular.

Einstein escreveu: “os cientistas estão possuídos pela noção de causalidade universal”, o que reflecte a ideia de que Einstein já nos anos trinta do século passado considerava a obsessão pelo evolucionismo como uma irracionalidade. Por isso, os biólogos entram num autismo e preferem fazer de conta que o universo não existe, e reagem perante as deduções científicas introduzidas pela quântica (e pela Física em geral) como uma qualquer pessoa que constate que as suas crenças estão em conflito com as evidências ― e assim se explica a atitude obsessiva de Richard Dawkins.

galaxiaA irracionalidade do darwinismo consiste em não admitir qualquer tipo de início para o universo e, ao mesmo tempo, em não conseguir explicar sequer como é que um simples conjunto de 29 proteínas, como é o “Motor Flagelar”, apareceu na natureza. O Motor Flagelar simplesmente não pode ter evoluído ― segundo o conceito darwinista de “evolução” ― de uma outra coisa qualquer, porque basta que uma das proteínas seja retirada do conjunto das 29 para que o motor não funcione, isto é, o Flagelar só funciona com as suas 29 partes montadas simultaneamente. Este é apenas um simples exemplo das imensas lacunas do darwinismo.

Porém, é espantoso como vemos nos nossos me®dia o “novo clero” cientificista a proclamar a nova alquimia que transforma chumbo em ouro, negando aceitar que a teoria de Darwin só pode ser racional desde que inserida num largo espectro de teorias, em que o darwinismo é apenas uma ínfima parte. Em vez optarem pela racionalidade, os darwinistas transformaram a teoria numa ética evolucionista destinada a combater ideologicamente as religiões em geral e a ética cristã em particular, transformando-se eles próprios nos profetas de uma nova religião. Infelizmente, a religião naturalista constitui um retrocesso da razão humana em 5.000 anos, uma vez que se trata de uma espécie de um monismo religioso que caracterizou as religiões primitivas.

1 Comentário »

  1. http://www.philosophynow.org/issue71/71midgley.htm

    Um link para um texto bastante interessante sobre o tema. Pra ser sincero, ainda num li, mas confio na fonte.

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    Comentar por eduardo — Quinta-feira, 19 Fevereiro 2009 @ 7:27 pm | Responder


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