perspectivas

Sexta-feira, 16 Janeiro 2009

O poder político e a manipulação da comunicação social

Filed under: cultura,me®dia,Sociedade — orlando braga @ 2:11 pm
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Ser jornalista é pertencer a uma máfia controlada pelo poder político. É muito mais credível a Internet que dispõe de fontes alternativas de informação muito próximas da realidade dos factos, do que os me®dia tradicionais.

Quando o jornalista Frederico Duarte de Carvalho escreveu o seu livro acerca do desaparecimento de uma criança inglesa no Algarve, tratou-o como uma obra de ficção literária que utiliza a narrativa como instrumento de comunicação. Embora o livro de Frederico Duarte de Carvalho não faça referência ao nome de Madeleine McCann, quem o ler faz facilmente a conotação ideológica com o “caso Maddie”. Existe, portanto, uma referência ideológica que liga o texto de Carvalho, exarado no seu livro, com a realidade do desaparecimento da menina inglesa na Praia da Luz, no Algarve.

À referência ideológica entre dois textos (ou entre conteúdos ideológicos, que podem ser de diverso tipo), ou entre um texto e a realidade, a semiótica chama de “referência intertextual”.

No caso do livro de Frederico Duarte de Carvalho, a referência intertextual é feita a posteriori, isto é, depois do “caso Maddie” ter acontecido. Contudo, na maioria dos casos, a “referência intertextual” é realizada pela narrativa antes dos factos se realizarem, intuindo no subconsciente colectivo a ideia de que a narrativa a anteriori dos factos leva ao acontecimento dos mesmos (como é o caso da ficção científica). Desta forma, a referência intertextual a anteriori actua no subconsciente colectivo e prepara o caminho para que quando os acontecimentos narrados anteriormente aconteçam na realidade de um futuro que se pretende factível, a sociedade se sinta familiarizada com eles, reduzindo-se assim a possibilidade de existência de anti-corpos ideológicos que coloquem em causa a validade ética desses mesmos acontecimentos, que passam a moldar a realidade.

O futuro é, assim, construído artificialmente através de uma narrativa de desconstrução do passado e do presente. Por outras palavras: distorcem-se os factos do passado e do presente para se poder justificar o futuro que se pretende. É isto que fazem os jornalistas, actualmente.

O caso dos recorrentes artigos nos me®dia sobre o “casamento” gay é um exemplo de uma referência intertextual a anteriori que utiliza a narrativa jornalística para escamotear a realidade, no sentido de assim se preparar a sociedade para aceitar a aberração anti-natura e o absurdo. Os factos e a realidade sobre a natureza dos relacionamentos gay são omitidos pelos jornalistas através de uma anterologia metodicamente concatenada, que substitui o tradicional relato jornalístico da realidade pela narrativa politicamente orientada.

O “paradigma da narrativa” transforma o “bom” em “mau”, e vice-versa, fazendo com que a ética venha a ser aquilo que o poder político pretende que seja ― a ética “à la carte” imposta por critérios políticos. O jornalista deixou de ser (como foi, maioritariamente, no passado recente) o repórter que retrata a realidade e investiga a verdade dos factos, e passou a ser um agente ao serviço do Poder que controla a política.

O paradigma da narrativa foi utilizado pelo nazismo e é hoje bastamente utilizado pela Esquerda europeia ― nomeadamente pelo regime socretino ―, mas foi também utilizado pelo regime de G. W. Bush na diabolização do mundo árabe, e pelos opositores políticos de Bush para diabolizar a imagem do presidente.

A narrativa não retrata a realidade; narra-a, conta uma história acerca do que o jornalista diz que são os factos, de uma forma subjectiva e desconstruindo essa realidade. Os factos passam para segundo plano; o que interessa é a estória do jornalista.

Um bom exemplo da narrativa jornalística ao serviço do poder político, foi o caso das imagens que passaram nas televisões de todo o mundo logo a seguir ao ataque às torres gémeas de Nova Iorque, imagens essas que mostravam os palestinianos festejando na rua a queda das torres gémeas. A verdade é que a estação de televisão NBC utilizou algumas imagens de arquivo de palestinianos celebrando um outro evento qualquer, e a NBC sobrepôs às imagens de arquivo a narrativa jornalística de uma notícia de credibilidade duvidosa ― que veio a ser desmentida ― que dava conta do júbilo dos palestinianos perante a tragédia nova-iorquina. Embora a NBC se tenha posteriormente retratado quanto ao conteúdo das imagens narradas, o efeito devastador desta mentira mediatizada nunca foi contrariado de uma forma eficaz a nível global.

Ser jornalista é pertencer a uma máfia controlada pelo poder político. É muito mais credível a Internet que dispõe de fontes alternativas de informação muito próximas da realidade, do que os me®dia tradicionais.

A referência intertextual a anteriori é comummente utilizada na política actual através da manipulação dos me®dia que deixam de nos contar o que se passa na realidade, para passar a utilizar a narrativa politicamente orientada que apenas aflora a periferia dessa realidade utilizando a desconstrução ideológica. Desconstruindo-se assim a realidade, o poder político ― que manipula os me®dia ― impõe a sua narrativa à sociedade no intuito de controlar o futuro.

O cidadão que se torna cada vez mais consciente da actual condição dos me®dia, passa a recorrer a outras fontes de informação, nomeadamente a blogosfera. Em resposta ao fenómeno da blogosfera, o poder político procura agora criar mecanismos de controlo dos blogues a nível global, no sentido de que a narrativa anterológica do jornalismo político manipulado não deixe de surtir os efeitos desejados.

O jornalismo é uma profissão em vias de extinção, em grande parte por culpa dos próprios jornalistas ― a não ser que a via totalitária da repressão das fontes alternativas de informação venha a ter lugar.

O paradigma da narrativa utilizado na manipulação dos me®dia é essencialmente um instrumento político característico da mente revolucionária, que intui na sociedade a certeza do futuro através de uma programação preditora da realidade. O “futuro” proclamado pela mente revolucionária é o anúncio profético de um determinado devir infalível, um vaticínio certeiro que é imposto à sociedade como sendo a realidade de um futuro que, de tão verdadeiro que é, já faz parte do presente.

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1 Comentário »

  1. Uma espécie de programação dos robots…

    Comentário por Henrique — Sexta-feira, 23 Janeiro 2009 @ 8:59 am | Responder


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