perspectivas

Domingo, 21 Dezembro 2008

Citando Salazar

Filed under: Política — O. Braga @ 4:24 pm
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“Excessivamente sentimental, com horror à disciplina, individualista sem dar por isso, falho de espírito de continuidade e de tenacidade na acção. A própria facilidade de compreensão, diminuindo-lhe a necessidade de esforço, leva-o a estudar todos os assuntos pela rama, a confiar demasiado na espontaneidade e brilho da sua inteligência. Mas quando enquadrado, convenientemente dirigido, o português dá tudo quanto se quer…
O nosso grande problema é o da formação das elites que eduquem e dirijam a Nação. A sua fraqueza ou deficiência é a mais grave crise nacional. Só as gerações em marcha, se devidamente aproveitadas, nos fornecerão os dirigentes – governantes, técnicos, professores, sacerdotes, chefes do trabalho, operários especializados – indispensáveis à nossa completa renovação. Considero até mais urgente a constituição de vastas elites do que ensinar toda a gente a ler. É que os grandes problemas nacionais têm de ser resolvidos, não pelo povo, mas pelas elites enquadrando as massas.

Obviamente não concordo com os trechos sublinhados, mas não nos podemos esquecer que foram escritos numa determinada época, em que as elites portuguesas tinham sido desbaratadas por um republicanismo anarquista, radical e jacobino, com recurso sistemático ao assassínio de políticos. Entre ensinar o povo a ler e a necessidade de reerguer essas elites, Salazar optou pela segunda via. Só não vejo em que uma coisa é incompatível com a outra.

“Para o bom português, meus Senhores, a carreira verdadeiramente ideal é aquela que não exija preparação e em que se não faça nada sob a aparência de que se faz alguma coisa. (Porque em suma ele envergonha-se de o chamarem preguiçoso). Ora desde os tempos em que Spencer, um pouco irreverentemente, é verdade, vinha declarar que, «exigindo-se uma longa aprendizagem para se fazerem sapatos, não era precisa nem pequena nem grande para se fazerem leis», o caminho, hão-de concordar, estava naturalmente traçado. Demais aquele velho Aristóteles, que foi filósofo na antiga Grécia, escreveu ingenuamente um dia que a política era a dificílima arte de os indivíduos governarem os povos. Já lá vão séculos porém. O tempo tudo altera; alterou também a ideia: hoje é a mais fácil arte de os povos governarem os indivíduos.”

A ideia do “português preguiçoso” é recorrente, mas falsa, isto é, o português não é mais preguiçoso do que outro membro de outra nação qualquer. O que falta ao povo português é um desígnio unificador que teve no passado mas que a Europa se encarregou de lhe retirar a partir das invasões napoleónicas. Portugal tem sido alvo de um saque ideológico castrador da sua vontade por parte do jacobinismo-maçónico, que se mantém até hoje.

Salazar refere-se ao Modernismo e à implantação do comunismo e do nazismo. Esta frase de Salazar é a “prova provada” de que a Direita Extrema portuguesa confunde o Corporativismo do Estado Novo, que nada tinha de socialista mas que era nacionalista, com o colectivismo introduzido pelo Modernismo através do comunismo e do nazismo.

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