perspectivas

Sábado, 22 Novembro 2008

As Leis Fundamentais da Estupidez Humana (Cipolla)

Filed under: Sociedade — O. Braga @ 3:54 pm
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Primeira Lei Fundamental

«Sempre e inevitavelmente, existe a tendência para subestimar a quantidade de estúpidos em circulação.»

Pessoas que julgámos, à primeira vista, serem inteligentes e racionais, muitas vezes revelam-se de uma estupidez atroz. No nosso dia-a-dia somos incomodados por gente estúpida nas mais diversas situações e em qualquer lugar.

Segunda Lei Fundamental

«A probabilidade de uma pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa pessoa.»

Ao contrário do que diz o igualitarismo politicamente correcto, as pessoas não são todas iguais ― existe, pelo menos, uma diferença: umas são estúpidas e outras não, e a diferença entre elas é determinada pela própria natureza e não devido à aculturação ou à educação. A estupidez é natural, endógena. É-se estúpida da mesma forma que se é loura e de olhos azuis, que se pertence a um determinado grupo sanguíneo ― ou outra característica física específica. A estupidez é uma característica psico-somática hereditária, porém independente de raça ou credo. Uma pessoa estúpida nasceu assim por um acto da Providência que actua no sentido de ensinar a maioria acerca dos inconvenientes da estupidez. Existem estúpidos entre pobres e ricos, entre letrados e analfabetos, e a proporção de estúpidos é semelhante em todos os grupos sociais.

Terceira Lei Fundamental (a “lei de ouro”)

«Uma pessoa estúpida é aquela que causa danos a outra pessoa ― ou a um grupo de pessoas ― sem que tenha algum beneficio com a sua atitude, e inclusivamente correndo o risco de sair prejudicada em resultado dos seus actos.»

Quando alguém prejudica outra pessoa e ganha com isso, não é estúpido: é um “bandido”. Um ladrão rouba mas ganha com roubo; o ladrão não é estúpido; é um “bandido”.

Por vezes, existem pessoas que actuam de tal forma que se prejudicam a si próprias e, com essa mesma acção, beneficiam outrem. Estamos na presença de “incapazes” ou “ingénuos”.

Outras pessoas actuam de forma que todos ganham com os seus actos: são “inteligentes”.

O estúpido causa dano a outrem sem ganhar a ponta de um chavo com isso, e inclusivamente prejudica-se a si próprio. Uma pessoa normal não concebe a irracionalidade do estúpido, porque ninguém que seja racional coloca a hipótese de prejudicar alguém sem tirar alguma vantagem da sua acção. Tanto o “bandido”, como o “ingénuo”, como o “inteligente”, não conseguem compreender o “estúpido” ― ninguém consegue detectar qualquer razão que permita compreender porque é que o estúpido procede estupidamente. A única explicação plausível para os actos do estúpido é a estupidez.

Quarta Lei Fundamental

«As pessoas não-estúpidas subestimam sistematicamente o poder devastador das pessoas estúpidas. Os não-estúpidos esquecem-se constantemente que, em todas as circunstâncias, momentos e lugares, lidar com pessoas estúpidas se revela invariavelmente um erro de que vêm a pagar muito caro.»

É impressionante como os ingénuos, os inteligentes, e até os bandidos, caem sistematicamente na armadilha do comportamento errático do estúpido, mas a verdade é que o estúpido é totalmente imprevisível. Uma das características do estúpido é o seu alto grau de imprevisibilidade, e esta é uma das formas de o detectar: se alguém demonstrar um comportamento errático, existem grandes probabilidades de que se venha a revelar ali um estúpido. Quando a imprevisibilidade de comportamento se alia à irracionalidade dos actos, o estúpido revela-se em todo o seu esplendor!

Quinta Lei Fundamental

«O estúpido é a pessoa mais perigosa que existe.»

O ladrão (“bandido”) transfere a riqueza de um lado para outro. Depois de o bandido dar o “golpe”, a sociedade fica equilibrada na mesma proporção ― a riqueza apenas mudou de mãos. Quando o estúpido actua, existem prejuízos de uns que nunca podem ser compensados com ganhos de outras pessoas, e a sociedade desequilibra-se e empobrece.

Corolário

«O estúpido é mais perigoso que o bandido».

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3 comentários »

  1. […] abrindo mão da sua faculdade da Razão. Ela estará sendo irracional. Ela estará escolhendo agir como um estúpido, quando evidentemente está propondo a possibilidadade da sua própria inexistência enquanto […]

    Pingback por rei nada » Uma prova lógica de que a defesa do aborto é irracional — Segunda-feira, 9 Março 2009 @ 3:14 am | Responder

  2. […] Mas a burrice de Inês Pedrosa vai mais longe — aliás, penso que é infinita; a estupidez não escolhe classe nem estatuto social: é como que “genética” (Cipolla)   […]

    Pingback por A burrice da Inês Pedrosa | perspectivas — Quarta-feira, 31 Dezembro 2014 @ 7:55 am | Responder

  3. […] uma lei da natureza), a destruição progressiva da Igreja Católica — é um caso típico da estupidez humana segundo […]

    Pingback por A nossa luta contra o Chico e seus sequazes como o Anselmo Borges, “¡es una lucha a muerte!” | perspectivas — Sexta-feira, 16 Junho 2017 @ 10:41 am | Responder


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