perspectivas

Terça-feira, 18 Novembro 2008

Encruzilhada da História

utilitarismo11A ideia de que o Homem é “Deus na Terra” é antiquíssima, tão antiga quanto a idade de 150.000 anos atribuída ao Homo Sapiens. As diferenças que sobre-existiram ao longo do tempo não são substanciais, mas antes formais; muda-se a forma com o tempo mas mantém-se a substância. Contudo, a deificação de uma casta de seres humanos nunca foi tão perigosa para a espécie humana como é hoje.

A civilização europeia culminou com a burguesia; é produto de uma súmula utilitarista que se acumulou ao longo de dois milénios ― a utilidade prática do conhecimento para o domínio da matéria. O burguês europeu, ao contrário dos antigos gregos, não se sentia atraído pela contemplação, mas antes pela utilidade prática; quis instalar-se comodamente no mundo, modificando-o a seu bel-prazer.

Enquanto Platão e Aristóteles pensavam os rudimentos que tornaram possíveis a Física moderna, eles tinham ― como a maioria dos gregos ― uma vida difícil, rude e sem conforto. Nesse momento histórico, os chineses que nunca tinham tido um único pensamento científico, que nunca se preocuparam com a contemplação e que nunca desenvolveram uma teoria, todavia já desenvolviam a Técnica, teciam telas esplendorosas, fabricavam objectos de grande utilidade, a tinta, o papel e a pólvora, e construíam muitos artefactos de excepcional conforto. Enquanto que em Atenas se inventava a matemática pura, em Pequim inventava-se o forro da casaca.

Concluímos, pois, que a procura do conforto e do domínio da matéria não são sinónimos de superioridade intelectual e moral. A civilização europeia resume em si essa falsa noção de superioridade utilitarista que caracterizou os chineses antigos, enquanto que a verdadeira superioridade era a dos gregos que se preocupavam com a busca da Verdade, preparando, sem o saberem, o conforto dos burgueses que, mais tarde, se instalaram de mãos-dadas com a Técnica.
Por coincidência, os dois lugares históricos que mais importância deram ao conforto e ao utilitarismo foram os dois últimos séculos do segundo milénio ocidental e a civilização chinesa; entre o burguês avesso a contemplações, e o chinês ― filisteu por natureza ―, teceram-se as afinidades entre os dois lugares no tempo histórico.

Os filisteus europeus ― os burgueses ― surgiram com o Positivismo de Augusto Comte, que foi o filósofo da burguesia. A Técnica passou a reger a Ciência, e não o contrário. Em finais do século XIX, o físico Boltzmann escrevia:

«Nem a lógica, nem a filosofia, nem a metafísica decidem, em última instância, se algo é verdadeiro ou falso, mas somente a acção pode decidir sobre estas matérias. Por este motivo não considero as conquistas da Técnica como simples resultados secundários da ciência natural, mas antes como provas lógicas desta. Se não tivéssemos proposto essas conquistas práticas não saberíamos como raciocinar. Não há mais raciocínios correctos senão aqueles que têm resultados práticos.»

Já antes de Boltzmann, Comte tinha sugerido que a Técnica predominava sobre a Ciência. Segundo este raciocínio, a utilidade não é algo que decorre da procura da Verdade e que faz parte secundária desta, mas toda a Verdade não é outra senão a que está subjacente à utilidade prática. A evolução lógica do Positivismo foi o Pragmatismo que nasceu nos Estados Unidos e que é a mais miserável de todas as teorias jamais pensadas, proclamando que a Verdade não é senão o êxito que resulta do trato com as coisas.

utilitarismo2Desta postura europeia, ocidental e burguesa de procura afanosa do conforto utilitarista, resultou o Homem-deus, o darwinismo social, o eugenismo utilitarista. Não terá chegado o momento de aparecerem os “novos gregos”? Quando li o livro “A Caixa Negra de Darwin”, de Michael Behe, compreendi que os “gregos modernos” andam por aí; o espírito grego não se esgotou nem se extinguiu.

O darwinismo é perigoso porque transforma um dado científico circunscrito a uma determinada realidade ligada à micro-evolução, num horrendo dogma que pretende, com um simples passe de mágica, explicar toda a Natureza. Comparado com o darwinismo, o dogma do criacionismo bíblico é um venial conto-de-fadas.

Se juntarmos todas as peças de um puzzle que incorpora o Positivismo burguês, o Pragmatismo utilitarista e o darwinismo dogmático, desembocamos no materialismo, no marxismo que se pretendia assumir como ciência, no nazismo que derivou directamente do darwinismo social, do eugenismo darwinista, e das ideias de Malthus e do seu modelo que preconizava a morte à fome dos pobres e fracos.

Ao contrário do que muita gente pensa, o eugenismo não nasceu na Alemanha nazi mas em Inglaterra e foi impulsionado, em todo o mundo, pelos Estados Unidos. Todos nós sabemos do apoio logístico e ideológico que os nazis receberam dos eugenistas que estavam organizados nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX e princípio do século XX. Em 1912 realizou-se em Londres uma conferência sobre o eugenismo.
O apoio ao programa eugénico nazi por parte de grandes empresas americanas geridas por gente estreitamente ligada à maçonaria, como Rockefeller, Alexander Graham Bell, Thomas J. Watson (fundador da IBM), Charles Davenport, Carnegie, Harriman, Harry H. Laughlin, é um facto historicamente provado. Mais recentemente, Bill Gates, Buffet, Al Gore, George Soros, etc., têm apoiado com muito dinheiro a promoção do social-darwinismo e do eugenismo em todo o mundo.

Vencido o horror nazi, os social-darwinistas mudaram o nome das suas organizações e passaram a ter um atitude mais discreta, mas não desapareceram. Os agentes de Bilderberg não são mais do que a continuação ideológica do social-darwinismo; o próprio príncipe Bernhard, que foi um dos fundadores do grupo de Bilderberg, foi um oficial de alta patente das SS nazi.


Quando alguém defende que a população portuguesa tem um claro espaço de crescimento, está nitidamente a assumir uma posição contra a súcia de Bilderberg.

Pelo contrário, quando vemos uma força política defender descaradamente o definhamento da população portuguesa, seja através da promoção do aborto livre, seja por fracos apoios estatais à família, seja através da promoção cultural da homossexualidade como sendo um comportamento considerado normal e recomendável, estamos nitidamente perante uma força política comprometida com a maçonaria e com o grupo de Bilderberg. Paradoxalmente, o grande aliado de Bilderberg é o conjunto da Esquerda portuguesa, porque o utilitarismo é uma doutrina antropocêntrica comum à plutocracia maçónica e ao marxismo cultural.

O partido político português que mais está controlado por Bilderberg é o partido socialista de José Sócrates (existem vários “partidos socialistas”) ― e é esta a força política que urge derrotar nas próximas eleições, em nome do futuro de Portugal.

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