perspectivas

Terça-feira, 4 Novembro 2008

Diferença entre unanimismo e unanimidade

Eu não gosto de Obama porque a semelhança dos seus métodos políticos com os de José Sócrates é avassaladora: mentirosos compulsivos, os dois, aldrabões, populistas, vigaristas, ilusionistas políticos, oportunistas, sem coluna vertebral, amorais inveterados, moluscos sem escrúpulos e dispostos a utilizarem todos os meios para atingirem os seus fins.

Do programa de ontem da Fátima Campos Ferreira na RTP ficou-me o “unanimismo”, que é diferente de “unanimidade”. A decisão (ou opinião) “unânime” ― mesmo que resulte errada ― é consequência da discussão, e portanto, da Razão; o “unanimismo” resulta do seguidismo ideológico e da adopção irracional de atitudes colectivas. O unanimismo está directamente ligado à indiferença e funciona em relação a esta em proporção directa ― a indiferença que, segundo Descartes, “é o grau mais baixo de liberdade”. O unanimismo significa um baixo índice de liberdade para a maioria e um proto-totalitarismo de uma minoria elitista. Pobre Europa!

Eu recuso a ideia de que se deve apoiar determinado político só porque esse político é preto ― e foi esta a principal conclusão a que cheguei acerca do unanimismo do programa de ontem, o que, aliás, já existia na blogosfera portuguesa.

Apoiar um político porque ele é preto denota a pior forma de racismo que se revela pela sua não-afirmação, pela sua ocultação politicamente correcta: o paternalismo. Apoiar alguém porque é preto (ou branco) é de uma extrema pobreza ideológica. Eu estou à vontade para falar porque o “meu candidato” (que foi preterido pelo sistema americano de pré-selecção) por acaso até era preto ― porque era o único pré-candidato católico, conservador, e porque é um político com ideias próprias e com uma boa estrutura de carácter e personalidade (segundo testemunhos de diversas origens). O mais engraçado é que os europeus “progressistas”, liderados pelos franceses, apoiam Obama porque ele é preto, mas ainda estou para ver quando é que um preto chega a Presidente da República Francesa. A coisa mais detestável em política é a hipocrisia, e os franceses sempre foram os mestres na arte de se ser hipócrita.

Quando eu era mais jovem e andava a estudar, acreditava que com a alfabetização da população as pessoas passariam a ser mais livres, porque partia eu do princípio de que o conhecimento traria automaticamente mais liberdade. Hoje tenho imensas dúvidas sobre esta “evolução automática” em função da literacia. Vi ontem uma jovem americana “alfabetizada” de 19 anos dizer no programa que apoiava Obama “porque sim” depois de uma lengalenga sem nexo; convenhamos que é muito pouco para quem sabe ler.

Os portugueses que agora apoiam Obama irão criticá-lo muito em breve porque ele não cumprirá as promessas que fez em relação à política externa americana, à economia e à regulação do sistema financeiro, porque ele não pode fazer outra coisa senão faltar ao prometido a não ser que vá trair os interesses do seu próprio país. Eu, que vi com antecedência que Obama não tinha nem condição nem perfil para cumprir o que quer que fosse, limitar-me-ei a ser coerente comigo mesmo: prefiro políticos que falem a verdade, isto é, que exponham a “verdade” conforme eles a vêem; podemos então discutir a “verdade” deles e saber se não existe melhor “verdade” do que aquela que é defendida por esses políticos. Porém, é sempre necessário um mínimo de honestidade na política.

Eu não gosto de Obama porque a semelhança dos seus métodos políticos com os de José Sócrates é avassaladora: mentirosos compulsivos, os dois, aldrabões, populistas, vigaristas, ilusionistas políticos, oportunistas, sem coluna vertebral, amorais inveterados, moluscos sem escrúpulos e dispostos a utilizarem todos os meios para atingirem os seus fins; mas o mais espantoso é que parece ser disto que o povo gosta. Pois que levem com eles; têm o que merecem ― mas não se venham queixar.

Quanto aos blogues obâmicos, já os “marquei” e chegará a hora da cobrança ideológica ― como quem diz: “E o que me dizes disto, hein? E daquilo? E daqueloutro?” Vai dar para me divertir nas horas vagas… 🙂

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1 Comentário »

  1. […] dos seus métodos políticos com os de José Sócrates é avassaladora.”, escrevia o Orlando. E eu assino por […]

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    Pingback por Não… « Pedro_Nunes_no_Mundo — Quarta-feira, 5 Novembro 2008 @ 12:31 am | Responder


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