perspectivas

Sábado, 1 Novembro 2008

O “Problema” da Humanidade Contemporânea

O que separa radicalmente a Humanidade contemporânea é uma simples e pequena diferença de opinião:

  • As maioria das elites utilitaristas e bem instaladas na sociedade, (política, científica, plutocrata) acreditam que a mente humana, que engloba o “pensamento” e a “consciência”, é um mero resultado da actividade cerebral (“epifenomenalismo” de Thomas Huxley e Darwin).
  • Uma elite científica minoritária, todas as religiões e a maioria dos habitantes do planeta, acreditam que mente humana existe essencialmente como “consciência” (“Cogito” de Descartes), e os cientistas do “Cogito” defendem a ideia de que é inclusivamente a “consciência” que contribui activamente para a formatação do cérebro, existindo médicos neurocientistas que se baseiam na noção de “Cogito” para aliviar doenças como a obsessão compulsiva e fobias.


Costeau, defensor do eugenismo

Costeau, defensor do eugenismo

O que é interessante é que esta (aparente) pequena diferença de opinião sobre o que é a “consciência” separa a Humanidade de tal forma que se está a tornar impossível ― por influência do activismo cultural das elites defensoras do “epifenomenalismo” ― à Humanidade conviver com esta pequena discrepância no seu seio. A partir do momento em que se adopta uma ou outra visão sobre a “consciência” (“epifenomenalismo”, por um lado, ou “Cogito”, por outro), a forma como encaramos o mundo muda tão radicalmente que se torna impossível uma qualquer coincidência na visão que tenhamos do nosso pequeno mundo e do universo.

O “Problema da Humanidade” é extremamente complexo e daria para escrever um livro gordo. Contudo, toda essa complexidade parte de uma divergência ideológica aparentemente tão desprezível como é aquela que nos divide na forma como vemos a nossa “consciência”.

Muita gente se recorda do francês Jacques Costeau (um naturalista, e portanto, defensor do epifenomenalismo) e das suas séries televisivas sobre a vida marinha. Como se sabe, Costeau trabalhou para a UNESCO, que é uma organização da ONU que teve como primeiro Presidente um senhor biólogo inglês de seu nome Julian Sorell Huxley (neto de Thomas Huxley). Aquela figura simpática que aprendemos todos a reconhecer em Jacques Costeau, defendeu (por escrito), com toda a frieza imaginável, a ideia de que deveriam ser eliminados, todos os dias, 300.050 seres humanos (durante determinado um período de tempo que não tenho agora presente) para “se salvar o planeta”.

Margaret Sanger

Margaret Sanger

O próprio Sir Julian Sorell Huxley, um biólogo darwinista e defensor do epifenomenalismo, em nome duma teoria a que ele chamou de “Scientific Evolutionary Humanism” (Humanismo Científico Evolucionário), e enquanto “Chairman” da UNESCO, defendeu aberta e publicamente a “purificação da raça humana”, considerando os negros como sendo “sub-humanos” e passíveis de serem eliminados da espécie humana ― tal como defendeu Margaret Sanger, outra darwinista defensora do epifenomenalismo. Margaret Sanger tinha uma particular aversão aos negros, e partindo de um ponto de vista darwinista e evolucionista (e, portanto, uma epifenomenalista) , defendeu a ideia da esterilização das mulheres negras americanas para evitar a propagação de “uma raça inferior” (sic). Há quem diga que Barack Obama pensa que a “raça inferior” é a raça branca, o que vai dar no mesmo erro dos outros.

A esmagadora maioria dos naturalistas são racistas ― mesmo que jurem que não são ― e são defensores do epifenomenalismo, incluindo o simpático Carl Sagan que secundou Jacques Costeau na sua opinião de “eliminação diária de 300.050 seres humanos”, assim como Richard Dawkins que assume abertamente o eugenismo como uma condição para o “progresso da Humanidade”. Quando se chega ao ponto de se considerar como sendo “progresso da Humanidade” a matança de seres humanos, ganhamos consciência da gravidade do problema cultural que domina a actualidade, e este agudiza-se de tal forma que Richard Dawkins defende a ideia de que todo o ser humano religioso é um “ser inferior” e por isso, a sua descendência deveria ser impedida por meios científicos, evitando-se assim que as pessoas religiosas tivessem filhos. Estas ideias propagam-se. Os naturalistas defensores do epifenomenalismo darwinista e utilitarista, com o seu activismo político, estão a tornar impossível a saudável convivência entre seres humanos.

Relatos de pessoas que conviveram com Joseph Mengele demonstram que o médico nazi era uma pessoa muito afável, simpática, sociável e comunicativa. Contudo, sabemos o que Mengele fez nos campos de concentração nazis em nome do epifenomenalismo, isto é, do evolucionismo darwinista. O nazismo, o comunismo marxista e o neoliberalismo de Hayek são produtos directos do evolucionismo darwinista aplicado ao ser humano e, portanto, do epifenomenalismo como definição de “consciência”.

Concluímos, pois, que a simpatia ou a antipatia de uma pessoa não pode definir o carácter dessa pessoa, mas é sim a forma como essa pessoa encara um pequeníssimo problema ― é a “consciência” resultado da mera actividade do nosso cérebro, ou está a “consciência” ligada ao “Cogito” universal ― que define o carácter dessa pessoa. Alguém que tenha uma visão epifenomenalista da consciência humana, por muita simpatia que aparente para o exterior e por muita ciência que ostente, não pode ter, por natureza, bom carácter e é endogenamente um sociopata.

O problema que se coloca é que irá chegar o dia em que estas duas visões do mundo se vão radicalizar de tal forma, que se irão confrontar não já a nível ideológico, mas em forma de uma confrontação violenta que se instalará no interior de algumas sociedades a Ocidente ― não uma guerra convencional de uns países contra outros, mas uma guerra de guerrilha dentro de alguns países da Europa. Esta “guerra cultural” violenta será inevitável.


Bom fim-de-semana! E já agora: «desconfiem daqueles moços que dizem que “tu não pensas, mas é antes o teu cérebro que pensa por ti e tu nem te dás conta disso …”» 🙂

1 Comentário »

  1. […] religião, Roger Scruton Roger Scruton vai de encontro às minhas preocupações expressas aqui. Com tantos insultos que levo aqui diariamente ― vai tudo para SPAM ― é bom saber que, afinal, […]

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    Pingback por O “Problema” da Humanidade Contemporânea (2) « perspectivas — Segunda-feira, 3 Novembro 2008 @ 12:16 pm | Responder


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