perspectivas

Segunda-feira, 29 Setembro 2008

A irracionalidade maçónica

Filed under: Maçonaria — O. Braga @ 6:04 pm
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Sociedade de Thule

Comecei a ler ontem um livro de Daniel Béresniak com o titulo “Judeus e Franco-maçons” (Editora Pergaminho), no mesmo dia em que a extrema-direita austríaca conseguiu 30% dos votos em eleições livres. Não pude, por isso, deixar de associar o resultado das eleições austríacas com o conteúdo do livro.

A visão histórica de Béresniak é manchada aqui e ali pela “mente revolucionária”. A maçonaria parece não se dar conta de que tem sido ela própria, depois do surgimento da “maçonaria especulativa”, o motor de praticamente todos os radicalismos que assolam o mundo. Embora Béresniak critique “en passant” os “passadistas” e os “utópicos” (referindo-se aqui aos “tradicionalistas” e aos “marxistas da utopia”), Béresniak escreve (pág. 15):

«A Franco-maçonaria operativa toma em consideração diversas representações “tradicionais” do mundo, apreende-se a si própria como uma sociedade “iniciativa” e, assim, propõe aos seus membros a realização de uma “viagem” cujo objectivo é a “metamorfose” do velho homem no “homem novo”, o Iniciado.
(…)
Nós temos, neste final do século XX, o privilégio de ter visto a que aberrações conduz a imagem do “homem novo”! Este tema não alimenta apenas a experiência fraternal, alimenta também as mitologias totalitárias.
O ensino maçónico convida igualmente a uma reflexão sobre todas essas derrapagens. (…) A maçonaria propõe instrumentos, e os maçons servem-se deles de formas diferentes. »

O que vemos neste excerto é a ideia de que a demanda do graal do “homem novo”, segundo a maçonaria, não é a mesma demanda pelo “homem novo” das ideologias totalitárias. Isto é tão falso quando sabemos que uma ordem maçónica (a Ordem de Thule) esteve por detrás da fundação e da organização do Partido Nazi na Alemanha do princípio do século 20. Por outro lado, a frase “a maçonaria propõe instrumentos, e os maçons servem-se deles de formas diferentes” revela uma realidade inquietante: a maçonaria é uma organização que que não tem uma estratégia integrada e deixa à iniciativa dos seus membros, a cada momento da História, a escolha do critério a seguir na prossecução de uma agenda política que muda consoante a vontade conjuntural dos seus membros mais influentes.


Naturalmente que o leitor dirá que estou a generalizar a partir da opinião de um mação que, por acaso, é judeu. Vivemos num tempo em que a “generalização” é condenada pelas elites, mas os que condenam a “generalização” na opinião são os mesmos que defendem acerrimamente a ciência que não faz outra coisa senão generalizar. A própria perseguição ideológica à generalização é uma forma de generalização. A generalização contém sempre alguma verdade e é, essencialmente, uma forma de enfatizar uma opinião ou um ponto-de-vista. As excepções confirmam a regra e a salvaguarda das excepções existe por defeito ― não é preciso que as ressalvemos porque estão implícitas no princípio de “excepção”. Quando a generalização serve os interesses de quem a critica, deixa de ser “generalização” e passa a ser uma “visão correcta da realidade”. Portanto, sobre a “generalização”, estamos conversados.


Na página 28, escreve Béresniak:

«(…) as correntes [maçónicas] instalam-se nas consciências a ideia da tolerância religiosa, isto é, a ideia segundo a qual nenhum discurso tem o monopólio de verdadeiro, do bem e do belo. »

Este é um exemplo de como a defesa da tolerância se pode transformar na aceitação da permissividade e na adopção da indiferença. Se seguirmos à risca a interpretação deste trecho, chegamos à conclusão de que a noção de “belo” é relativa, e que ambas as ilustrações abaixo são “belas” dependendo do gosto de quem as observa ― já que ninguém tem o monopólio do “belo”.

Estas duas imagens, segundo Béresniak, podem ser igualmente belas, dependendo de quem as vê: para Béresniak, “tudo é relativo”, e para a extrema-direita que teve 1/3 dos votos nas eleições austríacas, a segunda imagem pode ser considerada como “bela”. O relativismo judeo-maçónico e anti-cristão dá frequentemente nestas contradições perigosas.

4 comentários »

  1. […] indirectamente e de uma forma ou doutra, no mais variado tipo de barbaridades, como aconteceu com a Sociedade de Thule, em que uma grande parte dos seus membros mais proeminentes pertencia à maçonaria regular […]

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    Pingback por A Ordem do Templo Solar « perspectivas — Quarta-feira, 1 Outubro 2008 @ 3:32 pm | Responder

  2. […] Pessoa era de descendência judia, e a sua ascendência foi uma das razões pelas quais Pessoa apoiou a Maçonaria. Mas quem, em Portugal, se pode afirmar isento de mistura de sangue judeu? Fernando Pessoa […]

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    Pingback por A irracionalidade maçónica (2) « perspectivas — Quinta-feira, 2 Outubro 2008 @ 3:38 pm | Responder

  3. Há, também, nos membros tresmalhados das maçonarias irregulares – caso do GOL em Portugal – para além da moda e do fetiche de pertencer à “maçonaria”, uma identificada esquizofrenia dos seus membros quando participam em reumiões partidárias.
    Assiste-se, neste momento, a uma certa e determinada esquizofrenia na tentativa de poluir politicamente o Ministério Público.

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    Comentar por Karlos Kellog — Quinta-feira, 12 Março 2009 @ 11:01 am | Responder

  4. Quero, doravante,receber novas postagens e novos comentárioa
    Obrigado
    L.M.

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    Comentar por Luís Madsen — Sexta-feira, 27 Agosto 2010 @ 10:47 pm | Responder


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