perspectivas

Sexta-feira, 26 Setembro 2008

Sentimento anti-lisboeta

Filed under: Portugal — O. Braga @ 1:58 pm
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Quando me dizem que o Miguel Sousa Tavares é portista, sinto-me incomodado porque sei que ele de portista não tem nada: o MST é do contra, é intrinsecamente do reviralho, e portanto, deu-lhe para ser portista como lhe poderia ter dado para ser iberista ou para ser defensor do califado. Vivendo desde sempre na Lisboa do maniqueísmo sportinguista e benfiquista, o seu instinto de reviralho escolheu o portismo, mas isso aconteceu por mero acaso.

O MST defendeu na TVI a ideia de que a Via do Infante (que é uma SCUT) não deveria debitar portagens porque ele tem um poiso de veraneio no Algarve, mas que as SCUTS do norte litoral ― o Grande Porto tem um rendimento per capita de 58% do rendimento lisboeta ― já devem debitar portagens, até porque ele nem as conhece. Naturalmente que o MST é contra a regionalização do país, e é a favor do “casamento” gay ― mas (pasme-se!) já é contra a adopção de crianças por duplas de gays, como se o casamento não implicasse automaticamente a possibilidade de adopção de crianças.

Sempre que o MST abre a boca no jornal da TVI acontece algum atentado contra a Lógica, e o pior é que centenas de milhar de pessoas ouvem as incoerências sistemáticas desse senhor. E quanto mais gente como ele fala nos me®dia controlados pela indústria cultural da capital-do-Império-que-já-não-existe, mais cresce em mim um sentimento anti-lisboeta (e não estou só).

2 comentários »

  1. Muito embora me pareça haver uma certa razão na análise à personalidade de MST, não deixa de ser evidente que quanto mais anti-lisboetas nos sentirmos (e não exageremos ao responsabilizar também Sousa Tavares por esse facto) mais erguemos a bandeira do nosso provincianismo.

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    Comentar por José D Costa — Quinta-feira, 16 Outubro 2008 @ 3:25 pm | Responder

  2. O provincianismo é como a liberdade — ou a falta dela: é um estado de espírito. Muitas pessoas fogem (de si mesmos) para a capital-do-império-que-já-não-existe, e nem por isso deixam de ser provincianos; e outros que lá sempre viveram não deixam de ser provincianos pelo facto de lá terem nascido, porque não conhecem a raíz da cultura que os moldou.

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    Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 16 Outubro 2008 @ 3:32 pm | Responder


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