perspectivas

Terça-feira, 23 Setembro 2008

O cair da máscara

Ouvi hoje ao Marcelo Rebelo de Sousa dizer na TSF que os deputados do PSD deveriam ter direito a liberdade de voto sobre a questão da votação da lei proposta pelo Bloco de Esquerda sobre o “matrimónio” (ou “casamento”) entre homossexuais ― alegando MRS uma “questão ética” (sic). Faço justiça a MRS de não fazer dele um idiota, mas se ele fosse idiota vinha mesmo a calhar para facilitar o meu raciocínio.

Se, por exemplo, a lei do Bloco visasse pressionar a GALP que nos anda trafulhar nos preços dos combustíveis, o Marcelo já não concordaria com a liberdade de voto no PSD e estava-se nas tintas para as “questões éticas”; mas tratando-se de crianças ― que não têm lobby político, dinheiro e poder ―, o Marcelo já não se importa de favorecer um determinado lobby político. Para um observador atento, MRS terá ficado agradado com a actuação coerciva deste governo junto da Justiça Portuguesa, no que respeita ao processo “Casa Pia” ― vai-se lá saber porquê.

Para a visão utilitarista do mundo de Marcelo Rebelo de Sousa ― que se diz católico (pasme-se!) ― a “questão ética” já não se coloca a nível da adopção de crianças por duplas de gays, que esta lei do Bloco prepara inexoravelmente para uma segunda fase do assalto à família, visando o seu controlo pelo Estado. Não quero crer que MRS não veja o que a lei do Bloco pretende realmente.

São Tomás de Aquino escreveu no seu Summa Teologiae que “Deus não tem poder para transformar um homem num burro” (sic). Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa arvora-se no direito de pensar que tem mais poderes do que Deus, quando nos quer transformar a todos nós em burros.

Actualização:

Pacheco Pereira, (via TSF) como bom ex-MRPP, não podia deixar de corroborar a opinião de MRS, alegando “questões de consciência”. Contudo, para Pacheco Pereira, as “questões de consciência” já não se aplicam a todas as outras áreas da política, em que a disciplina de voto é vulgarmente exigida ― orçamento de estado, votação de leis ordinárias, etc., como se todo e qualquer voto de um deputado não se revestisse de um imperativo de consciência. Para PP, o imperativo de consciência aplica-se nos casos em que lhe convém, e já nos casos alheios à necessária mente revolucionária, não convém que se aplique.

Se MRS se sobrepõe a Deus, fazendo de nós burros, no caso do PP é diferente: é de tal forma a contradição que, neste caso ― e contra a opinião de S. Tomás de Aquino ― é o burro que transforma em homem.

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2 Comentários »

  1. Eu dediquei o meu «Manifesto Robotista» a Marxell Sulzer e Joseph Pacheck Derrida… ehehehehe!

    Comentário por Henrique — Segunda-feira, 29 Setembro 2008 @ 6:52 am | Responder

  2. Ah, um bom título para um próximo manual revolucionáro: Sumo Tiológico!

    Comentário por Henrique — Segunda-feira, 29 Setembro 2008 @ 6:53 am | Responder


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