perspectivas

Sábado, 23 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (9)

Os “milagres”, a matéria e anti-matéria, a luz que podemos “agarrar” e a “Singularidade”

Par electrão / positrão

Par electrão / positrão

O electrão é uma ínfima porção de electricidade que é responsável pela estrutura dos átomos e das moléculas, e naturalmente é também responsável ― nomeadamente ― pela estrutura do nosso sistema nervoso central. Contudo, já vimos que a “Consciência” existe ― na forma de ondulação quântica ― independentemente da existência “material” do nosso cérebro.

Richard Feynman, Nobel da Física, defendeu a tese de que todas as partículas do universo poderiam ser reduzidas a uma só partícula ― a um electrão. Sabemos que sem a actividade do electrão, toda a actividade química não poderia existir; mas como seria possível reduzir as partículas do universo a um só electrão? Segundo Feynman, a resposta estaria na possibilidade de se poder viajar para trás no tempo; se o electrão conseguisse viajar para trás no tempo, ele poderia surgir em dois lugares espaciais em simultâneo. De igual modo, esse electrão poderia surgir simultaneamente em inúmeros locais e constituir um universo de electrões.

Portanto, a reversibilidade e o avanço do “universo do Tempo” constitui uma possibilidade que permitiria reduzir o “universo do Espaço” à sua partícula mais ínfima. E aqui entramos na área a que as religiões e a ciência convencionaram chamar de “milagres”, por exemplo, o “milagre” da ubiquidade ― a capacidade de alguém poder estar em dois locais diferentes em simultâneo.

Esta ideia é extraordinária: suponha o leitor que ― por artes de uma ciência e de uma técnica que ainda não existem, ou melhor, que sempre existiram mas que nós ainda não as “inventamos” ― conseguia viajar apenas dez segundos para trás no tempo, depois de ter entrado por uma porta e de se sentar numa cadeira na sua sala-de-estar, isto é, no momento em que se senta na cadeira, a viagem de 10 segundos em direcção ao passado inicia-se, e nesse preciso momento do início da contagem, o leitor levanta-se e dirige-se para a porta da varanda da sala-de-estar. Para os observadores externos, os relógios seriam progressivamente atrasados dez segundos, e passados os dez segundos de retrocesso no Tempo, o leitor apareceria simultaneamente em duas portas : à porta da sala e à porta da varanda; entrava por uma porta e simultaneamente saía por outra porta.

Para além da possibilidade da reversibilidade do Tempo, um holograma sofisticado pode perfeitamente explicar a ubiquidade. Costumamos dizer que “inventamos” o holograma ― que faz uso de uma propriedade de todas as ondas: o facto de elas terem amplitudes e fases. Contudo, já no seu Tempo, Kant escreveu que “tudo o que possamos imaginar e inventar, existe previamente”. Nós não inventamos nada; simplesmente descobrimos que as coisas existem.

Definitivamente, o “milagre” não constitui uma violação de nenhuma “lei natural”, por dois motivos concomitantes: primeiro, porque as “leis naturais” são as nossas leis naturais do nosso Tempo ― que não foram as leis naturais do século 18, e não serão seguramente as leis naturais do século 22 ― e não necessária e exactamente as leis do universo. Aquilo a que chamamos de “leis naturais” são uma linguagem codificada baseada numa lógica de perspectiva e não holística, que nos permite uma transmissão semântica (progressiva) do conhecimento que vamos acumulando, o que significa que essas leis vão sendo alteradas à medida que avançamos no conhecimento do universo. Depois, e em consequência, porque os “milagres” estão em perfeita consonância com as leis do universo que, por vezes, não coincidem totalmente com as nossas leis naturais.

Muitos dos chamados milagres são truncagens da dimensão do Espaço-tempo, “jogam” com a intermutabilidade do espaço e do tempo na definição das condições do universo. A “aceleração” do tempo em relação ao nosso Espaço-tempo poderia permitir o “milagre” da transformação de um fruto embrionário de uma árvore num fruto maduro em apenas em alguns segundos do nosso tempo terrestre (acelerando-se o processo de crescimento do fruto com a aceleração do Tempo do nosso Espaço-tempo), assim como poderia transformar a água no vinho das bodas de Canaã em questão de minutos ― naturalmente com a intervenção de uma “Consciência” que seja dotada de uma complexidade de tal grandeza que lhe permitisse a capacidade e o conhecimento para interferir desta forma no nosso Espaço-tempo.


A celebérrima fórmula de Einstein (E=Mc2) coloca em equação a Energia (E) e a Matéria (M), multiplicando esta última duas vezes pela velocidade da luz ( c ) . Segundo esta fórmula, a matéria seria energia luminosa aprisionada (condensada).
Podemos observar as consequências da aplicação desta fórmula no processo físico de “aniquilação electrão/positrão”, e também no processo inverso conhecido como “criação electrão/positrão”. No decurso destes processos, os electrões colidem com os positrões (os positrões são os “electrões” da anti-matéria) e em resultado dessa colisão ambos desaparecem e dão lugar a partículas luminosas chamadas “fotões”; se a energia disponível for suficientemente elevada, é possível inverter o processo e transformar os fotões em positrões e electrões, isto é, em matéria e anti-matéria.

Por outro lado, através da gravidade, a luz também se deixa “agarrar”. Quando a gravidade atinge uma determinada dimensão, a luz é “agarrada” pelos buracos negros, isto é, é dobrada em círculo, absorvida pelo buraco negro e provavelmente expelida por um buraco branco num outro qualquer Espaço-tempo do universo.
De igual modo, a “espuma quântica”, com os seus minúsculos buracos negros que constituem lapsos do Espaço-tempo ― aqui designados por “poços” ― , geram campos gravitacionais intensíssimos com raios de acção extremamente curtos que “agarram” a luz.

Portanto, mesmo a nível do microcosmos a luz é “aprisionada” através de fenómenos gravitacionais ― e não só a nível do macrocosmos. Mais adiante voltaremos a este assunto, quando abordarmos a estabilidade das partículas no interior dos “poços” que pode determinar a desintegração da matéria.

A “Singularidade” (ver no Google) é cada um destes pontos no Espaço-tempo quântico onde as forças se encontram para além da nossa actual compreensão, mas que pode ser explicável à luz de uma ideia de “Absoluto” ou “Infinito” ― que constitui tudo aquilo que está para além do Espaço-tempo.

A “Singularidade” da Física quântica é o “Absoluto” filosófico e o “Além” religioso.

Imagem daqui.

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